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Protestos na França ampliam temor de crise da dívida e derrubam ações, títulos de dívida e euro nesta segunda
Publicado 19/10/2026 • 08:00 | Atualizado há 33 minutos
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Publicado 19/10/2026 • 08:00 | Atualizado há 33 minutos
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Gabriel from92 / Wikimedia Commons / CC0 1.0
Manifestação contra o alto custo de vida em Aix-en-Provence, no sul da França, em 17 de outubro de 2026. A onda de protestos aumentou a preocupação dos investidores com o cenário político e fiscal do país.
A instabilidade social, a crise política e o aumento da dívida pública pressionaram os ativos franceses nesta segunda-feira, com títulos do governo e ações negociadas em Paris sob pressão.
O euro caía 0,28% frente ao dólar e recuava 0,24% em relação à libra esterlina.
O rendimento do título francês de 10 anos subiu mais de 10 pontos-base e permaneceu próximo do maior nível em décadas, apesar de algum alívio recente. Rendimentos mais altos significam custos de financiamento maiores para o governo no mercado de dívida. Os títulos de 2 e 30 anos avançavam 6 e 8 pontos-base, respectivamente.
As ações também ficaram sob pressão. O índice CAC 40 caía 1,34% nas negociações da manhã desta segunda-feira. O mercado francês tem apresentado desempenho bem inferior ao de outros mercados europeus nos últimos anos, à medida que a instabilidade política aumentou, apesar de apenas cerca de 15% das receitas das empresas do índice serem geradas dentro da França. Os bancos estão entre os setores mais pressionados.
O mercado acionário francês é historicamente sensível ao aumento do chamado “spread OAT-Bund”, a diferença entre os rendimentos dos títulos da França e da Alemanha. Essa diferença atingiu o maior nível desde a crise da dívida soberana europeia, no início da década de 2010. Os rendimentos franceses agora também superam os da Itália e da Grécia, sinalizando uma percepção de risco maior.
A ampliação dos spreads aumenta as preocupações com o custo de captação das empresas e reforça os temores de impostos mais altos e regras mais rígidas. A bolsa francesa também vem sofrendo com o peso das empresas de luxo, afetadas pela desaceleração dos gastos dos consumidores chineses de alta renda.
Leia também: Macron promete responsabilizar aqueles que “tentaram derrubar a República” após protestos na França
Centenas de milhares de pessoas foram às ruas no fim de semana para protestar contra a paralisia política, o custo de vida e a situação dos serviços públicos, incluindo escolas e o sistema de saúde.
Grandes manifestações em cidades como Paris, Lyon e Marselha terminaram em cenas de prédios e carros incendiados, confrontos com a polícia e mais de 2.000 prisões.
“Se você é um investidor internacional pensando se quer ou não investir em títulos franceses, isso não ajuda”, afirmou Mike Bell, chefe de estratégia de mercado da RBC BlueBay Asset Management, ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, nesta segunda-feira.
“Parece que ou os mercados de títulos entram em revolta, ou as pessoas entram em revolta, ou os dois”, disse Bell.
Investidores estrangeiros detêm uma parcela crescente da dívida francesa, que passou de cerca de 48% no início de 2022 para quase 60% no começo de 2026, o que pode aumentar a volatilidade do mercado de títulos em momentos de maior aversão ao risco.
“O que a França precisa é colocar as contas públicas em ordem. É preciso aumentar a idade de aposentadoria. Não dá para se aposentar aos 62 anos quando a expectativa de vida média é de 84”, afirmou Bell.
“Mas, se tudo isso já está acontecendo antes mesmo de começarem a discutir esse tema, imagine o que poderia ocorrer nas ruas da França se tentassem aumentar a idade de aposentadoria. Aqui no Reino Unido, por exemplo, ela é de 68 anos”, acrescentou.
“Isso faz o país parecer difícil de governar justamente num momento em que precisa tomar decisões difíceis.”
Os custos de financiamento de referência da França estão próximos do maior nível desde 2002, com investidores exigindo um prêmio maior para financiar os gastos do país.
