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Deutsche Bank manteve serviços a Jeffrey Epstein após anunciar rompimento
Publicado 12/02/2026 • 15:30 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 12/02/2026 • 15:30 | Atualizado há 8 meses
Justice Department/Handout/Reuters
A Deutsche Bank continuou prestando serviços financeiros a Jeffrey Epstein por meses após comunicar, em dezembro de 2018, que encerraria o relacionamento com o financista. As contas só foram oficialmente fechadas após sua prisão, em julho de 2019, segundo documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) analisados pela Reuters.
Os registros indicam que, mesmo após o prazo formal para encerramento – 28 de fevereiro de 2019 – o banco ainda executou operações para Epstein, incluindo ordens de saque em dinheiro vivo e transferências internacionais.
Leia também: Caso Epstein e Izabel Goulart: o que se sabe até então?
Entre os serviços prestados após o anúncio de rompimento, está a organização de uma ordem, em 9 de abril de 2019, para disponibilizar 50 mil euros em notas grandes antes de uma viagem à Europa. A operação levou funcionários do banco a perceber que o documento de identificação de Epstein arquivado havia expirado em 2015.
Os arquivos do DOJ mostram ainda que:
Leia também: Arquivos de Epstein: uma linha do tempo para entender a cronologia do caso
A prisão de Epstein, em 6 de julho de 2019, acelerou a ruptura definitiva. Horas após a notícia ganhar repercussão, Fabrizio Campelli, então chefe de gestão de patrimônio do banco e hoje membro do conselho, enviou um e-mail questionando:
“Pode confirmar que ele não é mais cliente?”
Um e-mail interno subsequente listava 28 contas vinculadas a Epstein, com o assunto:
“URGENT!!! Need to close accounts ASAP – please prioritize today”.
Àquela altura, as contas já estavam praticamente zeradas — duas mantinham saldos inferiores a US$ 35, incluindo a chamada Butterfly Trust, que reguladores consideravam de risco potencial para ocultação de crimes.
Leia também: Arquivos de Epstein: quais bilionários aparecem nos documentos?
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Siga o Times | CNBCEm 2020, o Deutsche Bank concordou em pagar US$ 150 milhões ao regulador financeiro de Nova York como parte de um acordo relacionado à manutenção do relacionamento com Epstein por cinco anos.
Posteriormente, o banco também fechou acordo de US$ 75 milhões com vítimas de Epstein.
O regulador criticou duramente o banco por falhas nos controles de conformidade, especialmente diante de reportagens que já indicavam o histórico de Epstein, que havia se declarado culpado em 2008 por solicitação de prostituição envolvendo menor de idade.
O Deutsche Bank afirmou que reconhece o erro de ter aceitado Epstein como cliente em 2013 e lamenta profundamente a associação. Disse ainda que notificou o financista em dezembro de 2018 sobre a intenção de encerrar as contas e trabalhou para transferir os ativos nos meses seguintes.
O banco não respondeu a perguntas detalhadas sobre as transações específicas reveladas nos documentos.
A divulgação recente dos arquivos do DOJ reacende questionamentos sobre governança, compliance e gestão de risco em grandes instituições financeiras globais — especialmente no contexto ESG e de reputação corporativa.
Para investidores e reguladores, o episódio reforça o debate sobre a efetividade de mecanismos internos de prevenção à lavagem de dinheiro e à manutenção de clientes de alto risco, mesmo após alertas públicos e investigações em curso.
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