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Ofensiva surpresa de robôs da Ucrânia expõe vulnerabilidade da máquina de guerra de Putin

Publicado 04/10/2026 • 08:46 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A ofensiva ucraniana surpresa liderada por robôs na região de Donbass parece ter revertido mais de um ano de avanços territoriais russos nos arredores de Lyman.
  • Batizada de “Operação Vivaldi”, a ofensiva retomou 176 quilômetros quadrados, com as forças ucranianas usando drones e veículos terrestres não tripulados para atacar atrás das linhas russas e, ao mesmo tempo, limitar os riscos para os soldados.
  • Especialistas em segurança afirmam que a ofensiva não representa uma ruptura decisiva no conflito, mas demonstra como o uso crescente de sistemas robóticos pela Ucrânia está transformando a guerra na linha de frente.
Ucrânia

Foto: AFP

Uma ofensiva surpresa de robôs lançada pela Ucrânia no leste do país, parece ter revertido mais de um ano de avanços territoriais russos.

Uma ofensiva surpresa de robôs lançada pela Ucrânia na região de Donbass, no leste do país, parece ter revertido mais de um ano de avanços territoriais russos, segundo especialistas em segurança, representando um golpe estratégico para as ambições territoriais do presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Detalhes da contraofensiva ucraniana, batizada de “Operação Vivaldi”, começaram a vir à tona nas últimas semanas, oferecendo uma rara visão sobre a rápida transformação das operações de combate na linha de frente em meio à invasão em larga escala da Rússia.

Como parte da operação, iniciada em maio, especialistas em segurança disseram que o Terceiro Corpo de Exército da Ucrânia conseguiu utilizar grandes drones de bombardeio e robôs controlados remotamente atrás das linhas inimigas nos arredores de Lyman, no norte da região de Donetsk, aparentemente pegando as forças russas de surpresa.

As forças russas vêm tentando cercar, há 12 meses, as chamadas cidades do cinturão fortificado da Ucrânia, que compõem o restante do território da região ainda controlado pelos ucranianos.

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A terceira fase da Operação Vivaldi, no entanto, libertou outros 51 quilômetros quadrados, elevando para 176 quilômetros quadrados a área total de território retomada, afirmou o general de brigada ucraniano Andrii Biletskyi em 28 de setembro. A fase mais recente dos combates provocou mais de 2 mil baixas russas, com mais de 250 soldados russos feitos prisioneiros, acrescentou.

Patrick Bolder, especialista em defesa e consultor estratégico do Hague Center for Strategic Studies (HCSS), descreveu a ofensiva como um “grande golpe” no objetivo mínimo de guerra de Putin de conquistar a região de Donbass.

Além de demonstrar a capacidade de manter os detalhes da operação em sigilo, conduzir campanhas de desinformação contra a Rússia e coordenar uma operação aérea de meses para interromper o abastecimento logístico da linha de frente, Bolder afirmou que as forças ucranianas conseguiram garantir o controle do espaço aéreo na região de Lyman, impedindo a Rússia de utilizar seus drones.

As forças ucranianas então puderam usar seus próprios drones para lançar veículos terrestres não tripulados atrás das linhas inimigas e atacar as tropas russas pela retaguarda, sem colocar seus próprios soldados em risco, disse Bolder.

“Eles fizeram isso de maneira magistral”, afirmou.

Para o Kremlin, “a conquista do Donbass está muito distante neste momento porque os ucranianos chegaram a posições mais fáceis de defender — o que tornará mais difícil para os russos tentarem fazer isso novamente”, acrescentou.

Um porta-voz da Embaixada da Rússia em Londres não estava disponível para comentar quando procurado pela CNBC na sexta-feira.

“Uma mensagem poderosa para Moscou e os parceiros de Kiev”

Especialistas em segurança deixaram claro que a ofensiva de robôs da Ucrânia não deve ser vista como uma ruptura decisiva no conflito.

Ainda assim, ela envia “uma mensagem poderosa a Moscou e aos parceiros de Kiev de que as forças armadas ucranianas, altamente inovadoras, continuam capazes de derrotar a Rússia no campo de batalha”, segundo David Kirichenko, pesquisador associado do Henry Jackson Society, centro de estudos britânico especializado em segurança nacional.

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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, elogiou o sucesso do Terceiro Corpo de Exército da Ucrânia ao se reunir com os soldados que participavam da contraofensiva. Ele descreveu a operação como “importante em muitos aspectos” para a defesa da Ucrânia como um todo e, especialmente, para a região de Donbass.

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“Uma área particularmente promissora agora é substituir nossos combatentes por sistemas robóticos terrestres sempre que possível”, disse Zelenskyy em uma publicação nas redes sociais em 30 de setembro.

“Durante a Vivaldi, essa capacidade nos permitiu realizar muitas coisas. Vamos ampliá-la para que, cada vez mais, um drone, e não um combatente, execute as tarefas mais perigosas na linha de frente”, acrescentou.

A Rússia intensificou os ataques contra a capital ucraniana e outras grandes cidades nos últimos dias, tendo como alvo data centers, redes de comunicação e infraestrutura de energia, em uma tentativa de interromper o fluxo de informações e provocar cortes de energia antes do inverno.

Autoridades ucranianas manifestaram profunda preocupação com os ataques e afirmaram que o país precisa urgentemente ter capacidade para responder rapidamente às ameaças de mísseis e drones.

A Ucrânia, por sua vez, tem buscado elevar o custo da guerra de mais de quatro anos e meio travada contra a Rússia, tendo como alvos refinarias de petróleo e centros logísticos do país.

“Mudando o paradigma da guerra moderna”

Os sistemas robóticos se tornaram um dos principais fatores nas operações de contraofensiva da Ucrânia, segundo Serhii Kuzan, presidente do think tank Ukrainian Security and Cooperation Center, sediado em Kiev.

“Seu uso não apenas reduziu os riscos para o pessoal, como também mudou a própria lógica do combate: onde antes eram necessários dezenas ou centenas de soldados, plataformas controladas remotamente estão sendo cada vez mais utilizadas”, disse Kuzan à CNBC por e-mail.

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“A experiência da Operação Vivaldi demonstrou que a substituição sistemática de pessoal humano por robôs está mudando o paradigma da guerra moderna, permitindo que tarefas sejam realizadas com perdas mínimas de pessoal.”

Kuzan afirmou que, em última análise, a contraofensiva ucraniana na região de Lyman teve como objetivo recuperar a iniciativa no campo de batalha, “o que, em última instância, obrigará o Exército russo a abandonar os objetivos estabelecidos por sua liderança política”.

Autoridades ucranianas afirmaram que a liderança política da Rússia havia estabelecido anteriormente como objetivo conquistar a região de Donetsk até o fim do ano, embora o Exército russo agora esteja buscando uma extensão do prazo até março do próximo ano.

“Isso ocorre porque, segundo a inteligência ucraniana, nos principais eixos de avanço de Kostiantynivka, Sloviansk e Kramatorsk, o Exército russo está sofrendo suas maiores perdas, que representam entre 70% e 80% de todas as baixas”, afirmou Kuzan.

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