Entre as principais preocupações estão a incerteza em torno da eleição presidencial do próximo ano, na qual Marine Le Pen aparece à frente em várias pesquisas, e a capacidade do governo minoritário do primeiro-ministro Sébastien Lecornu de aprovar o Orçamento de 2027, atualmente em negociação.
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Siga o Times | CNBCAs negociações orçamentárias têm se tornado cada vez mais difíceis na França e já derrubaram dois antecessores recentes de Lecornu.
Analistas afirmam que investidores exigem um programa robusto de consolidação fiscal para evitar um ciclo de deterioração capaz de levar a uma crise da dívida. O déficit persistentemente elevado em relação ao PIB e o fraco crescimento econômico continuam pressionando os custos de financiamento do governo, elevando o custo do serviço da dívida e aumentando ainda mais a preocupação dos investidores.
“Será difícil reduzir o déficit orçamentário sem medidas dolorosas”, afirmou Sharon Bell, estrategista sênior de ações europeias do Goldman Sachs, ao “Squawk Box Europe”, da CNBC.
“Os impostos sobre as empresas francesas podem muito bem subir. Acho que os impostos podem aumentar de forma mais ampla na França. Consolidação fiscal significa gastar menos ou arrecadar mais. Essas duas coisas são muito difíceis.”
“Le Pen, que está em alta nas pesquisas neste momento, falou em adotar uma regra de ‘Orçamento de Ouro’ durante seu mandato, mas ainda não detalhou como isso funcionaria”, acrescentou Bell.
“Uma das razões pelas quais os spreads entre OATs e Bunds não estão diminuindo é que os investidores duvidam de que haverá uma consolidação fiscal significativa e uma redução do déficit orçamentário.”
Ken Egan, diretor sênior de risco soberano da agência de classificação KBRA, observou, porém, que os leilões realizados na semana passada mostraram que ainda existe “uma demanda subjacente muito sólida pela dívida francesa”.
“É uma manhã de maior aversão ao risco de forma geral, mas a França está claramente sofrendo um pouco mais de pressão. A pergunta que os mercados farão é com que facilidade o país conseguirá avançar a partir daqui”, afirmou Egan por e-mail.
Sharon Bell, do Goldman Sachs, afirmou não acreditar que as condições atuais justifiquem uma intervenção emergencial do Banco Central Europeu, que “não quer” recorrer a instrumentos como o Instrumento de Proteção da Transmissão.
Segundo ela, porém, se a ampliação dos spreads começar a prejudicar a liquidez do mercado, o BCE poderá recorrer ao mecanismo.
Uma medida desse tipo seria politicamente sensível e provavelmente exigiria que a França adotasse reformas fiscais ainda mais rigorosas por um período prolongado, semelhantes às implementadas por países como Grécia, Portugal e Irlanda durante a crise da zona do euro, acrescentou.
“Às vezes é necessária a pressão dos mercados, e é isso que vimos neste ano.”
Mike Bell, da RBC BlueBay Asset Management, afirmou, por sua vez, que a França enfrenta um “risco muito real” de uma crise própria de dívida soberana.
“No fim das contas, eles precisam colocar as contas públicas em ordem. Se você sequer sugerisse o que realmente seria necessário para isso, não seria eleito. E, se tentasse implementar essas medidas sem ter recebido um mandato eleitoral para isso, haveria protestos nas ruas.”
Antes de qualquer intervenção, haverá um “confronto enorme entre quem vencer a próxima eleição e o BCE”, acrescentou Bell. Segundo ele, o banco central dificilmente agirá a menos que os países cumpram as regras do procedimento por déficit excessivo, segundo as quais o déficit público não deve ultrapassar 3% do PIB. O déficit atual da França está em torno de 5%.
O presidente do Banque de France, Emmanuel Moulin, disse à CNBC na semana passada que a alta dos rendimentos dos títulos franceses se deve à incerteza política, mas afirmou ser “possível voltar a um déficit de 3% em 2029, que é a meta do governo”.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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