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Teck Check: Robôs humanoides devem substituir tarefas, não empregos, e chegar às casas em até 10 anos

Publicado 08/10/2026 • 21:41 | Atualizado há 39 minutos

KEY POINTS

  • Robôs humanoides ainda têm limitações para atividades domésticas, mas podem se tornar produtos de consumo nos próximos cinco a dez anos.
  • Marcel Nobre avalia que a tecnologia tende a substituir principalmente tarefas repetitivas, enquanto trabalhadores assumirão funções de supervisão e manutenção.
  • Indústria deve avançar antes do uso doméstico, já que fábricas oferecem ambientes controlados e processos mais adequados às capacidades atuais dos robôs.

Os robôs humanoides devem substituir principalmente tarefas repetitivas, e não necessariamente empregos inteiros, avaliou Marcel Nobre, especialista em Tecnologia e Inovação, em entrevista besta quinta-feira (8) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, no programa Tech Check. Para ele, trabalhadores tendem a migrar para atividades de supervisão, coordenação e manutenção das máquinas à medida que a tecnologia avance.

“Eu acredito mais que os robôs humanoides não vão substituir seres humanos, eles vão substituir tarefas repetitivas. O futuro, provavelmente, nós teremos menos pessoas fazendo tarefas e esforços repetitivos e muito mais supervisionando, coordenando, fazendo manutenção dessas máquinas”, afirmou Nobre.

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O especialista ponderou que ainda não existem dados suficientes para determinar com precisão quais empregos serão mais afetados, porque a quantidade de humanoides efetivamente em operação permanece pequena. Experiências anteriores com automação industrial, segundo ele, também produziram resultados diferentes entre países, com redução de empregos e salários em alguns casos e ganhos de produtividade acompanhados de aumento do emprego em outros.

Empresas e trabalhadores precisam se antecipar

Diante desse cenário, Nobre recomenda que empresas e profissionais identifiquem desde já quais tarefas de suas rotinas poderão ser executadas por máquinas ou inteligência artificial. Esse mapeamento permitiria antecipar as funções mais expostas e preparar os trabalhadores para novas ocupações.

“A partir desse mapeamento, a gente entende um pouco melhor quais são as pessoas, as funções ou os cargos que estão mais suscetíveis a serem substituídos e já começa a atuar na preparação dessas pessoas para ocuparem os novos cargos”, explicou.

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A transformação, porém, ainda está em estágio inicial. Segundo Nobre, entre 7 mil e 13 mil robôs humanoides foram vendidos em 2025, dependendo da fonte considerada, enquanto a comercialização anual de robôs industriais gira em torno de 550 mil a 560 mil unidades. Entre 70% e 80% dos humanoides ainda estariam em universidades, laboratórios ou sendo utilizados no treinamento de inteligência artificial.

Uso doméstico ainda enfrenta barreiras

Apesar dos vídeos de humanoides dançando, lutando e realizando diferentes movimentos circularem com frequência nas redes sociais, a capacidade demonstrada nesses ambientes não significa que as máquinas estejam prontas para trabalhar autonomamente dentro das residências, ressaltou Nobre.

“Uma coisa é a gente conseguir fazer um robô humanoide que é capaz de fazer uma coisa. Outra coisa é fazer um robô humanoide que é capaz de repetir essa coisa por diversas vezes sem falhas e a um custo competitivo”, afirmou.

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Entre as principais dificuldades estão destreza para manipular objetos, adaptação a ambientes desconhecidos, realização de tarefas longas e segurança. Segundo o especialista, a taxa de acerto dos robôs em atividades de longa duração está em apenas 19%. “Acho difícil alguém comprar uma máquina de lavar roupa que funcione só 19% das vezes”, comparou.

Robô doméstico pode levar de cinco a dez anos

Nobre estima que os humanoides poderão começar a se tornar produtos domésticos de consumo dentro de cinco a dez anos, embora ressalte que não seja possível estabelecer um prazo exato. Para isso, será necessário elevar a autonomia e a precisão das máquinas e resolver questões relacionadas à segurança e à privacidade.

“Eu acredito que será entre cinco e dez anos, mas pode ser mais ou menos, porque não dá para adivinhar”, ponderou. Quando a tecnologia atingir esse estágio, o especialista estima que o preço de um humanoide doméstico poderá ficar entre o de uma geladeira e o de um automóvel.

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A segurança representa uma barreira importante porque um humanoide pode carregar câmeras, circular pela residência, manipular objetos e conviver diretamente com pessoas e animais. Um equipamento com cerca de 40 kg ou 45 kg também pode provocar acidentes físicos em caso de falha ou queda.

Fábricas estão mais próximas da adoção

No ambiente industrial, a evolução tende a ocorrer mais rapidamente porque fábricas possuem espaços planejados, iluminação, pisos e processos definidos, condições que reduzem a complexidade enfrentada pelas máquinas.

“Robôs humanoides são muito bons em tarefas repetitivas, em espaços controlados e para aquilo que foram programados”, explicou Nobre. Entre as aplicações que já começam a ser testadas estão movimentação de cargas e materiais e monitoramento de objetos.

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O especialista alertou, entretanto, que simplesmente introduzir humanoides não torna uma operação eficiente. “Colocar um robô humanoide achando que vai ganhar produtividade onde o processo é ineficiente talvez seja só fazer mais rápido algo que a gente não deveria fazer”, avaliou.

Custo ainda dificulta comparação com trabalhadore

A comparação direta entre o custo de um trabalhador e o de um humanoide também é mais complexa do que apenas observar o preço de aquisição. Segundo Nobre, existem robôs de diferentes faixas de preço e níveis de produtividade, aos quais se somam despesas com instalação, manutenção, energia, treinamento e adaptação dos ambientes.

Uma possível mudança nesse modelo será o chamado “robot as a service”, pelo qual empresas poderão contratar horas de trabalho das máquinas em vez de comprá-las. Nesse formato, o investimento inicial seria reduzido e o custo poderia ser associado diretamente ao período de utilização.

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“No longo prazo, é uma conta que deve favorecer as máquinas nas atividades que são de máquinas”, projetou o especialista.

Brasil pode encontrar oportunidades

O avanço dos humanoides também pode abrir espaço para startups brasileiras, principalmente em setores nos quais o país já possui experiência, como logística, manufatura, agronegócio e produção.

Nobre destaca que empresas nacionais podem desenvolver serviços relacionados à operação e fabricação dos equipamentos, além de explorar dados locais necessários ao treinamento da inteligência artificial que controla os robôs.

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“Os dados locais que são exclusivos brasileiros, o que acontece dentro da nossa região, quem domina esses dados geralmente são empresas brasileiras. E os dados para treinamento desses robôs humanoides têm um valor enorme atualmente”, concluiu.

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