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Tarifas elevadas de Trump não têm funcionado como esperado, diz ex-secretário de Comércio Exterior
Publicado 02/04/2026 • 21:51 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 02/04/2026 • 21:51 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
Um ano após o chamado “Liberation Day”, o aumento de tarifas promovido pelo presidente Donald Trump segue produzindo efeitos no comércio internacional e reforçando uma tendência de maior protecionismo global, avalia Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio fundador da BMJ. Ele concedeu uma entrevista nesta quinta-feira (2) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo Barral, a principal conclusão desse período é que tarifas elevadas não têm funcionado como esperado. “Esse nível de tarifa não funciona”, afirmou, citando como evidências a inflação nos Estados Unidos e a decisão da Suprema Corte que considerou ilegal o uso da principal base jurídica adotada pelo governo.
Apesar disso, o governo americano segue buscando alternativas para manter a política. “O governo Trump continua insistindo e tem utilizado outros mecanismos para elevar tarifas”, disse.
Para o especialista, o avanço do protecionismo não começou com Trump, mas foi intensificado por ele. “Essa onda protecionista começou depois da crise de 2009”, afirmou, lembrando que o movimento ganhou força com a pandemia e a guerra na Ucrânia.
Segundo Barral, as tarifas atuais são as mais altas aplicadas pelos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, o que contribui para um ambiente global mais fechado.
“Vários países também estão elevando tarifas, o que dificulta o crescimento do comércio internacional”, disse.
Na avaliação de Barral, o Brasil é relativamente menos vulnerável ao cenário global por ter uma economia menos dependente do comércio exterior. “Cerca de 15% do PIB brasileiro ou menos está ligado às exportações, enquanto no México esse número chega a 80%”, afirmou.
Ainda assim, alguns setores brasileiros continuam fortemente impactados. Produtos como aço, alumínio, cobre, móveis e madeira enfrentam tarifas de até 50%, acima da alíquota básica de 10% aplicada pelos Estados Unidos.
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Siga o Times | CNBCBarral também destaca o risco de novas medidas contra o País, como a investigação 301 aberta pelos EUA, baseada em alegações de discriminação contra empresas americanas. “O Brasil é um dos países que sofre e continuará sob essa ameaça, caso não haja acordo com os Estados Unidos”, afirmou.
Além disso, há novas investigações envolvendo trabalho forçado, que abrangem dezenas de países e podem servir de base para futuras tarifas.
Negociações devem continuar e gerar volatilidade
Mesmo com o foco recente dos EUA na guerra com o Irã, Barral afirma que a agenda comercial segue ativa. “As negociações continuam e a pressão sobre vários países permanece”, disse, citando tratativas com Europa, China, Argentina e Guatemala.
Segundo ele, muitos acordos firmados pelos EUA são considerados unilaterais e exigem abertura de setores estratégicos, o que dificulta a adesão do Brasil. “Essa negociação com o Brasil deve se estender por mais tempo, com idas e vindas nas tarifas”, afirmou.
Para o especialista, embora não tenha havido repasse integral das tarifas ao consumidor, os efeitos são perceptíveis. “O custo de vida nos Estados Unidos está muito alto”, disse, apontando que os preços também são pressionados pelo aumento do petróleo e combustíveis.
Segundo Barral, a perda de poder de compra da população americana pode ter impacto político. “Parte dessa pressão é derivada das tarifas”, concluiu.
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