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Ações de fabricantes de chips despencam com ameaça da chinesa CXMT e temor de crise no setor de memórias
Publicado 15/10/2026 • 12:08 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 15/10/2026 • 12:08 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Unsplash
O anúncio de uma nova tecnologia de memória pela fabricante chinesa ChangXin Memory Technologies (CXMT) provocou fortes quedas nas ações das principais empresas do setor de semicondutores. Em cinco dias, os papéis da sul-coreana SK Hynix recuaram 26%, enquanto a Samsung perdeu 22% e a norte-americana Micron caiu cerca de 11%.
A reação reflete o temor dos investidores de que a entrada de novos concorrentes, somada à expansão da produção mundial, provoque um excesso de oferta de chips e pressione os preços e os lucros das fabricantes nos próximos anos.
A preocupação começou após a CXMT anunciar planos para lançar, até o fim de 2026, uma nova geração de memórias DDR5 destinadas a servidores. A empresa afirma ter desenvolvido uma arquitetura capaz de armazenar mais informações em um espaço menor, o que pode aumentar a eficiência da fabricação e reduzir custos.
O avanço da chinesa representa uma possível ameaça à posição de companhias já consolidadas no mercado de semicondutores, como é o caso das sul-coreanas Samsung e SK Hynix, e da americana Micron, que atualmente dominam o mercado global de memórias DRAM.
A inovação anunciada pela CXMT utiliza uma arquitetura chamada 4F², que reduz em aproximadamente 33% a área ocupada por cada célula de memória em comparação com a estrutura convencional 6F². Na prática, isso permite acomodar, teoricamente, até 50% mais células na mesma área, sem necessariamente exigir equipamentos de fabricação mais avançados.
A tecnologia utiliza transistores verticais para aproveitar melhor o espaço disponível nos chips.
Apesar do potencial, ainda existem dúvidas sobre a capacidade da companhia chinesa de produzir esses componentes em larga escala. A CXMT não demonstrou conseguir alcançar os mesmos níveis de qualidade, confiabilidade e eficiência de suas concorrentes. Por isso, o anúncio ainda não significa uma ameaça comercial imediata — embora possa alterar a dinâmica competitiva do setor caso a produção seja bem-sucedida.
O principal receio dos investidores é que a CXMT consiga ampliar sua participação no mercado e enfraquecer o poder das fabricantes tradicionais de determinar preços. Com mais empresas disputando os mesmos clientes, Samsung, SK Hynix e Micron poderiam enfrentar margens de lucro menores, além da necessidade de aumentar investimentos para preservar sua competitividade.
Esse risco ganha importância em um momento em que as grandes fabricantes se beneficiam da demanda elevada por chips utilizados em inteligência artificial.
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Outro fator que intensificou a queda das ações foi a possibilidade de um excesso de oferta, cenário em que as fabricantes produzem mais chips do que o mercado consegue consumir. Com estoques elevados e maior concorrência, as empresas tendem a reduzir preços para atrair compradores, o que pode comprometer seus resultados financeiros.
O temor ganhou força após um artigo publicado pelo jornal sul-coreano Maeil Business Newspaper mencionar projeções de especialistas sobre uma possível onda de novos chips no mercado em 2029. Segundo essas avaliações, o aumento da capacidade produtiva poderia intensificar a disputa entre fabricantes e encerrar o atual ciclo de crescimento até 2030.
Elon Musk, presidente-executivo da Tesla e da SpaceX, também comentou o assunto. Em sua avaliação, a China deverá produzir grandes quantidades de memória RAM em 2028.
A discussão ocorre em meio à expansão da inteligência artificial, que elevou significativamente a procura por semicondutores. Antes concentrada principalmente em smartphones e computadores, a demanda por memórias passou a crescer também nos centros de dados e servidores utilizados para desenvolver e executar sistemas de IA.
Esse movimento restringiu a oferta de determinados componentes, impulsionou os preços e favoreceu os resultados das principais fabricantes.
Para atender ao crescimento do consumo, empresas do setor estão investindo na ampliação de suas fábricas, mas esses projetos geralmente levam de três a cinco anos para entrar em operação. Parte dos analistas prevê que as restrições de oferta possam persistir até meados de 2028.
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