Ex-ministra do Meio Ambiente afirma que compromisso de desmatamento zero até 2030 é estratégico para a economia brasileira.
Izabella Teixeira defende planos de redução de emissões por setor, com foco em competitividade, renda e adaptação climática.
Segundo ela, eliminar o desmatamento ajuda a separar emissões ilegais dos esforços necessários para descarbonizar atividades econômicas.
O compromisso de eliminar o desmatamento até 2030 pode fortalecer a competitividade do Brasil, ampliar o acesso a mercados e reduzir riscos climáticos para produtores e outros setores da economia, afirmou Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente, durante o Global Agribusiness Festival, em São Paulo.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Izabella Teixeira disse que a agenda ambiental precisa ser tratada como parte de uma estratégia econômica mais ampla.
“É absolutamente essencial que a gente compreenda, na discussão climática e nessas novas demandas internacionais, como o compromisso de desmatamento zero até 2030 é extremamente relevante”, afirmou.
Desmatamento pesa sobre agenda de descarbonização
Segundo Izabella Teixeira, combater o desmatamento permite separar emissões associadas a atividades ilegais daquelas geradas por setores produtivos que precisarão passar por processos estruturados de redução de carbono.
“Como é um carbono não econômico, por que eu tenho que prejudicar quem tem que cortar o carbono econômico?”, questionou.
Para a ex-ministra, essa diferenciação é importante para que o país consiga construir metas específicas de mitigação sem comprometer a atividade econômica.
“Eu tenho que entender estrategicamente como eu vou definir planos e visões de corte de emissões, de mitigação, em cada setor”, afirmou.
Competitividade e renda entram na equação
Izabella Teixeira defendeu que a transição climática seja conduzida de forma a gerar ganhos econômicos.
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Segundo ela, reduzir emissões precisa caminhar junto com aumento da competitividade, maior acesso a mercados e melhora da renda do produtor.
“[É preciso fazer isso] aumentando a competitividade, aumentando o acesso a mercados, aumentando a renda do produtor, reduzindo a vulnerabilidade ao risco climático”, afirmou.
Na avaliação da ex-ministra, a agenda climática não deve ser tratada de forma isolada das decisões de investimento e produção.
Transição também precisa olhar vulnerabilidade
A ex-ministra afirmou ainda que a estratégia de descarbonização precisa considerar os impactos sociais das mudanças climáticas.
Para ela, eliminar o desmatamento ajuda a retirar um obstáculo importante e permite que o país passe a discutir de forma mais direta as transformações necessárias nos diferentes setores econômicos.
“Ao eliminar o desmatamento, você tira essa sombra e começa a olhar estrategicamente para os setores econômicos e para os direitos chamados de transição justa”, disse.
Segundo Izabella Teixeira, essa abordagem também precisa contemplar brasileiros expostos a situações de maior vulnerabilidade climática.
Para a ex-ministra, combinar redução de emissões, competitividade e proteção social é parte central da estratégia necessária para posicionar o Brasil diante das novas exigências internacionais.
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