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Ataques com drones no Mar Negro elevam tensão nas fronteiras da Otan

Publicado 16/10/2026 • 16:36 | Atualizado há 33 minutos

KEY POINTS

  • Pelo menos sete navios comerciais foram atingidos por drones no Mar Negro, deixando dois mortos e 25 desaparecidos.
  • Romênia e Bulgária reforçam a segurança regional, enquanto a autoria dos ataques permanece sem confirmação conclusiva.
  • A Otan intensifica a defesa antidrones e avalia medidas de proteção marítima diante da escalada de incidentes no Mar Negro.

AFP

Pelo menos sete navios comerciais foram atingidos por ataques com drones no Mar Negro, em outubro de 2026, nas zonas econômicas exclusivas da Romênia e da Bulgária, países integrantes da Otan. Os incidentes deixaram duas pessoas mortas e pelo menos 25 desaparecidas, além de provocarem incêndios em duas embarcações atacadas na quarta-feira (14) e na quinta-feira (15). Um dos episódios ocorreu em águas territoriais romenas, e a sequência de ataques ameaçou uma importante rota marítima global.

O presidente da Romênia, Nicusor Dan, afirmou em Bruxelas que dois drones atingiram as embarcações e declarou que o Estado romeno reagiria. Ele, no entanto, não atribuiu responsabilidade pelos ataques.

A autoria dos incidentes permanece sem comprovação conclusiva. O primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, afirmou ao Parlamento que não faria sentido a Ucrânia atacar navios e tripulações ligados às próprias exportações. Segundo ele, os ataques beneficiam a Rússia, embora não existam provas definitivas que permitam identificar os responsáveis.

Um integrante do setor de defesa romeno, ouvido pela Associated Press (AP) sob condição de anonimato por não ter autorização para falar publicamente, avaliou que o objetivo dos ataques seria prejudicar economicamente a Ucrânia. A fonte afirmou que a Romênia não seria o alvo naquele momento e relatou que as autoridades encontram com frequência destroços e vestígios de drones no mar e nas praias do país.

Os episódios ocorrem em meio a ataques russos recorrentes contra portos ucranianos no Mar Negro e no rio Danúbio. Os bombardeios levaram a Ucrânia a recorrer cada vez mais a rotas alternativas para exportar grãos aos mercados da África e do Oriente Médio durante o conflito. Drones russos também violaram repetidamente o espaço aéreo romeno nas proximidades dos portos ucranianos no Danúbio.

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A escalada dos incidentes voltou a levantar questionamentos sobre a aplicação do Artigo 5 da Otan, que estabelece o princípio da defesa coletiva, segundo o qual um ataque contra um integrante da aliança é considerado um ataque contra todos.

Na quinta-feira, o secretário-geral da organização, Mark Rutte, informou que se reuniu com Radev e Dan para discutir a segurança no Mar Negro. Ele afirmou que a Otan reforçou sua postura na fronteira oriental, inclusive com o aumento da capacidade de defesa contra drones, e que a aliança continuará a ajustar suas medidas de dissuasão e defesa conforme necessário.

O analista romeno de defesa Radu Tudor apontou incertezas quanto à possibilidade de enquadrar ataques em zonas econômicas exclusivas no âmbito de uma resposta baseada no Artigo 5. Segundo ele, essas áreas não correspondem necessariamente a território soberano no mesmo sentido jurídico. Tudor também avaliou que a Otan tem reagido lentamente aos incidentes no Mar Negro, enquanto os ataques se multiplicam e a Rússia se aproxima das fronteiras da aliança.

Outra possibilidade em discussão é a criação de uma missão de escolta marítima. O integrante do setor de defesa romeno ouvido pela AP afirmou ter recebido informações de que a Turquia gostaria de convocar os países costeiros do Mar Negro para planejar a escolta de comboios por um corredor seguro militarizado. A fonte, no entanto, ressaltou os riscos e as dificuldades associados à falta de sistemas de defesa adequados.

Paralelamente, a Bulgária planeja aderir ao projeto antidrones Drone Edge, da Otan, até o fim de outubro de 2026, conforme informou o Ministério da Defesa do país. Lançada em julho de 2026, a iniciativa também conta com a participação da Romênia e prevê investimentos superiores a US$ 40 bilhões em capacidades de defesa contra drones nos próximos cinco anos.

Em outra frente de cooperação regional, Romênia, Bulgária e Turquia ampliaram, em julho de 2026, o pacto naval da Força-Tarefa de Contramedidas de Minas no Mar Negro. A expansão incluiu a proteção de infraestrutura submarina crítica.

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