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Nobel da Paz 2026 vai para Navi Pillay, jurista que combateu o apartheid e julgou crimes de guerra
Publicado 09/10/2026 • 08:09 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 09/10/2026 • 08:09 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
UN Photo/Jean-Marc Ferré
A jurista sul-africana Navi Pillay foi reconhecida com o Nobel da Paz de 2026 por sua atuação na defesa do direito internacional e dos direitos humanos.
A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9). Ex-alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, ela foi reconhecida por sua atuação na defesa do direito internacional e na responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.
O anúncio foi feito em Oslo, na Noruega, pelo presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, que destacou a contribuição da jurista para o fortalecimento das instituições internacionais de justiça.
Segundo o comitê, Pillay teve um papel fundamental para que responsáveis por algumas das mais graves violações de direitos humanos fossem levados a julgamento. A escolha também ocorre em um momento de crescente pressão política sobre tribunais internacionais e organismos multilaterais.
Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem indiana, Pillay iniciou sua carreira durante o apartheid, regime de segregação racial que vigorou no país até a década de 1990. Tornou-se advogada em um período em que a população não branca enfrentava restrições aos direitos e ao acesso às instituições.
Ao longo de sua trajetória, participou da defesa de Nelson Mandela e de outros opositores do regime segregacionista. Posteriormente, tornou-se a primeira mulher não branca nomeada juíza da Alta Corte da África do Sul.
Leia também: ONU exige que Israel impeça um ‘genocídio’ em Gaza
A atuação de Pillay ganhou projeção internacional quando ela passou a integrar o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado pelas Nações Unidas para julgar responsáveis pelo genocídio de 1994.
No tribunal, participou de decisões históricas que reconheceram o estupro e outras formas de violência sexual como crimes contra a humanidade e, em determinadas circunstâncias, como atos constitutivos de genocídio.
A jurista também integrou o Tribunal Penal Internacional (TPI), responsável por julgar indivíduos acusados de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, posição na qual acompanhou violações de direitos fundamentais e conflitos em diferentes regiões do mundo.
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Siga o Times | CNBCMais recentemente, presidiu a Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel. Em 2025, a comissão concluiu que Israel cometia genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza. O governo israelense rejeitou a conclusão.
Pillay também atua como juíza ad hoc na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em um processo no qual Mianmar é acusado de genocídio contra a minoria rohingya.
Ao justificar a premiação, o Comitê Norueguês do Nobel afirmou que o sistema de direito internacional enfrenta pressões crescentes e que suas instituições vêm sendo alvo de ataques.
Para o grupo, a trajetória de Pillay demonstra a importância de mecanismos jurídicos capazes de responsabilizar indivíduos e Estados por violações graves, independentemente de seu poder político ou militar.
A decisão também foi comemorada pela secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, que estava com Pillay em Nuremberg, na Alemanha, quando o resultado foi anunciado.
Callamard destacou a importância da premiação em um momento de questionamento das instituições internacionais. Nuremberg foi o cenário dos julgamentos de dirigentes nazistas após a Segunda Guerra Mundial, considerados fundamentais para a formação do direito penal internacional moderno.
O Nobel da Paz de 2026 teve 287 candidaturas, entre 208 pessoas e 79 organizações.
Além do reconhecimento, Pillay receberá 12 milhões de coroas suecas, aproximadamente US$ 1,2 milhão. A cerimônia de entrega está marcada para 10 de dezembro, em Oslo, data que marca o aniversário da morte de Alfred Nobel, criador da premiação.
Em 2025, o prêmio foi concedido à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, reconhecida por sua atuação na defesa dos direitos democráticos na Venezuela.
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