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Confiança cega e poder concentrado elevam risco patrimonial de atletas, diz sócio da Lido

Publicado 06/10/2026 • 16:15 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Atletas precisam transformar uma carreira de 10 a 15 anos em patrimônio capaz de sustentar várias décadas após a aposentadoria.
  • O especialista aponta confiança excessiva, concentração de poder e falta de acompanhamento dos ativos como principais riscos patrimoniais.
  • Economista recomenda reserva de liquidez, ativos geradores de renda, planejamento sucessório e auditoria independente ainda durante a carreira.

A concentração de decisões financeiras nas mãos de uma única pessoa e a falta de acompanhamento sobre o próprio patrimônio estão entre os principais riscos para atletas de alto rendimento, afirmou Gustavo Magalhães, economista e sócio da Lido Investimentos, em entrevista ao Times CNBC Sports, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Magalhães, atletas enfrentam um desafio particular: precisam acumular em cerca de 10 a 15 anos de carreira recursos suficientes para sustentar várias décadas após a aposentadoria.

“O que o atleta precisa, em 10, 15 anos no máximo, ele fatura nesses 10, 15 anos o que tem que durar 50”, afirmou.

Na avaliação do economista, os maiores riscos aparecem quando há confiança excessiva em terceiros, concentração de poder e falta de estrutura para acompanhar investimentos, contratos e decisões financeiras.

“No frigir dos ovos, nós estamos falando de governança”, resumiu.

Leia também: Atletas precisam planejar carreira e finanças ainda em atividade, explica CEO da Top Volley Brasil

Atleta precisa acompanhar o próprio patrimônio

Magalhães afirmou que a rotina de um atleta de alto rendimento costuma ser concentrada no desempenho esportivo, o que pode deixar a gestão financeira em segundo plano.

Por isso, segundo ele, é necessário criar uma estrutura que permita ao próprio atleta ter acesso às informações essenciais sobre seus ativos e acompanhar as decisões tomadas em seu nome.

“O atleta precisa saber onde é que está o ativo”, afirmou.

O economista também defendeu limites para procurações e a existência de uma pessoa independente responsável por conferir periodicamente as contas.

“Nenhuma procuração deve ser ampla e ilimitada. E, fundamentalmente, alguém independente precisa conferir as contas periodicamente”, disse.

Planejamento não deve começar na aposentadoria

Segundo Magalhães, a organização patrimonial precisa começar ainda durante a carreira.

Ele apontou três pilares para o planejamento: uma reserva de liquidez para emergências, ativos capazes de gerar renda no longo prazo e uma estrutura societária e sucessória preparada para preservar o patrimônio.

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“O objetivo não é só ganhar dinheiro durante, é continuar bem depois de parar”, afirmou.

Na avaliação do economista, atletas que deixam esse planejamento apenas para o momento da aposentadoria ficam mais expostos a decisões precipitadas e a dificuldades na transição para uma nova atividade profissional.

Novos negócios exigem cautela

Magalhães também alertou para os riscos associados à entrada em empresas e novos negócios após o encerramento da carreira esportiva.

Segundo ele, quando o atleta decide investir em uma atividade fora de sua área de experiência, deve buscar parceiros com histórico comprovado e conhecimento do setor.

A recomendação, segundo o economista, é evitar decisões baseadas apenas em relações pessoais ou confiança construída ao longo da carreira.

Holding pode ajudar a organizar ativos

Para Magalhães, a criação de uma holding patrimonial pode ser uma alternativa para atletas que já acumularam patrimônio relevante.

Segundo ele, a estrutura pode reunir ativos, contratos e planejamento sucessório, além de facilitar o controle sobre a relação com agentes, empresários e profissionais financeiros.

“Organizar não é desconfiar, é cuidar”, afirmou.

O economista destacou que uma estrutura organizada também ajuda a proteger a família e facilita a análise de futuras oportunidades de investimento.

Caso de Roberto Carlos reacende discussão

A entrevista ocorreu após o ex-jogador Roberto Carlos afirmar que perdeu grande parte do patrimônio acumulado durante a carreira.

O caso voltou a chamar atenção para situações em que atletas delegam a terceiros a administração de ativos, documentos e decisões financeiras.

Para Magalhães, episódios desse tipo reforçam a necessidade de controles independentes e de participação ativa do próprio titular do patrimônio, mesmo quando a gestão é feita por profissionais especializados.

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