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Como os CEOs das gigantes de petróleo e gás veem os impactos da guerra no Irã sobre o fornecimento global
Publicado 29/03/2026 • 07:48 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 29/03/2026 • 07:48 | Atualizado há 1 hora
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Segundo eles, Ásia e Europa enfrentarão escassez de combustíveis caso o conflito se prolongue.
Os principais executivos das maiores companhias de petróleo e gás do mundo lançaram um alerta nesta semana sobre os efeitos da guerra no Irã no fornecimento de energia e as consequências de longo prazo para a economia global.
Reunidos em Houston, Texas, para a conferência anual CERAWeek, organizada pela S&P Global, os CEOs afirmaram que o mercado ainda não reflete a dimensão da interrupção no fornecimento de petróleo e gás.
Segundo eles, Ásia e Europa enfrentarão escassez de combustíveis caso o conflito se prolongue. Mesmo com um eventual fim da guerra, os preços do petróleo devem permanecer elevados enquanto países recompõem reservas esgotadas.
“Não é possível retirar de 8 a 10 milhões de barris por dia de petróleo e cerca de 20% do mercado de gás natural liquefeito sem consequências significativas”, disse Ryan Lance, CEO da ConocoPhillips.
Sheikh Nawaf al-Sabah, CEO da Kuwait Petroleum Corporation, destacou que o Irã impôs um bloqueio econômico ao fechar o Estreito de Hormuz, rota vital para exportações de petróleo dos produtores árabes do Golfo.
“Este é um ataque não apenas contra o Golfo, mas contra a economia mundial, que está sendo mantida como refém”, afirmou al-Sabah, alertando para um “efeito dominó” sobre a cadeia global de suprimentos.
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Analistas compararam o choque atual ao embargo árabe de 1973, quando países do Oriente Médio cortaram fornecimento em retaliação ao apoio ocidental a Israel.
Os executivos pediram maior proteção às infraestruturas energéticas. Ryan Lance afirmou que a Conoco está “pleiteando” junto ao governo Trump medidas militares para proteger ativos da empresa no Catar, onde ataques iranianos já forçaram o fechamento do maior polo de gás natural liquefeito do mundo.
“Tivemos que evacuar parte de nossa equipe não essencial nas últimas semanas”, disse Lance.
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Os preços do petróleo oscilaram durante a semana, mas fecharam na sexta-feira no maior nível em mais de três anos. Desde o início dos ataques de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, o barril do petróleo bruto nos EUA subiu 49%, para US$ 99,64, enquanto o Brent avançou mais de 55%, para US$ 112,57.
Executivos da Shell e da Chevron alertaram que o mercado futuro não reflete a gravidade da escassez física causada pelo fechamento do Estreito de Hormuz.
“Nossos clientes precisam das moléculas, precisam dos elétrons”, disse Wael Sawan, CEO da Shell.
Além do petróleo, os CEOs destacaram que o impacto sobre combustíveis refinados será ainda mais severo. O fornecimento de querosene de aviação já foi afetado, seguido por diesel e gasolina.
Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies, afirmou que os preços do querosene e do diesel dispararam para US$ 200 e US$ 160 por barril, respectivamente. Ele acrescentou que a China proibiu exportações de derivados e a Tailândia iniciou racionamento de gasolina.
“A crise começa a atingir diretamente os consumidores”, disse Pouyanné.
Especialistas avaliam que o conflito dificilmente terá fim em curto prazo. Vali Nasr, da Universidade Johns Hopkins, afirmou que o Irã busca um acordo amplo que lhe garanta controle sobre o Estreito de Hormuz, compensações econômicas e garantias de segurança.
O ex-secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, disse que o país enfrenta um impasse: “Não podemos simplesmente declarar vitória e sair. Estamos em uma situação difícil.”
Analistas alertam que o conflito pode reduzir em até 30% o PIB anualizado de países árabes do Golfo, incluindo Iraque, Catar, Emirados Árabes Unidos e possivelmente Arábia Saudita.
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