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Oi tem prejuízo de R$ 36,4 bi em 2025 e vê receita cair 18%

Publicado 08/10/2026 • 20:07 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Operadora encerrou 2025 com prejuízo de R$ 36,4 bilhões, revertendo o lucro de R$ 9,6 bilhões registrado no exercício anterior.
  • Receita consolidada recuou 18%, para R$ 2,6 bilhões, enquanto o resultado financeiro ficou negativo em R$ 33,2 bilhões.
  • Auditoria independente emitiu opinião adversa sobre o balanço, e companhia teve a falência confirmada pela Justiça em agosto de 2026.

Foto: Getty Images

A Oi registrou prejuízo líquido de R$ 36,37 bilhões em 2025, revertendo o lucro de R$ 9,61 bilhões contabilizado no ano anterior. O resultado, divulgado nesta quinta-feira (8), reflete o agravamento da situação financeira da operadora, que teve a recuperação judicial convertida em falência e enfrenta dificuldades para manter suas atividades.

A deterioração das contas foi acompanhada por uma queda de 18% na receita consolidada, que passou de R$ 3,18 bilhões, em 2024, para R$ 2,60 bilhões no último exercício. A companhia também registrou prejuízo operacional antes do resultado financeiro e dos tributos de R$ 4,58 bilhões, ante R$ 1,96 bilhão no ano anterior.

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O principal impacto sobre o balanço veio do resultado financeiro negativo de R$ 33,18 bilhões, em contraste com o saldo positivo de R$ 12,18 bilhões registrado em 2024. Segundo a companhia, a mudança está relacionada principalmente à recomposição contábil de dívidas após a conversão da recuperação judicial em falência.

Falência provoca impacto bilionário nas contas

A Oi explicou que R$ 30 bilhões do impacto negativo no resultado financeiro decorreram da reversão de ajustes realizados anteriormente sobre suas obrigações. Com a falência, os saldos de empréstimos, financiamentos, fornecedores e compromissos com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foram recompostos aos valores nominais originais.

O movimento contrasta com o ocorrido em 2024, quando a aprovação do plano de recuperação judicial permitiu o recálculo das dívidas e contribuiu para o resultado financeiro positivo daquele exercício. A mudança de tratamento contábil ajuda a explicar a diferença de aproximadamente R$ 46 bilhões entre os resultados líquidos dos dois anos.

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Outro fator relevante foi o resultado negativo de R$ 3,93 bilhões em equivalência patrimonial, indicador que reflete a participação da Oi nos resultados de empresas investidas. Desse montante, cerca de R$ 3,8 bilhões estão associados às perdas registradas pela V.tal, incluindo ajustes contábeis relacionados à desvalorização de ativos.

Receita encolhe com redução das operações

A retração do faturamento também reflete a diminuição das atividades tradicionais de telecomunicações e a venda de unidades de negócio. Ao longo de 2025, a empresa concluiu alienações de ativos, incluindo operações de TV por assinatura, clientes de fibra óptica e imóveis.

Na visão gerencial, que também considera operações descontinuadas, a receita operacional líquida somou R$ 3,4 bilhões, queda de 59,2% em relação aos R$ 8,34 bilhões registrados em 2024. Esse indicador tem abrangência diferente da receita consolidada de R$ 2,60 bilhões apresentada na demonstração de resultados.

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A Oi Soluções, principal atividade operacional remanescente, registrou receita de R$ 1,58 bilhão, redução de 9,8% na comparação anual. Já os negócios classificados como não essenciais, que incluem operações de cobre, atacado e subsidiárias, faturaram R$ 871 milhões, recuo de aproximadamente 34%.

Auditoria aponta problemas nas demonstrações financeiras

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Além dos números negativos, o balanço recebeu uma opinião adversa da PricewaterhouseCoopers (PwC), responsável pela auditoria independente. Isso significa que, na avaliação dos auditores, as demonstrações financeiras não apresentam adequadamente a situação patrimonial e financeira da companhia.

A PwC apontou que a Oi utilizou inadequadamente o pressuposto de continuidade operacional na elaboração das demonstrações. Diante da falência, os auditores consideraram que os números deveriam ter sido preparados com base em critérios contábeis aplicáveis a empresas em liquidação.

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O relatório também destaca que a operadora encerrou 2025 com patrimônio líquido consolidado negativo de R$ 52,69 bilhões, ante R$ 16,29 bilhões negativos no ano anterior. O capital circulante líquido consolidado ficou negativo em R$ 5,10 bilhões, evidenciando o desequilíbrio entre recursos disponíveis e obrigações de curto prazo.

Ações deixaram de ser negociadas na B3

A crise financeira culminou na confirmação da falência da Oi pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em 25 de agosto de 2026. A decisão manteve a continuidade provisória das atividades da companhia para evitar a interrupção de serviços considerados essenciais.

Na mesma data, a B3 suspendeu a negociação das ações ordinárias e preferenciais da operadora, identificadas pelos códigos OIBR3 e OIBR4. Em 16 de setembro, foi concluído o processo de retirada dos papéis do ambiente de negociação da bolsa brasileira.

Leia também: Ações da Oi são canceladas na Bolsa de Valores após decretação de falência; acionistas mantêm ações

A companhia esclareceu que a deslistagem não representa o cancelamento automático das ações nem sua transformação em créditos contra a massa falida. Os investidores permanecem acionistas enquanto as ações e a personalidade jurídica da empresa continuarem existindo.

Venda de ativos e continuidade dos serviços

A Oi informou que segue concentrada na preservação dos serviços essenciais, na administração dos recursos disponíveis e na venda ordenada de ativos. As atividades permanecem submetidas às determinações da Justiça e à atuação da administração judicial.

Entre as dificuldades enfrentadas, a companhia destacou que o processo competitivo para a venda da Oi Soluções, realizado em junho de 2026, terminou sem propostas. A alienação da participação na V.tal também enfrenta obstáculos judiciais, após a suspensão dos efeitos da homologação da venda.

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Com a falência confirmada, a operadora passou a funcionar sob um regime de continuidade provisória, enquanto a administração judicial conduz a liquidação dos ativos e busca preservar os interesses dos credores e a prestação dos serviços ainda mantidos pela empresa.

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