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EXCLUSIVO CNBC: CEO da Ford diz que EUA precisam de até 2 milhões de trabalhadores qualificados por ano

Publicado 30/09/2026 • 17:24 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • Jim Farley, CEO da Ford, afirma que os Estados Unidos precisam de 1,6 milhão a 2 milhões de trabalhadores qualificados por ano.
  • Farley diz que a escassez afeta principalmente pequenas e médias empresas, enquanto aposentadorias devem ampliar o problema.
  • Dan Peyovich, CEO da Dacom, destaca a demanda crescente por eletricistas e outros profissionais para construir a infraestrutura de data centers, IA e redes de fibra.

Os Estados Unidos enfrentam uma crescente falta de mão de obra qualificada, com uma demanda estimada entre 1,6 milhão e 2 milhões de profissionais por ano em diferentes áreas da indústria. O alerta foi feito por Jim Farley, CEO da Ford, em entrevista exclusiva à CNBC.

Segundo Farley, o problema se agravou nos últimos 12 meses, mas também passou a ser mais compreendido por empresas e parceiros de diferentes setores.

A Ford participa de uma iniciativa voltada a identificar soluções para ampliar a oferta de profissionais técnicos no país.

“Precisamos de 1 milhão e 600 mil a 2 milhões de trabalhadores qualificados anualmente neste país, o que não temos. Nos últimos 12 meses, o problema se agravou, mas também passamos a entendê-lo”.

O executivo disse que será publicado um relatório com pesquisas sobre iniciativas que funcionam ou não para enfrentar o déficit de profissionais.

Também está prevista uma campanha de conscientização sobre as profissões técnicas e as possibilidades de carreira nessas áreas.

“Vamos começar uma campanha publicitária, de grande alcance, para realmente elevar a conscientização sobre as profissões técnicas e como são carreiras excelentes”, afirmou.

A iniciativa reúne parceiros de diferentes setores, entre eles Nvidia, Google e BlackRock. Para Farley, a dimensão do problema exige uma atuação conjunta entre empresas e instituições.

“Agora precisamos trabalhar e resolver esses problemas, porque está piorando”.

Na Ford, Farley afirmou que a situação é administrável atualmente. A companhia possui dezenas de milhares de profissionais qualificados e programas de aprendizagem.

O maior nível de pressão, segundo ele, está entre os clientes da montadora, principalmente pequenas e médias empresas.

“Nós temos 60% de participação de mercado em pequenas e médias empresas nos Estados Unidos, como ambulâncias, encanadores e eletricistas. Eles estão em crise total”.

Farley disse ainda que 25% da força de trabalho dessas empresas deve se aposentar em breve. Diferentemente de grandes companhias, essas empresas teriam menos recursos para desenvolver programas próprios capazes de enfrentar a escassez.

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“Eles não têm os recursos que a Ford Motor tem para resolver esse problema”.

O executivo defendeu uma abordagem que envolva empresas, instituições de ensino e diferentes setores da economia. Na avaliação dele, a disputa por trabalhadores qualificados entre companhias já não é suficiente para solucionar o déficit.

“Antes podíamos apenas roubar uns dos outros em relação à mão de obra qualificada. Mas o problema é grande demais. Precisamos de parceria”, disse.

Além da indústria tradicional, a expansão da inteligência artificial e dos data centers também aumenta a demanda por profissionais técnicos, especialmente eletricistas.

O CEO da DICOM, Dan Peyovich, afirmou que a construção da infraestrutura física necessária para sustentar a economia digital já movimenta milhares de trabalhadores nos Estados Unidos.

“Temos milhares de eletricistas. Temos homens e mulheres em todo o país construindo a infraestrutura física que permite a economia digital”.

A expansão das redes de fibra óptica também deve ampliar a necessidade de mão de obra. Dan afirmou que a empresa já possui mais de 21 mil funcionários em todo o país, mas que esse número não seria suficiente para atender à demanda projetada para os próximos anos.

“Já temos mais de 21 mil funcionários nacionalmente, mas isso não chega perto do que precisaremos daqui a dois, três ou quatro anos”, disse.

Para os executivos, a educação é uma das principais frentes para ampliar a oferta de profissionais. Dan relatou que a influência de um professor de oficina foi determinante para sua própria escolha profissional.

“Meu professor de oficina teve uma grande influência na minha vida. Sr. Sorensen, se estiver ouvindo, eu não teria entrado nas profissões técnicas se ele não tivesse me dado a educação sobre como seria uma carreira. E aqui estou quase quatro décadas depois, uma prova disso”.

Farley também defendeu uma mudança na percepção sobre as profissões técnicas. Segundo ele, a formação universitária não precisa ser uma alternativa excludente ao aprendizado de um ofício.

“Mesmo que você vá para a faculdade, aprender um ofício qualificado, como Dan aprendeu, ou eu aprendi quando éramos mais jovens, é algo ótimo, independentemente da opção que você tenha na sua vida”.

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