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Pressão sobre o crédito ameaça frear otimismo com IA; mercado espera que Oracle resista
Publicado 19/10/2026 • 13:12 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 19/10/2026 • 13:12 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
JHVEPhoto/Shutterstock
Os títulos de dívida da Oracle estão perigosamente próximos da categoria especulativa à medida que o mercado reduz o otimismo em relação à inteligência artificial. Grande parte das apostas no setor perdeu força na semana passada, em um movimento liderado pela CoreWeave, empresa de infraestrutura de computação em nuvem especializada em inteligência artificial, cujas ações e dívidas vêm sofrendo fortes quedas.
Agora, a Oracle enfrenta o risco de rebaixamentos em sua classificação de crédito, o que poderia levar sua dívida à categoria especulativa e provocar efeitos em cadeia no ecossistema de financiamento da inteligência artificial.
“Parece haver uma mudança de sentimento que, de certa forma, resume 2026 como um todo: estamos muito otimistas com tudo e, depois, muito pessimistas com tudo”, afirmou Pat Nerney, chefe de soluções de investimento da Dynasty Financial Partners. “Isso mostra a rapidez com que esse mercado se movimenta.”
Há, porém, diferenças importantes entre a CoreWeave e a Oracle: enquanto a primeira já está na categoria especulativa, a Oracle ainda mantém grau de investimento. Alguns analistas e investidores de renda fixa disseram à CNBC que ainda não estão preocupados com a Oracle e outras grandes empresas de tecnologia que operam serviços de computação em nuvem.
Mesmo assim, a mudança de percepção aparece nos spreads dos contratos de credit default swaps (CDS) de cinco anos da Oracle, instrumentos que funcionam como seguros contra calotes. Segundo Gavan Nolan, diretor-executivo de precificação de renda fixa da S&P Global Market Intelligence, os níveis atuais estão mais próximos dos observados em empresas com classificações BB e B, consideradas de alto rendimento (high yield).
Leia também: Ações de Nvidia, Oracle, CoreWeave e outras empresas de IA despencam após dados sobre receita da OpenAI
O spread dos CDS de cinco anos da Oracle está em 295 pontos-base, após atingir brevemente 300 pontos-base na quinta-feira. Em um ano, o indicador subiu 287%.
“Os CDS da Oracle contam com o suporte de uma elevada liquidez. Ainda assim, seus spreads oscilaram fortemente nos últimos dias, sem dúvida refletindo a fragilidade do sentimento em relação às empresas ligadas à IA, especialmente aquelas classificadas como high yield e as que estão na faixa mais baixa do grau de investimento, como a Oracle”, afirmou Nolan em um e-mail à CNBC.
Os credit default swaps são contratos nos quais os compradores pagam por proteção caso o tomador não consiga honrar suas dívidas. Quando o spread desses contratos aumenta, significa que os investidores consideram a dívida mais arriscada.
A Oracle tem classificação BBB- pela S&P Global Ratings, o nível mais baixo da categoria de grau de investimento. Em julho, a agência rebaixou a nota da empresa, destacando que a rápida expansão de seu negócio de infraestrutura está elevando o risco de crédito. A S&P também afirmou que espera uma redução do fluxo de caixa operacional em 2027.
A Oracle é principalmente uma empresa de software corporativo, mas está avançando rapidamente em data centers e serviços de computação em nuvem, incluindo um contrato de US$ 300 bilhões com a OpenAI. Para financiar essa expansão, a empresa emitiu US$ 118 bilhões em dívida de longo prazo e possui outros US$ 39 bilhões em obrigações de capital e arrendamento, segundo dados da FactSet.
Os investimentos e os compromissos financeiros pressionam as contas da Oracle enquanto a empresa aguarda um forte crescimento das receitas com inteligência artificial. De acordo com as estimativas de consenso dos analistas, o fluxo de caixa livre deve ficar negativo em US$ 23,7 bilhões neste ano e em US$ 36 bilhões em 2027.
Isso já seria motivo de preocupação para os investidores, mas a Oracle representa mais do que uma aposta em data centers financiada por dívidas. A empresa se tornou um indicador de referência para o setor de inteligência artificial, observa Jim Reid, chefe global de pesquisa macroeconômica e temática do Deutsche Bank.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, um rebaixamento da classificação de crédito para a categoria especulativa poderia pressionar investidores que só podem manter ativos com grau de investimento a vender seus títulos de forma forçada.
No rebaixamento anunciado em julho, a S&P afirmou que uma nova redução da nota poderia ocorrer caso a agência previsse que a alavancagem da Oracle permaneceria acima de quatro vezes, entendesse que a empresa não estava no caminho para gerar fluxo de caixa operacional livre positivo até o ano fiscal de 2029 ou passasse a avaliar negativamente a estratégia de inteligência artificial da companhia ou do setor como um todo.
Por ser uma empresa com grau de investimento, a Oracle consegue captar recursos a custos mais baixos e por prazos mais longos. Essa condição mudaria caso sua classificação caísse para a categoria especulativa, afirmou Jamie Meyers, analista sênior de valores mobiliários da Laffer Tengler, que possui ações da Oracle.
“Ninguém no mercado de alto rendimento vai comprar uma dívida com prazo de 30 anos”, disse. “Um rebaixamento para a categoria especulativa significaria que eles teriam de concentrar tudo em prazos curtos. Obviamente, o custo dos empréstimos seria mais alto, muito provavelmente.”
Leia também: Oracle fecha contrato de US$ 7 bilhões para fornecer serviços de nuvem à Tencent
Apesar disso, Meyers disse não estar preocupado com os níveis de endividamento da Oracle. Em uma reunião realizada no ano passado entre a empresa e a Laffer Tengler, a Oracle enfatizou que proteger sua classificação de grau de investimento é uma prioridade, segundo o analista.
“Acreditamos que a receita começará a crescer em ritmo acelerado, assim como os lucros”, afirmou. “O que a Oracle realmente precisa é de tempo. Ela precisa concluir a construção dessas estruturas.”
Brad Collins, gestor de portfólio de renda fixa da Vanguard, também demonstrou confiança na Oracle e nas demais grandes empresas de tecnologia que operam serviços de computação em nuvem.
“A Oracle está sob o maior escrutínio, mas, como resultado, tem sido mais criteriosa em suas emissões de dívida neste ano”, afirmou. “Os balanços partem de uma posição saudável, e eu não extrapolaria para as empresas com grau de investimento o que estamos observando no segmento de alto rendimento.”
As dificuldades atuais da empresa podem ser vistas como um “teste de financiamento”, afirmou Nerney, da Dynasty Financial Partners. Segundo ele, a Oracle poderá passar ou falhar nesse teste, o que poderia resultar em um novo rebaixamento de sua classificação.
“A verdadeira questão agora é quanto esse movimento das taxas vai custar”, disse. “Se as taxas continuarem subindo, o custo de oportunidade de manter títulos da Oracle em vez de outros ativos disponíveis no mercado aumentará, e os investidores passarão a exigir uma remuneração maior.”
Em resposta a um pedido de comentário, a Oracle afirmou: “Deixamos muito claro que manter uma classificação de grau de investimento é nossa principal prioridade como empresa”.
“A atividade de infraestrutura de inteligência artificial oferece retornos econômicos sólidos, e esperamos que ela gere um forte fluxo de caixa livre quando os projetos atingirem plena operação”, acrescentou a companhia.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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