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Sírios comemoram ‘day after’ após queda de Assad
Publicado 09/12/2024 • 08:12 | Atualizado há 2 anos
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Publicado 09/12/2024 • 08:12 | Atualizado há 2 anos
Após a queda do presidente Bashar al-Assad, a população síria se reuniu na principal praça de Damasco nesta segunda-feira, 27, segundo relato de jornalistas da AFP. Muitas pessoas consideram este momento como um novo amanhecer há muito esperado. A queda de Assad ocorreu no domingo, 26, depois de uma ofensiva relâmpago liderada por rebeldes islamistas, encerrando cinco décadas de domínio de sua família.
O Kremlin não confirmou as notícias sobre a possível fuga de Assad para Moscou, apesar de sua longa aliança. Nos arredores da Praça Umayyad, em Damasco, repórteres da AFP observaram a presença de combatentes enquanto moradores felizes chegavam ao local após o toque de recolher imposto pelos rebeldes na cidade. “É indescritível, nunca pensamos que esse pesadelo acabaria; renascemos”, afirmou Rim Ramadan, funcionária do Ministério das Finanças, à AFP.
“Tínhamos medo de falar por 55 anos, até mesmo em casa, costumávamos dizer que as paredes tinham ouvidos”, disse Ramadan, enquanto pessoas buzinavam e rebeldes disparavam para o alto. “Parece que estamos vivendo um sonho”, acrescentou. O fim do regime de Assad marca o término de uma guerra civil de 13 anos, iniciada após uma brutal repressão a protestos pró-democracia, que ceifou mais de 500 mil vidas e deslocou metade da população pré-guerra.
Assad herdou de seu pai, Hafez al-Assad, um sistema onde qualquer suspeita de dissidência poderia levar à prisão ou morte. “Saí hoje e agradeço a Deus… não há mais o que temer”, declarou Abdelmonem Naqli. “Esperamos que a economia volte a se estabilizar e que tudo corra bem”, completou. Algumas áreas da cidade estavam desertas e muitas lojas permaneceram fechadas, mesmo depois do fim do toque de recolher.
Instituições públicas e escolas também estavam fechadas, e uma equipe da AFP viu combatentes próximos ao banco central. “Graças a Deus, fomos libertados”, disse Aamer al-Debass. “Agora, esperamos que as coisas melhorem aos poucos”, acrescentou. Apesar dos protestos em massa e da rebelião armada, Assad manteve-se no poder com apoio de Rússia e Irã. No entanto, em 27 de novembro, a coalizão de rebeldes liderada pelo Hayat Tahrir al-Sham iniciou uma ofensiva que tomou várias cidades até chegar a Damasco.
Em poucos dias, a resistência do exército e das forças de segurança desmoronou. Os rebeldes avançaram nas principais cidades, como Aleppo, Hama e Homs, até alcançarem a capital, encerrando décadas de governo do partido Baath.
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Juliana Colombo é jornalista especializada em economia e negócios. Já trabalhou nas principais redações do país, como Valor Econômico, Forbes, Folha de S. Paulo e Rede Globo.
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