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França enfrenta pior onda de protestos em anos, enquanto governo tenta meios de cortar mais gastos
Publicado 19/10/2026 • 07:23 | Atualizado há 48 minutos
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Publicado 19/10/2026 • 07:23 | Atualizado há 48 minutos
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Jeff Pachoud / AFP
Manifestante diante do posto de turismo de Lyon, incendiado durante protestos contra o alto custo de vida, em 17 de outubro de 2026.
A França enfrentou neste fim de semana os piores episódios de violência em anos, depois que protestos em todo o país contra o alto custo de vida e a deterioração dos serviços públicos terminaram em confrontos às vésperas de uma votação importante sobre o Orçamento.
As manifestações terminaram em tumultos no sábado, com quase 2.400 pessoas presas, lojas saqueadas ou danificadas e prédios cobertos por pichações, enquanto grupos violentos entraram em confronto com a polícia em cidades de todo o país, segundo o Ministério do Interior. Quase 1.000 policiais e integrantes da Gendarmaria ficaram feridos, informou a pasta.
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O presidente Emmanuel Macron, cujos últimos meses no cargo vêm sendo marcados por crescente insatisfação política, fiscal e social, determinou uma revisão para apurar possíveis falhas na coleta de informações de inteligência ou na preparação da polícia. Ele também pediu ao governo que reúna nesta semana estudantes, professores, parlamentares, sindicatos e representantes empresariais para elaborar “propostas concretas” de resposta à crise.
Os protestos ocorrem enquanto o governo minoritário do primeiro-ministro Sébastien Lecornu busca economizar 54 bilhões de euros (US$ 61 bilhões) no Orçamento de 2027, numa tentativa de reduzir o déficit crescente do país. A Assembleia Nacional deve realizar, na terça-feira, uma votação formal sobre a primeira parte do projeto.
Nos últimos anos, a França tem enfrentado dificuldades para conter os gastos e o aumento da dívida, que atingiu o recorde de 3,6 trilhões de euros no segundo trimestre, equivalente a 119% do PIB. O custo para financiar essa dívida também vem aumentando à medida que as taxas de juros sobem em diferentes partes do mundo.
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Cerca de 550 mil pessoas participaram de manifestações em dezenas de cidades no sábado, incluindo 110 mil em Paris, segundo as autoridades. A nova onda de protestos veio após um mês de mobilizações estudantis contra a falta de professores e as condições das escolas, somadas a uma insatisfação mais ampla dos sindicatos. Embora centenas de milhares de pessoas tenham protestado de forma pacífica, grupos violentos atacaram prédios públicos, saquearam lojas e entraram em confronto com a polícia.
Em pronunciamento televisionado na noite de domingo, Macron afirmou: “Ao olhar para essas imagens, todos nós nos perguntamos: o que passava pela cabeça dessas pessoas? Como franceses podem fazer isso com a França?”
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Siga o Times | CNBC“Nada justifica, nada explica, nada desculpa”, disse, ao prometer uma resposta “sem concessões” contra “agitadores de grupos da extrema esquerda, acompanhados por numerosos delinquentes”.
Macron não chegou a decretar estado de emergência nem a impor toque de recolher, mas afirmou que autoridades regionais e prefeitos poderão proibir determinadas reuniões quando isso for necessário para proteger prédios públicos e estabelecimentos comerciais.
A prefeitura de Limoges, construída há 143 anos, no centro da França, foi incendiada e ficou em grande parte destruída depois que saqueadores quebraram uma janela e atearam fogo ao prédio. “Houve uma intenção clara e premeditada de incendiar a prefeitura, e as pessoas que estavam lá dentro temeram por suas vidas”, afirmou no domingo o prefeito Guillaume Guérin, ainda abalado.
Manifestantes também invadiram a prefeitura de Marselha, enquanto um posto de turismo em Lyon foi incendiado.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou no domingo que várias centenas de lojas sofreram danos materiais consideráveis. Em Bordeaux, o prefeito Thomas Cazenave disse que até 100 estabelecimentos foram saqueados.
Um manifestante morreu após sofrer uma parada cardíaca durante os protestos em Paris, informou a polícia em comunicado, sem dar mais detalhes. Na tarde de domingo, agentes usaram gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral para dispersar uma manifestação na Praça da República, em Paris, onde bicicletas também foram incendiadas.
O ministro da Economia, Roland Lescure, prometeu apoio do governo aos comerciantes que tiveram prejuízos durante os confrontos. “Quem quebra terá de pagar, reparar os danos e responder pela intenção de semear o caos”, afirmou.
Marine Le Pen, líder da oposição de direita e candidata à Presidência no próximo ano, afirmou que os episódios de violência mostram que o governo Macron está “no limite, exausto e desorientado”.
Já Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical e também candidato à Presidência, afirmou que Macron precisa responder às reivindicações dos estudantes do ensino médio e alertou que o país pode caminhar para “acontecimentos que acabarão se tornando incontroláveis”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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