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Após trégua energética, Rússia ataca usinas da Ucrânia, afirma Zelensky

Publicado 11/10/2026 • 20:45 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Bombardeios russos atingiram instalações de energia na Ucrânia neste domingo, apesar do anúncio de cessar-fogo feito por Donald Trump.
  • Zelensky afirmou que apoia a suspensão dos ataques, mas disse não ter recebido detalhes do acordo anunciado pelo presidente americano.
  • A crise se intensifica após os EUA flexibilizarem sanções ao diesel russo, medida criticada pela Ucrânia e por aliados europeus.

Foto: Gabinete da Presidência / Ucrânia

Ataques russos atingiram usinas de energia na Ucrânia neste domingo (11), provocando interrupções no fornecimento de eletricidade, poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um suposto acordo entre Moscou e Kiev para suspender ofensivas contra a infraestrutura energética dos dois países.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, informou que um drone atingiu uma usina em Kiev, causando apagões na capital. Também relatou um ataque à usina de cogeração CHP-5, em Kharkiv, e afirmou que o espaço aéreo ucraniano permaneceu tomado por drones russos Shahed ao longo do dia.

Na Truth Social, Trump escreveu que um “cessar-fogo energético” entraria em vigor imediatamente. “Ambas as partes concordaram. Não o violem!”, declarou, sem detalhes. Zelensky disse ter sido surpreendido e buscava esclarecimentos; a Rússia ainda não havia confirmado adesão.

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Diesel russo amplia divergências entre Washington e Kiev

A controvérsia ocorre dois dias depois de Trump anunciar uma flexibilização temporária das sanções americanas ao diesel russo. Ucrânia e aliados europeus criticaram a medida, que consideram um incentivo ao presidente Vladimir Putin.

A guerra dos Estados Unidos contra o Irã contribuiu para a escassez mundial de petróleo. Trump atribuiu parte da alta do diesel aos ataques ucranianos contra refinarias russas, em meio aos riscos políticos dos preços dos combustíveis para seu partido nas eleições americanas do próximo mês.

Após conversar com líderes do Canadá, da Finlândia e da Otan, Zelensky declarou: “A Ucrânia apoia o cessar-fogo, e é importante que a Rússia também o apoie”.

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Desde a invasão de fevereiro de 2022, a Rússia ataca a infraestrutura energética ucraniana, deixando milhões sem luz e aquecimento no frio. A Ucrânia, por sua vez, atinge refinarias russas, que, segundo Kiev, ajudam a financiar a guerra.

Trump sugere troca de presidente na Ucrânia

Zelensky classificou a flexibilização das sanções como uma “decisão fraca”. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o acordo sobre o diesel contraria os esforços dos aliados para promover paz e estabilidade na Europa.

Questionado no sábado sobre as críticas, Trump afirmou que era hora de a Ucrânia ter “um novo presidente” capaz de encerrar a guerra.

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Em entrevista à ABC News, Zelensky rebateu: “Em primeiro lugar, com todo o respeito ao presidente Trump, cabe à nossa sociedade, ao nosso povo, escolher um líder ou outro”.

O líder ucraniano afirmou que os combustíveis estão mais caros por causa da guerra no Oriente Médio e do bloqueio da navegação pelo Estreito de Ormuz. “Todo mundo entende isso”, declarou.

Europa defende Zelensky e cobra trégua efetiva

O chanceler alemão, Johann Wadephul, afirmou em Berlim que a Alemanha continua apoiando integralmente Zelensky. “A Europa precisa de estabilidade”, disse, ao reafirmar o apoio à Ucrânia e a seu governo.

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também apoiou Zelensky e sua proposta de cessar-fogo para proteger o abastecimento mundial de alimentos e a infraestrutura energética de Rússia e Ucrânia.

O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu uma “verdadeira trégua energética”, mas afirmou que Moscou continua recusando a proposta e intensificando ataques à infraestrutura ucraniana. Reiterou o apoio francês a Kiev.

Em Kiev, Olesia Goncharuk, de 40 anos, reagiu à sugestão de Trump: “Acredito que nosso presidente é o melhor, e os americanos deveriam pensar no próprio presidente”.

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“Nós, ucranianos, decidimos nosso próprio destino e nossa própria liberdade, e somos um povo livre”, disse à AFP. A disputa ocorre semanas antes das eleições americanas, marcadas pela insatisfação dos eleitores com o custo de vida.

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