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Acordo de Trump com Putin sobre diesel contraria lei de sanções à Rússia, acusam parlamentares dos EUA

Publicado 09/10/2026 • 22:23 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Presidente Donald Trump anunciou que a Rússia fornecerá diesel ao mercado global, em uma mudança de direção na política americana de sanções energéticas contra Moscou.
  • Trump afirmou que a medida reduzirá rapidamente os preços recordes do diesel, a menos de um mês das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.
  • Parlamentares e especialistas questionaram a decisão, apontando contradições com a legislação de sanções à Rússia aprovada pelo Congresso americano.

O anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (9), de que a Rússia fornecerá diesel ao mercado global marcou uma aparente mudança de direção em relação aos esforços recentes de Washington para pressionar Moscou a encerrar a guerra na Ucrânia por meio de restrições às exportações russas de energia.

Trump afirmou que a iniciativa, anunciada a menos de um mês das eleições legislativas de meio de mandato, nas quais o custo de vida é uma questão central, reduziria rapidamente os preços recordes do diesel.

No entanto, comentaristas e críticos rapidamente destacaram contradições entre a nova política e as tentativas anteriores dos Estados Unidos de restringir as vendas de petróleo russo.

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Lei aprovada pelo Congresso amplia pressão sobre Moscou

Entre essas iniciativas está a recente aprovação da Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã de 2026, que autoriza Trump a impor tarifas de até 100% aos principais compradores de petróleo bruto ou gás russo, além de outras restrições. O presidente sancionou a legislação há apenas três semanas.

“O Congresso acabou de aprovar uma lei que dá a Trump o poder de impor novas tarifas aos grandes compradores de petróleo e gás russos”, escreveu Scott Lincicome, vice-presidente do instituto libertário Cato Institute, na rede social X, após o anúncio de sexta-feira.

“Os Estados Unidos podem impor tarifas a si mesmos?”, ironizou Lincicome.

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O senador democrata Richard Blumenthal, de Connecticut, integrante do grupo de senadores dedicado à Ucrânia, acusou a decisão de Trump de ser “diretamente contrária à intenção do Congresso em nosso projeto bipartidário de sanções”.

Peter Harrell, pesquisador visitante do Instituto de Direito Econômico Internacional do Centro de Direito da Universidade Georgetown, afirmou em uma publicação no X que a flexibilização das restrições ao diesel russo “praticamente comprova que a Lei Graham sobre a Rússia não obrigaria o governo Trump a aumentar a pressão econômica sobre Moscou”.

Parte das críticas ultrapassou as divisões partidárias. O deputado republicano Michael McFaul, do Texas, afirmou no X que a legislação havia concedido ao presidente poderes e instrumentos importantes de pressão sobre China e Rússia para buscar uma solução negociada para a guerra iniciada por Putin.

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Republicano teme financiamento da guerra na Ucrânia

“Infelizmente, embora eu compreenda o desejo de reduzir os preços do diesel, estou preocupado que a suspensão das sanções ao petróleo russo apenas financie a máquina de guerra do Kremlin, incentivando mais violência e destruição, como vimos nos últimos dias”, declarou McFaul.

A Casa Branca não respondeu imediatamente aos questionamentos da CNBC sobre o acordo de fornecimento de diesel com a Rússia.

Menos de um ano antes, o governo Trump havia imposto sanções a diversas empresas petrolíferas russas, em resposta ao que classificou como “falta de compromisso sério da Rússia com um processo de paz para encerrar a guerra na Ucrânia”.

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Trump também havia criticado anteriormente os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por continuarem comprando petróleo russo. Em uma publicação na Truth Social, em setembro de 2025, escreveu que “a compra de petróleo russo por alguns tem sido chocante”, acrescentando que isso enfraquecia a posição e o poder de negociação desses países diante da Rússia.

Ainda naquele mês, o presidente americano voltou a repreender líderes mundiais por manterem relações comerciais com Moscou.

“Eles estão financiando a guerra contra si mesmos. Quem diabos já ouviu falar de algo assim?”, declarou Trump, em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas. “Eles não podem continuar fazendo o que estão fazendo. Estão comprando petróleo e gás da Rússia enquanto lutam contra a Rússia.”

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Acordo prevê milhões de toneladas de diesel russo

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Trump anunciou o acordo em uma publicação na Truth Social, na tarde de sexta-feira, depois do que descreveu como uma “conversa altamente bem-sucedida” com o presidente russo, Vladimir Putin.

Pelos termos divulgados, a Rússia fornecerá imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel, seguidas de outras 500 mil toneladas em novembro, mais 1 milhão de toneladas logo depois e outras 3 milhões de toneladas, dependendo das condições das refinarias, escreveu Trump.

Pouco depois, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que Trump havia determinado ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) a emissão imediata de uma “licença geral temporária para permitir o fornecimento de diesel russo ao mercado global”. O órgão especificou que as transações anteriormente sancionadas seriam autorizadas por aproximadamente seis meses, até 7 de abril.

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A Rússia pareceu comemorar a decisão. “A cooperação entre Rússia e Estados Unidos em diesel e energia beneficiará o mundo”, afirmou uma conta no X associada a Kirill Dmitriev, enviado econômico de Putin, em resposta ao anúncio.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, cujas forças militares começaram a atacar refinarias russas, reagiu duramente e declarou que a flexibilização das sanções americanas contra Moscou “favorece a Rússia”.

“Qualquer flexibilização das sanções contra a Rússia sem um acordo claro e duradouro de redução das tensões é uma fraqueza evidente”, afirmou Zelensky. “Permitir que a Rússia venda derivados de petróleo é um investimento em uma guerra que precisa terminar, não se prolongar.”

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Zelensky cobra postura firme dos Estados Unidos

“Contamos com o apoio justo dos Estados Unidos à nossa defesa da vida, à nossa defesa das pessoas na Ucrânia — e com uma conversa igualmente firme dos Estados Unidos com a Rússia”, declarou Zelensky.

“Uma conversa firme, não fraca”, acrescentou o presidente ucraniano.

Mais tarde, na sexta-feira, Trump agradeceu a Putin por permitir que “enormes quantidades de petróleo” chegassem aos Estados Unidos.

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“Precisamos de petróleo para o mundo, e isso é diesel, que é exatamente o que precisamos. Por isso, estamos muito satisfeitos em recebê-lo”, disse Trump a jornalistas antes de viajar para Syracuse, no Estado de Nova York.

O governo americano já havia flexibilizado temporariamente algumas sanções ao setor energético russo, embora de maneira mais restrita do que no anúncio desta sexta-feira.

No início deste ano, na tentativa de estabilizar os mercados após o começo da guerra com o Irã, o governo Trump concedeu autorizações limitadas, válidas por 30 dias, para que países comprassem petróleo russo sancionado que já estava em trânsito.

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Economista vê medida temporária e critica flexibilização

Alguns observadores, porém, interpretaram a decisão mais recente como uma mudança de maior alcance. Jeremy Siegel, professor emérito de Finanças da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, afirmou à CNBC, durante o programa Closing Bell, na tarde de sexta-feira, que o presidente americano havia feito uma concessão controversa.

“Parece que Trump fez um acordo com o diabo”, declarou Siegel.

“Não é uma solução permanente de forma alguma. É uma espécie de remendo de curto prazo”, afirmou o economista. “E reduzir ou eliminar as sanções contra a Rússia pela invasão da Ucrânia, na minha opinião, é uma consequência muito lamentável.”

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