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Ex-chefe da inteligência alemã é preso sob suspeita de espionagem e traição

Publicado 06/10/2026 • 15:30 | Atualizado há 37 minutos

KEY POINTS

  • August Hanning, ex-chefe do serviço de inteligência estrangeira da Alemanha, foi preso sob suspeita de espionagem, divulgação de segredos de Estado e tentativa de traição.
  • Um ex-chefe de gabinete do BND é acusado de ter repassado cerca de 2 mil documentos sigilosos a Hanning, supostamente mediante pagamento.
  • Investigadores suspeitam que parte das informações tenha sido usada por Hanning em atividades privadas e compartilhada com representantes de serviços de inteligência estrangeiros.

Reprodução/Redes Sociais

O ex-diretor do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND), August Hanning, de 80 anos, foi preso nesta terça-feira sob suspeita de espionagem e envolvimento no repasse de informações sigilosas a serviços de inteligência estrangeiros. Outro ex-funcionário de alto escalão da agência também foi detido no mesmo caso.

Segundo a Procuradoria Federal alemã, Hanning é investigado por crimes que incluem espionagem, divulgação de segredos de Estado, tentativa de traição e atuação como agente de um serviço secreto estrangeiro. As autoridades não informaram quais países ou organizações de inteligência teriam recebido as informações.

Hanning comandou o BND entre dezembro de 1998 e novembro de 2005. De acordo com a Deutsche Welle, depois, ele passou a atuar no Ministério Federal do Interior, onde permaneceu como secretário de Estado até novembro de 2009.

Prisões e buscas em diferentes regiões

Hanning foi detido pela manhã em sua residência em Nordwalde, perto da cidade de Münster, no oeste da Alemanha, segundo informações da imprensa alemã.

O segundo suspeito, identificado pelas autoridades apenas como Manfred D., em conformidade com as regras alemãs de proteção à identidade, foi preso na Baviera. Imóveis ligados aos dois investigados foram alvo de buscas. A operação também incluiu diligências em Berlim.

Manfred D. trabalhou diretamente com Hanning durante a passagem do ex-diretor pelo BND, exercendo a função de chefe de gabinete. Posteriormente, acompanhou Hanning no Ministério do Interior, onde permaneceu até 2009.

Ele é investigado por suposta participação em tentativa de traição e espionagem contra o Estado.

Leia também: Espionagem digital avança e mira autoridades, alerta especialista

Acordo teria começado após saída de Hanning

A investigação aponta que Hanning e Manfred D. teriam estabelecido, em 2010, um esquema para transferência de informações sigilosas.

Entre 2012 e março de 2026, Manfred D. ocupou o cargo de chefe de gabinete de sucessores de Hanning na direção do BND. A posição lhe dava acesso a uma grande quantidade de documentos classificados e destinados exclusivamente ao uso interno do serviço de inteligência.

De acordo com a Procuradoria, aproximadamente 2 mil documentos teriam sido entregues a Hanning ao longo dos anos. Parte significativa do material continha informações protegidas por diferentes níveis de sigilo.

As autoridades suspeitam que os repasses tenham continuado pelo menos até meados de 2022 e tenham ocorrido mediante pagamento.

Informações teriam sido usadas em consultorias privadas

Depois de deixar o serviço público, Hanning passou a trabalhar com consultoria. Segundo os investigadores, parte do material recebido de Manfred D. teria sido utilizada nessas atividades profissionais.

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Em pelo menos um episódio, Hanning é suspeito de recorrer a informações secretas para elaborar uma análise destinada a um funcionário de um serviço de inteligência estrangeiro.

A investigação também aponta que o ex-chefe do BND manteve contato próximo, durante vários anos, com um representante de outro serviço secreto estrangeiro. Nesse período, teria transmitido informações políticas, algumas delas baseadas no material recebido de Manfred D.

A Procuradoria não revelou a identidade dos serviços de inteligência envolvidos.

Documentos incluíam informações estratégicas

Entre o material supostamente repassado estavam documentos de circulação restrita produzidos para autoridades alemãs e informações relacionadas a questões internacionais consideradas sensíveis.

Segundo informações divulgadas anteriormente por veículos alemães, o conteúdo incluía dados sobre o programa nuclear do Irã e sobre as Forças Armadas da Rússia, além de informações obtidas pelo BND junto a serviços de inteligência de países aliados.

O eventual vazamento de dados fornecidos por agências parceiras pode ter repercussões sobre a cooperação internacional do BND, já que o compartilhamento entre serviços de inteligência depende de regras de confidencialidade.

Reportagens da WDR, NDR e do Süddeutsche Zeitung indicam que o caso não estaria relacionado a uma atuação de Hanning em favor da Rússia.

Investigação surgiu a partir de outro processo

Segundo a imprensa alemã, as suspeitas sobre Hanning teriam surgido durante investigações relacionadas a um processo de grande repercussão envolvendo a empresária Christine Block.

A partir dessas conexões, investigadores chegaram às suspeitas de transferência de documentos do BND e à possível utilização do material em contatos com representantes estrangeiros.

Após as prisões, o presidente da comissão parlamentar responsável pela fiscalização dos serviços de inteligência, Marc Henrichmann, afirmou que a Alemanha não aceitará a entrega ilegal de informações sigilosas.

O deputado da oposição Konstantin von Notz, que também integra o colegiado, classificou as acusações como preocupantes e defendeu uma investigação rápida e abrangente.

Hanning e Manfred D. devem ser apresentados a um juiz de instrução entre terça e quarta-feira. Caberá à Justiça decidir sobre a manutenção das prisões enquanto as investigações prosseguem.

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