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Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusa Rússia de violar ‘cessar-fogo energético’ anunciado por Donald Trump
Publicado 12/10/2026 • 09:26 | Atualizado há 49 minutos
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Publicado 12/10/2026 • 09:26 | Atualizado há 49 minutos
KEY POINTS
UKR - Foto: EFREM LUKATSKY/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia, nesta segunda-feira (12), de realizar novos ataques contra instalações de energia do país, apesar do anúncio de um cessar-fogo feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o governo ucraniano, as ofensivas ocorreram no domingo (11) e atingiram estruturas responsáveis pela produção e distribuição de energia, provocando interrupções no fornecimento de eletricidade.
Entre os locais afetados estão a capital, Kiev, e a região de Kharkiv, onde instalações da empresa estatal de petróleo e gás Naftogaz foram atingidas durante a noite. A companhia informou que os ataques provocaram um incêndio em uma de suas unidades de produção de gás.
Os bombardeios ocorreram depois de Trump anunciar que Moscou e Kiev haviam concordado em suspender ataques contra a infraestrutura energética um do outro. A declaração, no entanto, não foi acompanhada de uma confirmação oficial do governo russo.
Segundo a publicação alemã Deutsche Welle, durante o Fórum de Segurança de Varsóvia, na Polônia, Zelensky afirmou que tomou conhecimento da proposta de cessar-fogo pela imprensa. O presidente ucraniano declarou que seu governo estaria disposto a cumprir uma suspensão recíproca dos ataques, desde que a Rússia também respeitasse os termos.
Apesar dessa disposição, Zelensky demonstrou dúvidas sobre a possibilidade de a iniciativa produzir resultados concretos, diante da continuidade das ofensivas russas contra instalações de energia.
O governo de Moscou não se pronunciou imediatamente sobre o anúncio feito por Washington, deixando sem esclarecimento se houve um entendimento entre os países ou quais seriam as condições para sua aplicação.
Leia também: Zelensky diz que Ucrânia aceita cessar-fogo energético, mas cobra compromisso da Rússia
A proposta de interrupção dos bombardeios foi divulgada por Donald Trump em uma publicação nas redes sociais, no domingo. O presidente americano afirmou que os dois países haviam concordado em suspender mutuamente os ataques às instalações energéticas, com efeito imediato.
Não foram apresentados detalhes sobre a duração da medida, possíveis mecanismos de fiscalização ou consequências em caso de descumprimento.
A iniciativa também não é a primeira tentativa anunciada por Washington para limitar ataques à infraestrutura energética durante a guerra. Em 14 de setembro, Trump havia informado que Rússia e Ucrânia chegaram a um entendimento semelhante, mas a declaração não resultou em uma suspensão efetiva das ofensivas.
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Siga o Times | CNBCA possibilidade de uma trégua no setor energético foi recebida com cautela por representantes da União Europeia. A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, reconheceu a importância de interromper os ataques, especialmente diante da aproximação do inverno, quando aumenta a necessidade de eletricidade e aquecimento.
Kallas, entretanto, afirmou não identificar sinais concretos de que o governo russo esteja disposto a cumprir um eventual compromisso.
A representante europeia também defendeu que uma iniciativa de cessar-fogo tenha alcance mais amplo, incluindo a proteção da população civil, e não apenas a preservação de instalações de produção e distribuição de energia.
Em paralelo, a União Europeia pediu aos Estados Unidos que mantenham a pressão diplomática e econômica sobre Moscou. O bloco também aprovou novas sanções direcionadas ao complexo militar-industrial russo, responsável por atividades relacionadas à produção de equipamentos e materiais utilizados na guerra.
Além das discussões sobre a suspensão dos ataques, outro movimento do governo americano provocou preocupação entre autoridades ucranianas e europeias.
Na sexta-feira (9), Trump fechou um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para a compra de diesel da Rússia pelos Estados Unidos. A negociação foi apresentada como uma tentativa de conter a alta dos preços dos combustíveis no mercado americano.
A medida ocorre em um contexto de pressão sobre o governo dos Estados Unidos devido ao aumento dos custos de energia, às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para o mês seguinte.
Representantes da Ucrânia e de países europeus criticaram a negociação por considerarem que a compra de combustível russo pode ampliar as receitas de Moscou e, consequentemente, contribuir para o financiamento da guerra.
Nesta segunda-feira, ministros das Relações Exteriores de países da União Europeia também questionaram a capacidade do acordo de reduzir os preços da energia. Segundo essas autoridades, a iniciativa parece estar relacionada aos interesses eleitorais do Partido Republicano, que busca ampliar seu apoio nas eleições americanas.
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