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Limite de estrangeiros pode reduzir competitividade do Brasileirão, diz gerente regional da Flashscore

Publicado 24/09/2026 • 14:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Limite de estrangeiros no Brasileirão cairá gradualmente de nove para cinco jogadores por clube até 2030.
  • Alexandre Vasconcellos avalia que a medida isolada não resolve a baixa utilização de jovens no futebol brasileiro.
  • Executivo da Flashscore prevê impacto sobre competitividade, transferências, salários e capacidade dos clubes de atrair e revender atletas.

A redução gradual do limite de jogadores estrangeiros no Campeonato Brasileiro pode diminuir a competitividade dos clubes sem, por si só, ampliar de forma relevante o espaço para jovens atletas brasileiros, avaliou Alexandre Vasconcellos, gerente regional da Flashscore no Brasil, em entrevista ao Times CNBC Sports, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

A mudança prevê a redução do limite atual de nove estrangeiros relacionados por partida para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. A medida foi aprovada pela CBF e por clubes das Séries A e B.

Para Vasconcellos, porém, limitar o número de estrangeiros ataca apenas uma parte do problema.

“A medida isoladamente, ela não vai resolver totalmente o problema. É muito difícil a gente imaginar, para qualquer coisa na vida, uma solução simples para resolver um problema complexo”, afirmou.

Leia também: CBF e clubes aprovam redução do limite de estrangeiros a partir de 2027

Uso de jovens vai além dos estrangeiros

O executivo destacou que algumas das principais ligas europeias têm, proporcionalmente, maior participação de estrangeiros e, ainda assim, utilizam mais jogadores com menos de 23 anos.

Segundo Vasconcellos, atletas dessa faixa etária representam 11,5% dos minutos disputados no Brasileirão, ante 38% no Campeonato Francês e 32% na Premier League.

“Não é exatamente o limite de estrangeiro que condiciona a utilização do jovem. Ele é parte do problema”, afirmou.

Na avaliação do executivo, um dos entraves está na dificuldade dos clubes brasileiros de oferecer espaço para jogadores que precisam de mais tempo para amadurecer.

Ele defendeu alternativas como equipes B, competições de reservas e empréstimos para clubes menores, especialmente para atletas que não estão prontos para atuar no time principal aos 18 ou 19 anos.

“O jogador que é muito talentoso aos 18 anos e já está pronto, ele não fica na liga brasileira, ele vai embora. E a gente não dá espaço aqui para o jogador que vai maturar aos 22, 23”, disse.

Vasconcellos citou Hernanes, ex-jogador do São Paulo, como exemplo de atleta que passou por um processo de desenvolvimento mais longo antes de se consolidar profissionalmente.

Mercado pode perder competitividade

A redução do número de estrangeiros também pode afetar a capacidade dos clubes brasileiros de atrair jogadores de outros países da América do Sul, segundo Vasconcellos.

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Na avaliação dele, o Brasil ocupa hoje uma posição de destaque no mercado sul-americano, atraindo tanto jogadores de primeira linha quanto atletas de apoio.

Uma restrição maior, afirmou, pode repercutir nas transferências, nos salários e na capacidade dos clubes de comprar, desenvolver e, posteriormente, vender jogadores.

“Você vai impactar, obviamente, mercado de transferência, salário de atletas, a nossa capacidade de comprar e de vender”, disse.

O executivo acrescentou que eventuais perdas de desempenho esportivo também podem se refletir nas finanças das equipes.

Posições têm maior dependência

Vasconcellos relacionou ainda a presença de estrangeiros à dificuldade do futebol brasileiro em formar jogadores para determinadas posições.

Segundo ele, centroavantes e meias criativos estão entre as funções em que os clubes recorrem com frequência ao mercado externo ou a brasileiros que retornam ao país após ganhar experiência no exterior.

A redução do limite tende, portanto, a atingir, no curto e médio prazo, equipes que dependem desses atletas para preencher lacunas no elenco, segundo o executivo.

“O nosso problema não está ancorado só na presença do estrangeiro, mas na falta de paciência que o mercado tem com o jovem”, afirmou.

Medida precisa vir acompanhada de outras ações

Para Vasconcellos, a redução do limite pode ter efeitos diferentes caso faça parte de uma política mais ampla de formação de atletas.

O executivo defendeu maior coordenação entre clubes e CBF, além de estruturas que ofereçam mais tempo de desenvolvimento aos jogadores antes da chegada ao futebol profissional.

Ele citou como referência o modelo francês de formação e afirmou que uma única mudança regulatória não é suficiente para solucionar o problema.

Na avaliação de Vasconcellos, se aplicada de forma isolada, a redução do número de estrangeiros tende a enfraquecer o futebol brasileiro.

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