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EXCLUSIVO: Flyby usa lobby político para pressionar companhias aéreas
Publicado 20/10/2026 • 12:40 | Atualizado há 47 minutos
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Publicado 20/10/2026 • 12:40 | Atualizado há 47 minutos
KEY POINTS
Gianlucca Nahas e Marco Fragali
A Flyby, empresa que compra e revende milhas de passagens aéreas, negocia nos bastidores do Congresso Nacional um acordo para obter exclusividade com companhias aéreas na intermediação de pontos dos programas de milhagens, como LATAM Pass, Smiles e Azul Fidelidade. A informação foi apurada pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC junto a duas fontes ouvidas sob condição de anonimato.
Segundo o relato das fontes, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o ex-ministro de Portos e Aeroportos, atualmente deputado federal reeleito, Silvio Costa Filho, ambos do Republicanos, agiram em nome da Flyby viabilizando negociações em Brasília para pressionar as aéreas a fechar o acordo com a empresa de milhas. Os encontros entre representantes da Flyby e das companhias aéreas mediado pelos dois parlamentares aconteceram em Brasília no primeiro semestre, apontaram as fontes ouvidas pela reportagem.
Ainda de acordo com a apuração, em troca do acordo com a Flyby, os parlamentares se comprometeram a barrar ou enfraquecer projetos de lei que podem gerar gastos ou prejudicar as aéreas, como o projeto encaminhado ao Senado que tira das empresas o poder de impedir a venda de milhas por seus clientes, abrindo espaço para um mercado secundário mais amplo, e também o projeto que determina que milhas geradas em viagens pagas com dinheiro público pertençam ao Estado, proibindo o crédito em contas pessoais de agentes públicos, o que permitiria o uso integral das milhas.
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A proposta da Flyby preveria acesso privilegiado aos pontos gerados pelos três programas de fidelidade, hoje operados por LATAM, Gol e Azul. Esse formato de parceria oficial muda a forma de atuação da empresa, hoje apoiada na compra individual de milhas de pessoas físicas por meio de plataforma própria.
Um acordo de exclusividade colocaria a Flyby na posição de intermediária única entre as aéreas e o mercado secundário de milhas, hoje disputado por dezenas de corretoras e vendedores independentes.
O Projeto de Lei 3083/2026, de autoria do deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), foi aprovado pela Câmara dos Deputados em votação simbólica na quinta-feira (13). O texto segue agora para análise do Senado.
A proposta separa os programas de fidelidade em duas categorias. Programas que oferecem conversão oficial dos pontos em dinheiro podem definir as próprias regras para venda e transferência de milhas pelos clientes.
Programas sem essa opção de conversão ficam proibidos de restringir a venda ou a transferência de pontos. A lei classifica como prática abusiva qualquer barreira contratual, tecnológica ou operacional criada para dificultar esse mercado.
LATAM Pass, Smiles e Azul Fidelidade não oferecem, até agora, conversão oficial de milhas em dinheiro. Pela regra aprovada na Câmara, as três companhias perderiam o poder de impedir a venda de pontos pelos próprios clientes.
Essa mudança favorece o modelo tradicional de negócio da Flyby, apoiado na compra de milhas de pessoas físicas. Um acordo de exclusividade com as aéreas ampliaria essa posição e reduziria o espaço de outros compradores de milhas no mercado.
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Siga o Times | CNBCRelator da matéria, o deputado Paulo Soares (Podemos-SP) recomendou a aprovação do texto sem alterações. Autor do projeto, Ricardo Ayres argumenta que a regra corrige uma prática das aéreas, que vendem pontos aos clientes e depois bloqueiam o uso posterior desses ativos.
Apresentado em 17 de agosto, o PL 5096/2026 também é de autoria de Ricardo Ayres (Republicanos-TO) e determina que milhas, pontos e outros benefícios de programas de fidelidade gerados por passagens pagas total ou parcialmente com dinheiro público pertencem ao patrimônio público. Pelo texto, esses créditos devem ir para uma conta institucional administrada pela Administração Federal, com veto ao crédito em contas pessoais de agentes públicos ou terceiros.
Ayres cita na justificativa a prática recorrente de servidores, militares e membros de Poder que acumulam milhas em contas pessoais durante viagens a serviço e depois usam esses pontos para fins particulares.
O texto reforça outro projeto já em tramitação na Câmara, o PL 6483/2025, do deputado Lucas Abrahão (Rede-AP), que cria a Política Nacional de Milhas Públicas e destina os créditos de passagens oficiais ao custeio de viagens de atletas e estudantes. Cabe à Mesa da Câmara avaliar se os dois projetos serão apensados por tratarem do mesmo tema.
A Flyby nasceu em 2018, a partir de uma operação criada pelo então estudante Gianlucca Nahas, que aos 16 anos passou a conectar pessoas com milhas próximas do vencimento a passageiros em busca de passagens mais baratas. O projeto virou empresa ao lado do sócio Marco Fragali.
Em um podcast, Nahas cita faturamento de R$ 118 milhões em 2022, R$ 180 milhões em 2023 e R$ 500 milhões em 2024. A projeção da empresa para 2026 chega a R$ 1,2 bilhão.
A empresa emprega cerca de 150 funcionários e mantém operação nos Estados Unidos, além do Brasil. O crescimento inclui expansão para o segmento corporativo e para viagens de luxo, com uso de inteligência artificial em relatórios de custo destinados a empresas clientes.
O que diz a Flyby
A Flyby informou por meio de nota que não negocia exclusividade com as companhias aéreas e não participou de nenhuma reunião em Brasília. A empresa ainda informou que acompanha com os desdobramentos do projeto de lei 3.083/2026 e segue estudando se conseguiria operar nesse novo sistema em debate.
Procurados pela reportagem de Times Brasil | CNBC, os deputados Hugo Motta e Silvio Costa Filho não retornaram até o fechamento da matéria. O espaço está aberto.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) também foi procurada para comentar, mas até o momento não retornou.
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