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Tatiana Sasson: escalada da guerra no Irã reforça busca por transição energética
Publicado 02/04/2026 • 16:38 | Atualizado há 7 meses
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Publicado 02/04/2026 • 16:38 | Atualizado há 7 meses
KEY POINTS
A escalada da guerra no Irã recolocou a segurança energética no centro da agenda global e reforçou a necessidade de diversificação das fontes de energia. É o que afirma Tatiana Sasson, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC e head de impacto da Lightrock.
Na avaliação dela, o debate sobre transição energética hoje passa menos por descarbonização e mais por resiliência diante de choques geopolíticos que afetam o petróleo e toda a cadeia de preços.
“O tema hoje é muito mais sobre segurança do que sobre descarbonização”, afirmou.
Segundo Tatiana, fontes como solar, eólica e hídrica ganham relevância justamente por não dependerem de gargalos estratégicos como o Estreito de Ormuz.
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“O que se tem falado muito entre especialistas é que energia solar, energia eólica, energia hídrica não passam pelo Estreito de Ormuz”, disse. “Isso faz com que essa diversificação, de você ter outras fontes energéticas que combinem com o petróleo, se torne cada vez mais relevante.”
Ela ponderou, porém, que crises dessa natureza também podem gerar retrocessos de curto prazo, como ocorreu na Europa após a invasão da Ucrânia pela Rússia, quando países voltaram a recorrer ao carvão diante da crise de abastecimento de gás natural.
“No curto prazo, a gente vê alguns impactos negativos na transição energética”, afirmou. “A Europa, que sempre esteve na vanguarda da transição energética, quando se viu diante de uma crise de segurança energética, voltou a queimar carvão.”
Ao citar exemplos de países que vêm avançando na agenda, Tatiana destacou a ambiguidade da China, que ao mesmo tempo continua dependente de combustíveis fósseis e lidera cadeias industriais ligadas à transição energética.
“É impossível você pensar em eletrificação de veículos, em novas tendências de transição energética, sem pensar na China”, disse. “Se você vê que ela está indo para lá, isso significa que vai ter escala. E escala quer dizer que vai reduzir preço.”
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Siga o Times | CNBCEla também colocou o Brasil em posição favorável, tanto pela composição da matriz elétrica quanto pelo histórico de uso de biocombustíveis no transporte.
“Quando a gente pensa em energia elétrica, a nossa dependência de fontes fósseis é muito baixa, quase 90% da nossa matriz elétrica”, afirmou. “E quando a gente pensa na matriz de transporte, 85% da nossa frota de veículos leves são flex.”
Tatiana também apontou o hidrogênio verde como uma das tecnologias com potencial de ganhar tração mais rapidamente em cenários de petróleo caro e volátil.
“O hidrogênio verde não soa como ficção científica no sentido de que a viabilidade dele existe”, disse. “Mas, do ponto de vista econômico, imaginar que ele vai ser escalado e competitivo comercialmente ainda soa como ficção científica.”
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Segundo ela, a própria guerra pode acelerar essa mudança de percepção ao tornar alternativas energéticas mais competitivas.
“Quando você tem um petróleo a US$ 100, uma volatilidade superalta e 20% do petróleo do mundo passando por um desafio logístico relevante, você começa a pensar que, do ponto de vista econômico, isso pode sim se tornar mais viável muito mais rápido do que a gente imagina”, afirmou.
Tatiana também destacou que tecnologias antes vistas como distantes, como veículos elétricos, já avançaram rapidamente nos últimos anos, o que reforça a possibilidade de novas transformações em prazo menor do que o esperado.
“Tem muita coisa de ficção científica que vai se tornar realidade nos próximos anos”, disse.
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