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Por que o governo Trump decidiu comprar ações de uma mineradora norte-americana de terras raras

Publicado 26/01/2026 • 19:44 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton, descreveu em uma entrevista exclusiva ao programa de Brian Sullivan, na CNBC, como surgiu o acordo da empresa com o governo dos Estados Unidos.
  • O governo dos EUA fornecerá US$ 1,6 bilhão à USA Rare Earth, sujeitos ao cumprimento de condições. Washington também terá uma participação acionária na companhia.
  • “O governo está assumindo um interesse econômico no negócio, não um interesse de governança”, afirmou Humpton à CNBC.

A CEO da USA Rare Earth conversou com o Secretário de Comércio, Howard Lutnick, um mês após assumir o comando da startup de minerais críticos, apresentando seus ativos ao governo federal.

A conversa de Humpton com Lutnick em novembro de 2025 levaria, por fim, a uma proposta de acordo que fornecerá à USA Rare Earth cerca de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,4 bilhões) em financiamento — sujeito a certas condições — e uma participação acionária do governo dos EUA na empresa.

Em entrevista exclusiva na segunda-feira, a CEO ofereceu uma visão rara sobre como o governo federal planeja participações acionárias em mineradoras com o objetivo de reduzir a dependência americana da China.

“Um dos meus primeiros objetivos foi garantir que o governo dos EUA entendesse os ativos que temos sob gestão, para que pudessem começar a ver como isso se encaixa nas várias questões em que estão trabalhando com tanta urgência”, disse Humpton.

Executiva experiente

Humpton, que assumiu as rédeas da USA Rare Earth em outubro, é uma executiva veterana que liderou a Siemens USA por sete anos. No início de sua carreira, ela também foi executiva em empresas do setor de defesa, como Booz Allen Hamilton e Lockheed Martin.

O acordo divulgado na segunda-feira fez as ações da USA Rare Earth dispararem momentaneamente 29%, antes de estabilizarem em uma alta de cerca de 7%. O pacto pode transformar a companhia no segundo pilar da cadeia de suprimentos de terras raras que o governo Trump está construindo. No verão passado, o Pentágono fechou um acordo histórico com a MP Materials que incluiu participação acionária, preço mínimo e um contrato de longo prazo para a compra de uma quantidade específica de minerais de terras raras e ímãs.

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A proposta com a USA Rare Earth, no entanto, não inclui um preço mínimo ou contrato de compra garantida (offtake).

A USA Rare Earth planeja inaugurar uma fábrica de ímãs no primeiro trimestre de 2026 em Stillwater, Oklahoma, e iniciar a mineração comercial em um depósito de terras raras chamado Round Top, em Sierra Blanca, Texas, no final de 2028.

Segundo Humpton, durante a conversa em novembro, Lutnick perguntou o que seria necessário para a USA Rare Earth acelerar e ampliar seus planos. Em seguida, foi realizada uma reunião interinstitucional com a empresa.

“Começamos a trabalhar imediatamente”, disse a CEO. “Na verdade, o Departamento de Comércio liderou um esforço de todo o governo. Tivemos uma reunião inédita no Pentágono com o Departamento de Guerra, o Departamento de Energia e o próprio Comércio.”

A equipe do Chips and Science Act (Lei dos Chips e Ciência) do Departamento de Comércio então “entrou em marcha acelerada para garantir que avançássemos na velocidade da luz para entender como expandir este negócio e visualizar a oportunidade transformadora à nossa frente”, afirmou Humpton.

Os EUA estão “assumindo um interesse econômico no negócio, não um interesse de governança”, disse Humpton, formada em matemática pela Wake Forest. O Departamento de Comércio condicionou o acordo ao cumprimento de metas fundamentais pela USA Rare Earth.

A USA Rare Earth precisava primeiro garantir pelo menos US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) em financiamento de fontes privadas. A empresa acabou superando essa meta com US$ 1,5 bilhão (R$ 7,9 bilhões) em financiamento de investimento privado em ações públicas (PIPE), disse Humpton. O governo federal acompanhará de perto o progresso da USA Rare Earth em seu plano de negócios à medida que o dinheiro for sendo liberado em etapas, afirmou ela.

“Se não progredirmos com o negócio, não receberemos o financiamento; mas conforme avançarmos, seremos apoiados pelo povo americano para garantir a construção rápida desses ativos necessários para nossa segurança econômica”, disse ela à CNBC.

Desafios de fabricação

Apesar do otimismo, a USA Rare Earth enfrentará desafios para colocar a fábrica em operação e construir a mina. Round Top tem sido alvo de especulação de investidores há décadas, mas nunca foi desenvolvida como uma instalação comercial.

Na segunda-feira, a empresa alertou os investidores sobre o risco de não conseguir transformar Round Top em uma “mina produtiva”. O projeto “pode ser atrasado ou pode não resultar na extração comercial de minerais”, declarou a companhia em um documento enviado à SEC (equivalente à CVM nos EUA).

No entanto, Humpton demonstrou confiança no desenvolvimento de Round Top. Ela afirmou que o método de extração mineral avançou e que a equipe progrediu de simulações para testes de bancada e, agora, para projetos-piloto.

“Sabemos que a química funciona e agora estamos construindo nossa unidade de demonstração”, afirmou a CEO. “Portanto, no início deste ano, vocês poderão ver os resultados à medida que trouxermos amostras da montanha e as processarmos efetivamente.”

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