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Reforma tributária domina preocupações de empresas e IA ainda precisa provar retorno, diz colunista de tecnologia e inovação

Publicado 15/10/2026 • 14:40 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Reforma tributária concentrou atenção no Universo TOTVS, com empresas ainda ajustando sistemas para as mudanças previstas a partir de 2027.
  • Uso de IA começa a ser cobrado por resultado concreto, e não apenas por volume de adoção ou investimento.
  • No varejo, organização de dados e personalização seguem como desafios centrais, enquanto lojas físicas ainda concentram grande parte do volume de vendas.

A reforma tributária está entre as principais preocupações das empresas brasileiras para 2027, enquanto o uso de inteligência artificial ainda enfrenta o desafio de gerar resultados concretos para os negócios, afirmou Igor Lopes, colunista de tecnologia e inovação do Times Brasil | CNBC, após acompanhar o Universo TOTVS, em São Paulo.

Segundo Lopes, um dos espaços dedicados exclusivamente à reforma tributária, com cerca de 300 lugares, permaneceu lotado durante o evento e chegou a reunir aproximadamente outras 200 pessoas ao redor.

“A reforma tributária chamou muita atenção”, afirmou.

O colunista também identificou outros três temas recorrentes nas discussões: mudanças nas estratégias de marketing, uso de inteligência artificial no ambiente empresarial e os desafios do varejo para conciliar tecnologia, personalização e controle de custos.

Leia também: Universo TOTVS 2026: Só 7% das empresas veem resultado concreto com IA, diz VP da TOTVS Gustavo Bastos

Empresas ainda se preparam para reforma tributária

Lopes conversou no evento com Elisângela Damásio, coordenadora de consultoria tributária da TOTVS, e Luciana Santos, gerente de portfólio de produto da companhia.

Segundo o colunista, as executivas relataram dificuldades para manter os sistemas atualizados diante das mudanças e definições relacionadas à implementação da reforma.

De acordo com Lopes, elas avaliaram que será difícil chegar a 2027 com todos os sistemas totalmente preparados, embora as principais bases necessárias para a adaptação já estejam estabelecidas.

“É praticamente impossível chegar 100% preparado em 2027, de acordo com elas mesmas”, afirmou.

Lopes destacou entre os pontos que exigirão atenção das empresas a mudança na estrutura dos tributos, a cobrança no destino e o chamado split payment, mecanismo que prevê a separação do imposto no momento do pagamento.

Segundo ele, essa última alteração pode modificar a dinâmica do fluxo de caixa das companhias, já que parte do dinheiro correspondente aos tributos deixará de permanecer temporariamente no caixa antes do recolhimento.

Para o colunista, as empresas devem usar os próximos meses para revisar seus sistemas de gestão e acompanhar as orientações dos fornecedores de software.

“Reforma tributária não tem escolha. É sim ou sim, e você precisa de fato estar preparado para isso”, afirmou.

Marketing tenta substituir abordagem direta por relacionamento contínuo

Outra discussão presente no evento foi a mudança na forma como empresas se relacionam com potenciais clientes.

Lopes afirmou que estratégias tradicionais baseadas em funis de venda e abordagens comerciais diretas vêm sendo revistas à medida que consumidores buscam maior autonomia durante o processo de compra.

Segundo ele, o chamado marketing contínuo procura manter a empresa presente em diferentes canais e momentos da relação com o consumidor, em vez de concentrar a estratégia em uma abordagem pontual.

O colunista citou pesquisa da Gartner segundo a qual 61% dos compradores no mercado B2B preferem experiências com pouca ou nenhuma interação com vendedores.

Para Lopes, esse comportamento força as empresas a repensarem como geram interesse sem depender exclusivamente do contato direto de equipes comerciais.

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IA precisa ir além de ‘métricas de vaidade’

Na área de inteligência artificial, Lopes afirmou que o principal debate está deixando de ser simplesmente se uma empresa utiliza a tecnologia e passando para a mensuração dos resultados obtidos.

O colunista conversou com Cristiano Nóbrega, responsável pela área de inteligência artificial da TOTVS, sobre a ideia de “acelerar com responsabilidade”.

Segundo Lopes, parte das empresas ainda adota indicadores que mostram quanto foi investido ou quantos funcionários receberam ferramentas de IA, sem necessariamente medir quanto esse uso melhorou produtividade, receita ou eficiência.

“Têm surgido métricas de vaidade de inteligência artificial agora também no mercado”, afirmou.

Para ele, disponibilizar recursos financeiros ou ferramentas aos funcionários não é suficiente se o uso não produzir resultados concretos.

“As pessoas esquecem que inteligência artificial tem custo, o token tem custo, então eu preciso fazer com que esse uso seja de uma forma inteligente e que traga resultados para o negócio”, disse.

Varejo ainda precisa organizar os dados

No varejo, Lopes afirmou que uma das dificuldades para ampliar o uso de inteligência artificial está em uma etapa anterior: a organização dos dados.

Ele conversou com Elói Assis, responsável pela área de varejo da TOTVS, e Caio Camargo, palestrante, escritor e especialista no setor.

Segundo o relato do colunista, os executivos afirmaram que parte significativa do varejo brasileiro ainda tenta adotar IA antes de estruturar adequadamente as informações que servem de base para a tecnologia.

“Não tem como eu fazer inteligência artificial bem-feita sem ter dados organizados”, afirmou Lopes.

Ele também destacou um dado apresentado durante as conversas no evento segundo o qual 85% do volume do varejo ainda passa pelo ambiente físico.

Para Lopes, o número ajuda a explicar por que a loja continua relevante mesmo com a expansão do comércio eletrônico.

Tecnologia deve ser quase invisível na loja física

Segundo Lopes, a discussão sobre o futuro do varejo passa menos por substituir a loja física e mais por utilizar tecnologia para tornar o atendimento mais personalizado.

A proposta discutida no evento é que sistemas e dados deem ao vendedor informações suficientes para compreender melhor o cliente sem fazer com que a tecnologia seja o centro da experiência.

“Tudo o que o varejo quer com a tecnologia é voltar a ser o Ronaldinho lá do passado do interior: é ter esse tipo de inteligência e conseguir fazer com que o consumidor leve mais, é entender o momento certo de vender”, afirmou Lopes.

Na avaliação do colunista, o desafio é usar dados para reconstruir esse nível de conhecimento sobre o consumidor em escala.

“A tecnologia tem que ser invisível, mas para fazer com que o varejo entenda o consumidor nesse nível de personalização que existia no passado”, afirmou.

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