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FMI projeta 3,1% de crescimento para economia global e 2,2% para o Brasil em 2026; órgão aponta risco de inflação de 4,7%

Publicado 13/10/2026 • 07:52 | Atualizado há 35 minutos

KEY POINTS

  • FMI projeta crescimento global de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, com revisão de 0,2 ponto percentual para 2027
  • Inflação mundial deve subir a 4,7% em 2026 e cair a 4,1% em 2027, com energia e alimentos como principais pressões
  • Brasil deve crescer 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, com corte de 0,2 e 0,3 ponto percentual frente a julho
FMI vê risco de efeito dominó com fundos que somam US$ 13 trilhões

Olivier DOULIERY/AFP

FMI vê risco de efeito dominó com fundos que somam US$ 13 trilhões

A economia global deve crescer 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, de acordo com o relatório Perspectivas Econômicas Mundiais, divulgado nesta terça-feira (13) pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

O número deste ano ficou igual ao de abril, e o de 2027 subiu 0,2 ponto percentual.

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Brasil deve crescer 2,2% em 2026

Para o Brasil, o FMI prevê alta de 2,2% em 2026 e de 1,9% em 2027, após expansão de 2,3% em 2025.

Em relação à atualização de julho, houve cortes de 0,2 ponto percentual para 2026 e de 0,3 ponto percentual para 2027. Já na comparação com abril, a projeção para este ano subiu 0,3 ponto percentual, e a de 2027 recuou 0,1 ponto percentual.

Na América Latina e no Caribe, o fundo projeta 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027.

América Latina cresce 2,3% sob inflação global de 4,7%

Na América Latina e no Caribe, o FMI projeta crescimento de 2,3% em 2026 e de 2,5% em 2027. Por outro lado, a inflação mundial deve subir a 4,7% neste ano, com pressão de energia e alimentos, e recuar a 4,1% em 2027. Segundo o fundo, os importadores de energia fora das cadeias de tecnologia enfrentam a combinação mais desfavorável, com custos mais altos e demanda mais fraca.

FMI vê resiliência desigual na economia mundial

A atividade global voltou a resistir em 2026, apesar da guerra no Oriente Médio e das tensões comerciais. Segundo o FMI, o primeiro semestre ficou acima do esperado, com apoio de adaptações nas cadeias de produção e transporte e de um ciclo de investimento em inteligência artificial.

Por outro lado, o fundo avalia que as margens de ajuste que sustentaram o desempenho estão mais estreitas.

Além disso, o número agregado esconde uma redistribuição do crescimento entre países. Economias menos expostas ao choque de energia e mais ligadas ao ciclo tecnológico tendem a manter ou ampliar a atividade. Já os importadores de energia fora das cadeias de tecnologia enfrentam custos mais altos e demanda mais fraca.

Inflação global sobe a 4,7% em 2026

Os preços ao consumidor no mundo devem avançar 4,7% em 2026 e 4,1% em 2027, segundo o FMI. A aceleração deste ano vem sobretudo de energia e alimentos, em meio à volatilidade provocada pelo conflito.

Quanto ao comércio, o volume mundial de bens e serviços deve crescer 4,6% em 2026 e 4,7% em 2027. O fundo cita o efeito das tarifas e o rearranjo das cadeias produtivas, apesar da força do comércio ligado à tecnologia.

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Economias avançadas e emergentes seguem ritmos distintos

Nas economias avançadas, o FMI projeta expansão de 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027. Para os Estados Unidos, a estimativa é de 2,3% nos dois anos, com revisão de 0,2 ponto percentual para cima em 2027 na comparação com abril.

Na zona do euro, o crescimento deve ser de 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027, sem mudança em relação a abril. A Alemanha aparece com 1,3% e 1,1%, a França com 0,4% e 0,7%, e a Itália com 0,8% e 0,6%. O Japão deve avançar 0,7% nos dois anos.

Entre os emergentes e em desenvolvimento, a projeção é de 3,7% em 2026 e 4,4% em 2027. A Ásia emergente deve crescer 5,1% e 4,9%. A China desacelera para 4,5% neste ano e 4,0% em 2027, com alta de 0,1 ponto percentual na estimativa de 2026 frente a abril. Já a Índia repete 7,0% nos dois anos.

No Oriente Médio e na Ásia Central, a estimativa é de 0,3% em 2026 e 6,3% em 2027. Para a Arábia Saudita, o FMI prevê 3,3% e 7,9%.

Riscos pendem para baixo e FMI cobra espaço fiscal

O FMI avalia que os riscos seguem inclinados para a piora. Uma escalada ou o prolongamento da guerra pode manter energia e alimentos caros e voláteis, reavivar a inflação e reduzir o crescimento, com impacto maior sobre importadores de energia e países de baixa renda.

Além disso, uma reavaliação das perspectivas de lucro e produtividade ligadas à inteligência artificial poderia provocar correções nos mercados e aperto das condições financeiras. Novas tensões comerciais e vulnerabilidades fiscais também podem enfraquecer a atividade.

Por outro lado, mais investimento em IA e ganhos de produtividade, ou um alívio duradouro das tensões geopolíticas e comerciais, poderiam fortalecer o crescimento.

Diante disso, o fundo recomenda que os governos reconstruam espaço fiscal, em meio a dívida elevada e juros altos. Medidas para amortecer o impacto de energia e alimentos devem ser temporárias e focalizadas.

Na política monetária, a orientação é calibrar as decisões às condições de cada país, equilibrando o combate à inflação e a sustentação da atividade. No médio prazo, o FMI aponta a necessidade de reforçar a segurança energética, ampliar a capacidade de adoção de novas tecnologias e preservar canais abertos de comércio e cooperação.

FMI vê transferências focalizadas como melhor proteção a famílias

O capítulo 2 do relatório analisa as crises de custo de vida dos últimos cinco anos. Segundo o FMI, transferências temporárias e focalizadas oferecem a proteção mais eficaz e de menor custo às famílias vulneráveis, preservam o espaço fiscal e deixam os preços se ajustarem.

Já as medidas que seguram preços podem exigir de 3 a 22 vezes mais recursos fiscais e perdem eficácia quando o espaço fiscal é limitado ou quando muitos países as adotam ao mesmo tempo.

O capítulo 3 trata dos efeitos globais de mudanças no imposto de renda corporativo, que dependem de como são financiadas. Cortes financiados por dívida sustentam a atividade interna, mas podem gerar efeitos negativos no exterior no curto prazo. Com o tempo, esses efeitos podem ser positivos, pela transferência de conhecimento entre países, embora a menor arrecadação possa limitar o investimento público, sobretudo nos emergentes. Regras antievasão mais rígidas ajudam a reduzir esses dilemas.

As estimativas do capítulo 1 se baseiam em informações disponíveis até 1º de outubro de 2026.

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