CNBC

CNBCMusk afirma que Tesla e SpaceX formaram comitês especiais para discutir fusão

Empresas & Negócios

Netflix cai 6,75% na bolsa mesmo com lucro acima do esperado; projeções de receita e anúncios decepcionam

Publicado 21/10/2026 • 10:20 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • Netflix prevê receita de US$ 13,44 bilhões no quarto trimestre e reduz projeção de anúncios de US$ 3 bilhões para US$ 2,7 bilhões
  • Demissão de 1.000 funcionários, troca no comando de conteúdo e dúvidas sobre horas assistidas pesam sobre as ações da Netflix
  • Os papéis da Netflix acumulam queda de cerca de 27% neste ano, e caminham para o pior ano desde 2022, quando recuaram 51%.
Netflix prepara mudança que pode reunir streamings rivais em um só lugar

Foto: unsplash

O balanço do terceiro trimestre da Netflix, divulgado na terça-feira (20), superou a estimativa de lucro, mas não evitou a queda das ações no pré-mercado desta quarta-feira (21). Às 8h45 (de Brasília), os papéis recuavam 6,75%.

Além disso, a projeção de receita para o quarto trimestre e a revisão da meta de anúncios ficaram abaixo do que o mercado esperava, e a empresa segue sob questionamento sobre o ritmo de horas assistidas pelos assinantes.

Os papéis da Netflix acumulam queda de cerca de 27% neste ano, e caminham para o pior ano desde 2022, quando recuaram 51%.

Leia também: Netflix lucra US$ 3,66 bilhões no 3º trimestre, alta de 44%

Netflix supera estimativa de lucro e entrega receita em linha

O lucro por ação foi de US$ 0,87, ante US$ 0,82 estimado por analistas consultados pela LSEG. Já a receita somou US$ 12,87 bilhões, em linha com a projeção, com alta de quase 12% sobre um ano antes.

Segundo a empresa, o avanço veio do aumento no número de assinantes e do reajuste de preços de março. A Netflix afirma que a resposta dos clientes ao reajuste ficou de acordo com a de aumentos anteriores e com as expectativas.

O lucro líquido chegou a US$ 3,66 bilhões, ante US$ 2,55 bilhões no terceiro trimestre de 2025. A companhia atribui parte da alta ao calendário das despesas.

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o período foi positivo, mas “parte do crescimento do lucro veio de uma melhora no controle de despesas, e não necessariamente de uma aceleração do crescimento da receita”.

Guidance para quarto trimestre fica abaixo do esperado

Para os últimos três meses do ano, a Netflix prevê receita de US$ 13,44 bilhões, alta de mais de 11%. A estimativa da FactSet era de US$ 13,52 bilhões. No lucro por ação, a empresa projeta US$ 0,67, ante US$ 0,73 esperados pelo mercado.

Para 2026, a previsão de receita é de US$ 51,1 bilhões, avanço de 13%. O valor fica na parte inferior da faixa de US$ 51 bilhões a US$ 51,4 bilhões informada no balanço anterior e abaixo dos US$ 51,2 bilhões esperados pela LSEG.

Ainda segundo a empresa, a redução de funcionários deve tirar cerca de 120 pontos-base da margem operacional no quarto trimestre.

Na avaliação de Alves, o guidance para o quarto trimestre e para o ano veio “mais conservador do que o mercado esperava”, o que reforça uma preocupação que já existia entre os investidores, a de um ritmo de crescimento menor.

Meta de anúncios cai para US$ 2,7 bilhões

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

A Netflix reduziu a projeção de receita publicitária de 2026 para cerca de US$ 2,7 bilhões, ante os cerca de US$ 3 bilhões previstos antes. A empresa atribui o ajuste ao lançamento mais lento que o esperado de alguns recursos de anúncios.

Na teleconferência, o co-CEO Greg Peters disse que a companhia está “um pouco atrás” da meta agressiva definida para o ano. Ele afirmou, porém, que a construção da estrutura de anúncios é a mais rápida do setor entre as comparáveis.

Mais cedo na terça-feira, a Netflix anunciou novos recursos para anunciantes conectarem marcas aos públicos adequados e medirem o impacto das campanhas.

Para Ross Benes, analista da eMarketer, é preocupante que a empresa reduza a estimativa de anúncios quando está sob pressão para achar fontes de receita além das assinaturas. Ele avalia que reformular a estratégia de conteúdo não basta para resolver o problema, mas é um primeiro passo.

Dúvida sobre horas assistidas aumenta com concorrência

Na carta aos acionistas, a Netflix reconhece que há “alguma preocupação dos investidores com o crescimento das horas assistidas”. Ao mesmo tempo, afirma que o engajamento segue saudável e cita a resposta dos assinantes ao reajuste como indício.

Para acelerar o crescimento das horas assistidas, a empresa propõe três frentes, que são oferecer mais valor de entretenimento, usar tecnologia para melhorar o serviço e aprimorar a monetização. O co-CEO Ted Sarandos disse que os planos seguem inalterados e que séries e filmes originais continuam como prioridade.

Analistas, porém, temem que a aposta em podcasts, jogos e eventos ao vivo tenha vindo à custa de séries e filmes que o público quer ver, segundo o MarketWatch. O Barron’s observa que muitos espectadores sintonizam o evento e saem em seguida, o que soma menos ao hábito de longo prazo do que as maratonas de séries.

Em julho, a Netflix informou que passaria a divulgar o relatório de engajamento uma vez por ano, e não duas. A decisão não ajudou a reduzir a preocupação dos investidores.

Alves aponta que, além da disputa com outras plataformas, a empresa concorre com o YouTube e com o uso do celular, o que dificulta a retenção da atenção do público. O Barron’s cita ainda Disney e Amazon Prime, além da fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery, concluída neste mês, que reuniu Paramount+ e HBO Max.

Peters, por sua vez, disse que o engajamento nos Estados Unidos é sólido, com espaço para melhora. Ele citou os jogos da NFL na temporada de festas de fim de ano e a última temporada de “Emily in Paris” entre as atrações para atrair público.

Demissões e troca no comando de conteúdo elevam incerteza

Na semana passada, a Netflix anunciou a demissão de cerca de 6% dos funcionários, ou aproximadamente 1.000 trabalhadores, e a saída de Bela Bajaria do comando da área de conteúdo. O cargo será ocupado por Peter Rice, ex-executivo da Disney. Ainda não está claro como ele vai tratar as preocupações com a audiência.

Segundo Alves, a saída de profissionais importantes da área de conteúdo e a demissão de cerca de mil pessoas também levantam dúvidas sobre a capacidade da companhia de continuar crescendo e de manter o público conectado à plataforma.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Empresas & Negócios