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CNBCAções brasileiras disparam com Bolsonaro agora visto como grande favorito para vencer a presidência

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EXCLUSIVO CNBC: Resultado no Brasil fortalece estratégia de Trump na América Latina, diz Ian Bremmer

Publicado 05/10/2026 • 19:00 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Ian Bremmer, presidente do Eurasia Group, afirma que o resultado do primeiro turno no Brasil representa uma vitória para a política externa de Donald Trump na América Latina.
  • Bremmer diz que um eventual governo de Flávio Bolsonaro poderia aproximar o Brasil dos EUA em tecnologia, inteligência artificial, defesa e minerais críticos.
  • O analista afirma que a China continuará como principal parceiro comercial de grande parte da América Latina, mesmo com maior alinhamento político e de segurança com Washington.

O resultado do primeiro turno das eleições brasileiras representa uma vitória para a política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América Latina, na avaliação de Ian Bremmer, presidente do Eurasia Group.

Em entrevista exclusiva à CNBC, o analista afirmou que o Brasil acompanha um movimento de avanço de governos de direita na região e pode ampliar a aproximação com Washington sem romper os vínculos econômicos com a China.

“Se você observar o cenário mundial, a política externa de Trump foi, sem sombra de dúvida, a mais bem-sucedida em toda a América Latina”.

A tendência de avanço da direita pode ser observada em países como Peru, Chile, Argentina e Colômbia. Para ele, o Brasil agora pode seguir o mesmo caminho.

“É governo de direita após governo de direita vencendo a esquerda. Nós observamos isso no Peru, no Chile, na Argentina, na Colômbia recentemente e agora parece que veremos o mesmo acontecer no Brasil”.

Bremmer afirmou que existe uma grande probabilidade de Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno porque, na avaliação dele, parte relevante dos votos dos candidatos que não avançaram estaria concentrada entre eleitores de direita.

O analista também afirmou que os mercados poderiam reagir positivamente a um eventual governo de Flávio, não apenas pela orientação política, mas pela capacidade de relacionamento com empresas e investidores.

“O mercado gosta disso, não só por ele ser de direita, mas por ser um operador político. Ao contrário do pai militar, ele lida bem com grandes empresas”, afirmou.

Na avaliação de Bremmer, um eventual governo de Flávio também poderia adotar uma postura mais próxima dos Estados Unidos em áreas consideradas estratégicas, como tecnologia, inteligência artificial e minerais críticos.

O analista afirmou que essa possível mudança representaria uma ruptura com a orientação internacional atribuída ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ele, mantinha uma visão mais próxima dos países do Sul Global.

“Lula era considerado uma figura do Sul Global, um exemplo clássico da visão de que os americanos são exploradores e neocolonialistas e que não devemos trabalhar com eles”, afirmou.

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A aproximação com Washington, segundo o analista, poderia se estender a acordos comerciais, energia, agronegócio, defesa e minerais críticos. Bremmer afirmou ainda que um eventual governo de Flávio poderia aderir ao chamado programa Escudo da América, ao qual, segundo ele, o Brasil não teria aderido durante o governo Lula.

“Isso significa não apenas que eles estarão declarando seus cartéis de drogas como organizações terroristas, mas trabalharão com os americanos na defesa, trabalharão com os americanos na inteligência, e isso é bastante significativo”.

Na avaliação do analista, empresas americanas também poderiam se beneficiar de contratos relacionados a essas áreas, enquanto a aproximação teria impacto estratégico para a segurança dos Estados Unidos na região.

Os minerais críticos aparecem como outro ponto central nessa possível aproximação. Bremmer afirmou que o Brasil possui reservas relevantes e poderia trabalhar mais próximo de empresas americanas e do aparato de segurança nacional dos Estados Unidos para desenvolver cadeias de produção e processamento de minerais críticos e terras raras.

“O Brasil possui depósitos muito significativos e o futuro governo, esperado como sendo de Bolsonaro, trabalharia de forma muito mais próxima com o complexo de segurança nacional dos Estados Unidos e com empresas americanas, algumas financiadas pelo governo americano, para desenvolver parcerias na produção e no processamento desses minerais críticos e terras raras”, afirmou.

Bremmer também apontou um possível efeito negativo de uma mudança de governo na política ambiental. Segundo ele, um eventual governo de Flávio Bolsonaro poderia dar menos prioridade ao combate ao desmatamento do que a administração Lula.

“Esta é uma área na qual Lula obteve grande sucesso. É um tema com o qual Flávio Bolsonaro não se preocupará muito”, disse.

Para o analista, uma eventual flexibilização nessa área poderia ser bem recebida por investidores do setor agrícola, mas teria consequências para a preservação da Amazônia e sua função ambiental.

Apesar de uma possível aproximação política e estratégica com Washington, Bremmer não acredita que o Brasil ou outros países latino-americanos abandonariam a relação econômica com a China.

“Não, não, de jeito nenhum. A China naturalmente permanece como o principal parceiro comercial de praticamente todos os países da América Latina”, afirmou.

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