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Primeiro o suéter com zíper até o peito, agora o “mullet do 401(k)” — o que as tendências da GenZ dizem sobre a economia
Publicado 08/02/2026 • 21:30 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 08/02/2026 • 21:30 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Valerie Macon | AFP | Getty Images
O ator Austin Butler comparece à 16ª edição do Governors Awards no Ray Dolby Ballroom do Ovation Hollywood em Los Angeles, em 16 de novembro de 2025.
Em meio à crise de acessibilidade financeira nos Estados Unidos e a um mercado de trabalho mais competitivo, sinais de prudência econômica passaram a migrar do extrato bancário para o guarda-roupa. Cortes de cabelo mais discretos, suéteres de meio zíper e até a chamada estética do “401(k) mullet”, referência aos planos de aposentadoria corporativos, revelam como jovens adultos, especialmente homens, tentam projetar estabilidade num ambiente marcado por custos elevados, incertezas profissionais e automação acelerada.
Para Thomaï Serdari, professora e diretora do programa de moda e luxo da New York University Stern School of Business, essas tendências refletem uma tentativa de reposicionamento social em tempos difíceis.
“Os homens encontraram não apenas uma voz, mas um lugar dentro dessas tendências”, afirmou.
Historicamente, escolhas de consumo funcionam como indicadores econômicos informais. O ex-presidente do Fed Alan Greenspan, por exemplo, costumava observar vendas de roupas íntimas masculinas como sinal de retração em gastos discricionários, um termômetro silencioso do humor financeiro das famílias.
Agora, o foco se desloca para símbolos de disciplina fiscal, carreira estável e planejamento de longo prazo.
O plano 401(k), típico das empresas americanas, virou símbolo aspiracional em 2026. Uma pesquisa da NerdWallet mostrou que 15% dos adultos afirmam que não se relacionariam com alguém que não tenha poupança para aposentadoria.
Segundo a revista Vogue, o “401(k) mullet” — versão mais sóbria do antigo corte desgrenhado — ganhou tração justamente por transmitir controle e maturidade profissional.
A estética apareceu até em eventos de Hollywood, como na estreia do filme Wuthering Heights, quando o ator Jacob Elordi exibiu o visual.

Diferentemente do arquétipo do fundador rebelde do Vale do Silício, a nova imagem é corporativa.
“Estamos nos afastando da ideia do empreendedor que abandona a faculdade e enriquece rapidamente”, disse Serdari. “As pessoas voltam a parecer mais organizadas porque querem ser empregáveis.”
Nas redes sociais, a narrativa ganhou escala. O rapper T-Pain viralizou ao publicar uma foto com a legenda “401k and a quarter zip”, reforçando a associação entre vestuário e ambição financeira.
Outro símbolo dessa virada é o chamado “movimento quarter-zip”, popularizado pelo recém-formado Jason Gyamfi em vídeos no TikTok e no LinkedIn.
A peça passou a representar o profissional júnior que busca ascensão corporativa em um cenário de vagas mais escassas e pressão da inteligência artificial sobre cargos iniciais.

Com a desaceleração do mercado de trabalho, Serdari avalia que muitos jovens sentem que a segurança conquistada por gerações anteriores, salário previsível, plano de aposentadoria e progressão linear, deixou de ser garantida.
“O que antes era entediante, como a previdência privada, tornou-se desejável justamente porque está fora do alcance de muitos.”
Essa busca por aparência de estabilidade se conecta a um fenômeno mais amplo: a estética do “luxo discreto”, que ganhou força após a pandemia, quando a desigualdade patrimonial se aprofundou.
Dados do Federal Reserve mostram que a parcela mais rica da população concentrou ganhos impulsionados pela valorização de ações e imóveis. Hoje, os 10% do topo detêm mais de 87% dos investimentos em ações e fundos mútuos corporativos.
Ícones culturais ajudaram a impulsionar o movimento, como a imagem minimalista da atriz Gwyneth Paltrow em um julgamento em 2023, que viralizou como símbolo de riqueza silenciosa.
Para Serdari, trata-se de uma tentativa de pertencimento econômico.
“As pessoas procuram uma fórmula para prosperar em um mundo cada vez mais desigual.”
Apesar da ansiedade financeira, os números indicam melhora nos hábitos de poupança. Segundo o Bureau of Labor Statistics, cerca de três quartos dos trabalhadores em tempo integral hoje têm acesso a planos de aposentadoria corporativos, impulsionados por mudanças regulatórias recentes.
Já a Fidelity Investments, maior administradora de planos 401(k) do país, aponta que os saldos médios bateram recorde no fim de 2025, atingindo US$ 144.400.
Para Kirsten Hunter Peterson, executiva da empresa, a Geração Z vem poupando mais cedo do que gerações anteriores — movimento que interessa diretamente a bancos, gestoras e fintechs que disputam esse novo investidor iniciante.
A tendência também se espalha pelas redes sociais, onde educação financeira virou conteúdo de alto engajamento. Ainda assim, especialistas alertam para o risco de conselhos amadores e reforçam a importância de orientação profissional.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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