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LVMH: grupo cresce 1% no 3T, mas faturamento cai para 57,1 bilhões de euros nos nove primeiros meses do ano

Publicado 12/10/2026 • 18:15 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A LVMH registrou receita de € 18,5 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta orgânica de 1%, e acumulou € 57,1 bilhões em nove meses, com avanço orgânico de 2%.
  • A divisão de moda e artigos de couro, responsável por cerca de 46% da receita acumulada, recuou 5% no trimestre; a Ásia excluindo o Japão caiu 5%, em meio à demanda chinesa mais fraca.
  • Joalheria e relojoaria, vinhos e destilados e varejo seletivo tiveram crescimento orgânico no trimestre, enquanto o efeito cambial reduziu a receita reportada do grupo.

Divulgação

A LVMH registrou receita de € 18,5 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento orgânico de 1% em relação ao mesmo período de 2025.

No acumulado dos nove primeiros meses, porém, o faturamento caiu de € 58,1 bilhões para € 57,1 bilhões, uma redução de 2% em termos reportados, apesar do avanço orgânico de 2%.

O resultado reflete desempenhos distintos entre as divisões do grupo de luxo. Joalheria e relojoaria, vinhos e destilados e varejo seletivo apresentaram crescimento orgânico no trimestre. Já a divisão de moda e artigos de couro, a maior da companhia, voltou a recuar, enquanto a demanda na Ásia excluindo o Japão perdeu força.

A diferença entre o crescimento orgânico e a variação reportada está relacionada, principalmente, aos efeitos cambiais e às mudanças no perímetro de consolidação.

Nos nove meses, o câmbio teve impacto negativo de 3% sobre a receita, enquanto as alterações de perímetro representaram redução de 1%.

No mesmo período de 2025, a receita acumulada havia apresentado queda orgânica de 2%. A mudança para crescimento de 2% em 2026 representa uma melhora de quatro pontos percentuais, embora o faturamento reportado continue abaixo do registrado um ano antes.

Moda e artigos de couro pressionam o desempenho

A divisão de Fashion & Leather Goods, que reúne marcas como Louis Vuitton e Dior, registrou queda orgânica de 5% no terceiro trimestre, após crescimento de 1% no segundo trimestre. Em nove meses, a retração orgânica foi de 2%, enquanto a receita reportada diminuiu 4%, para € 26,4 bilhões.

Essa divisão representa cerca de 46% do faturamento acumulado da LVMH, tornando seu desempenho um dos principais pontos de atenção para o grupo.

A companhia citou um problema logístico pontual na Louis Vuitton durante o trimestre. O episódio foi a única dificuldade operacional específica mencionada entre os fatores destacados para o período.

Apesar da contração no terceiro trimestre, o acumulado da divisão mostra uma melhora em relação a 2025, quando a queda orgânica havia alcançado 6% nos primeiros nove meses. A recuperação, contudo, perdeu força na comparação trimestral.

Marcas como Dior, Fendi, Celine, Givenchy e Louis Vuitton aparecem entre os fatores positivos destacados pela companhia por conta da renovação criativa. Loro Piana e Rimowa também foram citadas pelo crescimento.

Demanda chinesa afeta a Ásia

A região da Ásia, excluindo o Japão, registrou queda orgânica de 5% no terceiro trimestre, após crescimento de 4% no segundo. O resultado interrompeu o avanço observado anteriormente e foi atribuído pela companhia à demanda chinesa mais fraca e ao ambiente macroeconômico do país.

A região representa 27% da receita do grupo, a maior participação entre os mercados geográficos apresentados. No acumulado de nove meses, contudo, ainda registra crescimento orgânico de 3%, após queda de 6% no mesmo período de 2025.

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O desempenho regional contrasta com o de outros mercados. Os Estados Unidos avançaram 5% no terceiro trimestre e 4% nos nove meses. O Japão cresceu 6% no trimestre e 5% no acumulado, embora a comparação seja favorecida pela base fraca de 2025, quando a receita orgânica da região havia recuado 14% nos nove primeiros meses.

Na Europa, o crescimento orgânico foi de 4% no terceiro trimestre, após queda de 2% no mesmo período do ano anterior. A região, porém, permaneceu estável no acumulado de nove meses.

A distribuição geográfica da receita continuou concentrada na Ásia excluindo o Japão, com 27% do total, e nos Estados Unidos, com 25%. A Europa excluindo a França respondeu por 18%, enquanto outros mercados representaram 14%. França e Japão tiveram participação de 8% cada.

Joalheria, bebidas e varejo sustentam o crescimento

Entre as divisões, a de joalheria e relojoaria apresentou crescimento orgânico de 6% no trimestre e de 8% em nove meses. O desempenho foi impulsionado principalmente pela joalheria, com destaque para a recepção da coleção Blue Book, da Tiffany, e pela receita recorde em alta joalheria da Bvlgari com a coleção Eclettica.

A receita reportada da divisão somou € 2,5 bilhões no trimestre, alta de aproximadamente 8% em relação aos € 2,3 bilhões registrados um ano antes. No acumulado, o avanço orgânico foi mais forte do que o crescimento reportado, que ficou em 4%, refletindo a pressão cambial.

Vinhos e destilados também avançaram. A divisão cresceu 6% organicamente no terceiro trimestre e 5% nos nove meses, revertendo a queda de 4% acumulada no mesmo período de 2025.

O champagne avançou 6% e o cognac, 4%, no acumulado de nove meses. A empresa destacou o impulso positivo da Hennessy na China e o desempenho do lançamento de coquetéis prontos V.S. nos Estados Unidos.

O varejo seletivo, que inclui a Sephora e o Le Bon Marché, apresentou o maior crescimento orgânico trimestral entre as divisões, com alta de 8%. No acumulado de nove meses, avançou 6%. A Sephora cresceu em suas principais regiões e ampliou a presença para a Bélgica e a Croácia, além de manter uma parceria com a Marks & Spencer no Reino Unido.

Em termos reportados, porém, a receita da divisão caiu 1% no acumulado do ano. O resultado foi afetado pelo efeito de perímetro negativo de 4%, relacionado à venda de ativos da DFS.

Já perfumes e cosméticos continuaram praticamente estagnados. A divisão cresceu 1% organicamente no terceiro trimestre, mas não apresentou avanço no acumulado de nove meses. Apesar de lançamentos de produtos de marcas como Dior e Guerlain, o desempenho ainda não se traduziu em crescimento acumulado.

Grupo mantém foco em criatividade e eficiência

Para 2026, a LVMH mantém uma orientação qualitativa baseada em quatro eixos: desejo pelas marcas, criatividade, agilidade e excelência. A estratégia inclui inovação em produtos icônicos, eficiência operacional e direcionamento de investimentos.

O terceiro trimestre mostrou estabilidade no crescimento orgânico total em relação ao mesmo período de 2025, mas com uma composição diferente entre regiões e divisões. Joalheria e relojoaria, vinhos e destilados, Estados Unidos, Japão e Europa apresentaram melhora. Em contrapartida, moda e artigos de couro e a Ásia excluindo o Japão perderam força.

O desempenho da maior divisão do grupo e a evolução da demanda chinesa permanecem entre os principais pontos de atenção para o último trimestre do ano.

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