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Japão inicia missão histórica para trazer amostras de lua de Marte e avançar na exploração espacial

Publicado 19/10/2026 • 20:28 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Japão lança missão inédita para coletar amostras de Fobos, uma das luas de Marte, com previsão de chegada ao planeta em agosto do próximo ano.
  • Sonda MMX pretende recolher ao menos 10 gramas de material, com o objetivo de esclarecer a origem das luas marcianas e a formação do Sistema Solar.
  • Missão pode impulsionar futuras viagens tripuladas a Marte, enquanto Estados Unidos e China avançam em projetos para trazer amostras do planeta à Terra.

Cientistas japoneses lançaram com sucesso, nesta terça-feira, uma espaçonave que tem como objetivo coletar amostras de uma das luas de Marte. A missão, inédita, poderá ajudar a esclarecer como o Sistema Solar se formou e trazer novas pistas sobre as origens da vida na Terra.

O foguete H3, principal veículo de lançamento do Japão, decolou às 4h41 da manhã, no horário local (16h41 de segunda-feira, pelo horário de Brasília), levando a sonda não tripulada MMX (sigla em inglês para Exploração das Luas de Marte). O lançamento ocorreu sob um céu ainda escuro, no Centro Espacial de Tanegashima, e foi transmitido ao vivo pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).

Pouco mais de uma hora depois, a agência confirmou, durante a transmissão, que a sonda havia se separado com sucesso do foguete e iniciado sua viagem rumo ao sistema marciano.

“Eu sonhava com este dia, então estou incrivelmente feliz”, disse Mari Aida, cientista da JAXA. “Neste momento, sinto um enorme alívio.”

Mesmo com o lançamento marcado para a madrugada no Japão, milhares de pessoas acompanharam a transmissão e enviaram mensagens de apoio à equipe.

A previsão é que a espaçonave chegue às proximidades de Marte por volta de agosto do próximo ano e entre em órbita de Fobos, uma das duas luas do planeta.

A missão também contará com um pequeno robô explorador desenvolvido em parceria entre França e Alemanha, chamado IDEFIX, nome inspirado no personagem Ideiafix, o cachorro das histórias em quadrinhos de Asterix. Ele será o primeiro veículo a explorar a superfície de Fobos e fará observações para ajudar a identificar um local seguro para o pouso.

Ao chegar à lua marciana, a MMX deverá coletar pelo menos 10 gramas de material da superfície. A operação faz parte de uma missão com duração prevista de três anos nas proximidades do Planeta Vermelho.

O projeto pretende realizar a primeira missão de ida e volta para coletar amostras na região de Marte. A iniciativa reúne a JAXA, agências espaciais dos Estados Unidos e da Europa, além de universidades e empresas de tecnologia.

Os cientistas esperam que os resultados ajudem a preparar o caminho para futuras missões tripuladas ao planeta.

“As amostras coletadas pela MMX podem trazer avanços científicos capazes de transformar nossa compreensão do sistema marciano por gerações, especialmente agora que a NASA se prepara para enviar os primeiros seres humanos a Marte”, afirmou Nicky Fox, administradora da Diretoria de Missões Científicas da agência americana, em uma mensagem exibida durante a transmissão da JAXA.

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A agência japonesa espera que a missão ajude a esclarecer como Marte e suas duas luas se formaram — uma questão importante para entender a própria origem do Sistema Solar.

Uma das hipóteses, conhecida como teoria do grande impacto, sugere que as luas surgiram depois que um corpo celeste colidiu com Marte.

Outra possibilidade é a chamada hipótese da captura, segundo a qual Fobos e Deimos seriam asteroides que acabaram atraídos pela gravidade do planeta.

Descobrir qual dessas explicações está correta pode ajudar os cientistas a entender “como um ambiente propício à vida pode ter surgido nos planetas terrestres”, afirmou a JAXA. A expressão se refere aos quatro planetas rochosos mais próximos do Sol: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.

Fobos como uma possível base espacial

Além de investigar a origem das luas marcianas, a missão avaliará se Fobos poderia funcionar como uma espécie de estação espacial natural. Segundo a JAXA, o estudo deverá ajudar a definir os requisitos para uma viagem de ida e volta a partir da lua, algo considerado importante para viabilizar futuras missões tripuladas a Marte.

A espaçonave também estudará Deimos, a outra lua do planeta, mas não tentará pousar nela.

Enquanto isso, Estados Unidos e China também disputam a dianteira na corrida para trazer à Terra as primeiras amostras de rochas coletadas diretamente da superfície de Marte.

O rover Perseverance, da NASA, explora o planeta desde 2021 e já recolheu diversas amostras. O plano de transportá-las de volta à Terra, porém, foi praticamente abandonado pelo governo do presidente Donald Trump após uma votação no Congresso em janeiro.

A China, por sua vez, planeja lançar a missão Tianwen-3 por volta de 2028, com o objetivo de trazer amostras marcianas à Terra em 2031. Se o cronograma for cumprido, o país poderá concluir essa operação antes que a missão japonesa consiga trazer seu material de Fobos.

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