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Mercado vai cobrar medidas concretas após disparada do Ibovespa, diz João Henrique da Fonseca, diretor executivo da Azul Wealth Management
Publicado 06/10/2026 • 18:59 | Atualizado há 45 minutos
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Publicado 06/10/2026 • 18:59 | Atualizado há 45 minutos
KEY POINTS
A forte alta do mercado brasileiro após o primeiro turno refletiu uma mudança nas expectativas dos investidores, mas a continuidade do movimento dependerá de medidas econômicas concretas. É o que avaliou João Henrique da Fonseca, economista, gestor e diretor executivo da Azul Wealth Management, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Depois do Ibovespa avançar mais de 7% na segunda-feira (5), o índice passou por uma sessão de acomodação nesta terça (6). Para Fonseca, o movimento inicial ocorreu porque o mercado passou a atribuir maior probabilidade a um cenário de ajuste fiscal após a eleição.
“De sexta-feira para ontem, o mercado passou a entender que um programa com maior credibilidade fiscal se tornou favorito na corrida eleitoral. Isso gerou um grande ajuste”, afirmou.
Leia também: Ibovespa tem maior alta pós-eleição presidencial desde 2002
Segundo ele, os fundamentos quantitativos da economia (como dívida, arrecadação e despesas) não mudaram de uma sessão para outra. O que mudou foi a avaliação dos investidores sobre o cenário político e a condução futura da economia.
Fonseca afirmou que, depois da reprecificação inicial, o mercado deve passar a cobrar informações mais concretas sobre as propostas econômicas.
“A gente vai começar a ter agora os investidores fazendo perguntas mais concretas”, disse.
Entre os pontos que devem entrar no radar estão as medidas para controle das despesas, trajetória da dívida pública, composição da equipe econômica e capacidade de implementação das propostas.
Na avaliação do gestor, o movimento de segunda-feira mostrou que investidores colocaram recursos em ativos brasileiros com base nessa expectativa.
“Os investidores colocaram dinheiro de verdade”, afirmou, citando o aumento do valor de mercado das empresas negociadas nabolsa.
Ele ponderou, porém, que a reação dos ativos não significa que os problemas fiscais estejam resolvidos.
Para Fonseca, o ajuste das contas públicas é uma das prioridades econômicas, mas não deve ser tratado isoladamente.
O gestor afirmou que o Brasil também enfrenta questões institucionais capazes de afetar decisões de investimento.
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Siga o Times | CNBC“Você tem o fiscal como a prioridade, talvez, quantitativa, mas você tem o componente institucional, que é uma novidade”, disse. Segundo ele, previsibilidade regulatória e segurança jurídica são elementos importantes para investimentos de longo prazo.
Fonseca defendeu que eventuais mudanças sejam feitas por meio de reformas institucionais e de regras gerais, e não por intervenções pontuais.
“Cabe ao presidente da República propor microrreformas em agências reguladoras, reformas de incentivos tributários, reformas no sistema Judiciário que pavimentem um caminho estável a longo prazo”, afirmou.
O executivo também defendeu uma agenda de mudanças estruturais voltadas para produtividade e ambiente de negócios.
Como exemplo internacional, citou reformas tributárias, trabalhistas e empresariais adotadas pela Polônia nas últimas décadas.
Para ele, medidas desse tipo podem tornar a economia mais resistente a crises fiscais e políticas.
“Talvez essa obsessão fiscal tenha tirado do radar, para mim, o que hoje seria essencial para transformar o Brasil num país imune a crises políticas e fiscais, que são as microrreformas”, afirmou.
Fonseca também destacou a disputa internacional por investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e data centers.
Segundo ele, o Brasil reúne condições para atrair esses projetos, mas ainda enfrenta obstáculos regulatórios e institucionais.
O gestor afirmou ter conversado com representantes de grandes empresas de tecnologia e disse que três pontos aparecem entre as preocupações: alinhamento geopolítico, tributação e segurança jurídica.
Na avaliação dele, os incentivos fiscais reduziram parte do problema tributário, mas a previsibilidade regulatória continua sendo uma questão relevante.
“A parte jurídica, sem dúvida nenhuma, é a que mais pega hoje para esses investimentos virem para o Brasil”, afirmou.
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