David Ellison e Ynon Kreiz falaram juntos pela primeira vez em entrevista exclusiva à CNBC.
Novos controladores da CNN, os executivos dizem que a direção corporativa ficará fora das decisões editoriais da emissora.
Relação de Ellison com a administração de Donald Trump colocou a independência da CNN no centro das atenções após a fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery.
A nova Skydance começa a operar com um dos maiores portfólios de mídia e entretenimento do mundo após a conclusão da combinação entre Paramount e Warner Bros. Discovery, uma operação avaliada em cerca de US$ 110 bilhões. Sob o comando de David Ellison, CEO da Skydance, e Ynon Kreiz, co-CEO do grupo, a companhia reúne estúdios de cinema e televisão, plataformas de streaming, esportes, notícias e um amplo catálogo de propriedade intelectual.
A estratégia dos executivos é integrar esses ativos para ampliar a presença do grupo no streaming e na produção de conteúdo, ao mesmo tempo em que administra a transição do mercado de televisão tradicional para novos formatos de consumo.
Em entrevista exclusiva à CNBC, Ellison e Kreiz afirmaram que a combinação permitirá explorar de forma mais ampla os negócios de entretenimento e tecnologia. O grupo prevê produzir cerca de 30 filmes por ano e mais de 180 séries, além de utilizar seu portfólio de marcas e propriedades intelectuais em diferentes plataformas.
Streaming ganha espaço na estratégia
Ellison afirmou que a combinação dos negócios de streaming e dos estúdios deverá compensar, ao longo do tempo, a retração da televisão linear.
“Ao juntar os dois serviços de streaming, alcançamos um patamar onde os estúdios e o streaming superam o declínio da TV linear”, afirmou.
Segundo o executivo, enquanto a televisão aberta apresenta maior estabilidade, os canais por assinatura continuam enfrentando uma trajetória de queda. A estratégia será administrar esses ativos para preservar a geração de caixa durante a migração da audiência para o streaming e outras plataformas digitais.
Kreiz afirmou que a nova Skydance reúne cerca de 50 redes de televisão a cabo, além de um amplo conjunto de ativos de entretenimento, notícias e esportes. Para ele, a escala do novo grupo permitirá prolongar a rentabilidade dos negócios tradicionais enquanto a companhia acelera sua transformação digital.
“Sim, haverá quedas na receita”, disse Kreiz, ao comentar as perspectivas para a televisão tradicional.
Tecnologia passa a ser eixo do novo grupo
Além do conteúdo, a tecnologia será uma das principais frentes da nova companhia. Kreiz avalia que empresas tradicionais de mídia demoraram a responder à entrada das grandes empresas de tecnologia no setor de entretenimento.
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“A tecnologia entrou na mídia e perturbou o negócio. As companhias não se adaptaram rápido ou bastante”, afirmou.
Na avaliação do executivo, a fusão busca responder a essa transformação ao combinar produção de conteúdo, propriedade intelectual, esportes e notícias com uma estrutura tecnológica capaz de disputar espaço com as grandes empresas do Vale do Silício.
“Reunimos um portfólio incomparável de propriedade intelectual, esportes e notícias e estamos construindo a organização de tecnologia e produtos que pode competir com qualquer um do Vale do Silício”, afirmou.
A expectativa é que a escala do conglomerado permita distribuir conteúdos entre diferentes plataformas e explorar personagens, franquias e propriedades intelectuais em múltiplos formatos, ampliando o potencial comercial dos ativos reunidos na operação.
Independência editorial
Dentro desse amplo portfólio também estão ativos jornalísticos como CNN e CBS News. Na entrevista à CNBC, Ellison afirmou que as decisões editoriais permanecerão sob responsabilidade das respectivas lideranças das redações.
“A direção corporativa fica fora do editorial”, afirmou.
A declaração ocorre em meio à atenção sobre a relação de Ellison com o governo de Donald Trump e aos questionamentos sobre o futuro da CNN após a mudança de controle. O executivo disse manter uma “boa relação” com a administração americana, mas afirmou que a companhia não pretende interferir na cobertura jornalística.
Ellison também decidiu manter Mark Thompson à frente da CNN e elogiou o trabalho do executivo. Segundo ele, a emissora continua sendo uma marca relevante dentro do portfólio do novo grupo.
A nova Skydance, portanto, inicia sua operação com uma estratégia que vai além da integração de dois grandes conglomerados de mídia. A companhia pretende combinar escala em cinema e televisão, expansão do streaming, exploração de propriedade intelectual e investimentos em tecnologia para disputar espaço em um mercado cada vez mais próximo das grandes plataformas digitais.
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