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EXCLUSIVO: Brasil é o principal alvo não asiático das novas tarifas mexicanas
Publicado 04/01/2026 • 10:00 | Atualizado há 10 meses
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Publicado 04/01/2026 • 10:00 | Atualizado há 10 meses
KEY POINTS
O início das relações comerciais brasileiras em 2026 foi abruptamente sacudido por uma nova onda de protecionismo vinda do México, que agora impõe sobretaxas severas à indústria de transformação.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, José Pimenta, diretor de comércio internacional da BMJ, explicou que o Brasil se tornou o principal alvo não asiático dessas medidas, que atingem desde autopeças até o setor de siderurgia e químicos, exigindo uma reestruturação imediata nas estratégias de exportação.
Pimenta ressaltou que o movimento mexicano não é uma decisão isolada, mas um reflexo da iminente revisão do USMCA, o acordo comercial entre México, Estados Unidos e Canadá. Para evitar represálias de Washington e mitigar a triangulação de produtos chineses, o governo de Claudia Sheinbaum optou por endurecer as fronteiras tarifárias.
O especialista destacou que o México tem buscado diversificar seus parceiros, mas a dependência estrutural dos EUA ainda dita o ritmo de suas políticas alfandegárias, criando o que ele chama de “tarifácio” para os produtos brasileiros.
“O que aconteceu no México não pode estar dissociado da crescente animosidade comercial no âmbito do NAFTA, agora USMCA. Existe uma necessidade de ajuste interno e um aceno aos produtores locais. A medida é muito ampla e pegou diversos setores de meio de cadeia, como autopeças e químicos. O Brasil, que vinha tendo o México como um destino final crescente para sua indústria, agora enfrenta um desafio hercúleo de competitividade”, analisou.
A tensão não se limita à América do Norte. Pimenta também trouxe detalhes sobre o status do acordo entre Mercosul e União Europeia, que encerrou 2025 sem a assinatura final esperada para a cúpula de Foz do Iguaçu. O diretor da BMJ apontou a Itália como o principal obstáculo recente, impedindo o avanço na chamada “última milha” das negociações.
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Siga o Times | CNBCApesar das indústrias de ambos os lados estarem tecnicamente protegidas por cotas e cronogramas de desgravação, o ambiente político global de recrudescimento protecionista tem dificultado o sprint final.
“O acordo segue em discussão e está naquela fase do tiro final, o sprint. O principal motivo de não ter sido assinado em dezembro foi a posição da Itália, que se colocou contrária naquele momento. Seria um aceno muito importante em uma época de protecionismo global termos um acordo dessa magnitude em vigor. Janeiro chegou e agora a expectativa é ver se, até o final do mês, as negociações avançam para uma conclusão definitiva”, pontuou.
Com quase 3 mil medidas protecionistas em vigor ao redor do mundo, o cenário para 2026 exige que o empresário brasileiro abandone a dependência de mercados específicos. José Pimenta defende que a diversificação de mercados deixou de ser uma alternativa e tornou-se a única forma de salvar a balança comercial.
O diálogo diplomático para ampliar o Acordo de Complementação Econômica (ACE 53) com o México continua, mas o mercado real já exige novos destinos para escoar a produção industrial e do agronegócio.
“Abrir novos mercados é o mantra para 2026. O exportador brasileiro não pode colocar todas as fichas em um ponto só. A diversificação foi o que salvou a nossa balança comercial nos últimos meses diante desse cenário de tarifações. Além da negociação pura e simples por cotas ou exceções com o México, o foco agora deve ser o planejamento de longo prazo e a busca por mercados que ainda não foram saturados por essas barreiras protecionistas”, concluiu o especialista.
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