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Toques de recolher reduzem tensão na França, enquanto Macron é criticado por viagem ao Golfo

Publicado 20/10/2026 • 07:50 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, afirmou nesta terça-feira que algumas áreas continuarão sob toque de recolher após os episódios de violência registrados no fim de semana.
  • Crescem as críticas à decisão do presidente Emmanuel Macron de viajar pelo Oriente Médio em meio à crise interna.
  • O Parlamento negocia o Orçamento de 2027, enquanto analistas alertam para a necessidade de reduzir o déficit e conter a alta dos custos de financiamento do governo.
Manifestantes na Praça da República, em Paris, durante protestos em outubro de 2026

FreCha / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0

Manifestantes ocupam a Praça da República, em Paris, durante protestos em 17 de outubro de 2026. A onda de mobilizações levou autoridades francesas a manter toques de recolher em algumas áreas do país.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou nesta terça-feira que os toques de recolher contribuíram para uma noite “tranquila” em toda a França, embora a insatisfação popular continue elevada após os protestos em massa, saques e episódios de violência do fim de semana.

Algumas áreas de várias cidades francesas ficaram sob toque de recolher durante a noite, incluindo a Praça da República e Les Halles, em Paris, além de partes do centro de Lyon. Lille e Nice estavam entre as cidades que impuseram toque de recolher para menores de idade.

A onda de protestos ocorre em um momento particularmente delicado para a França, onde a insatisfação com o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos se soma à instabilidade política e a uma crise fiscal que ameaça se transformar em uma crise da dívida, à medida que os custos de financiamento do governo atingem o maior nível em décadas.

O país enfrenta um Parlamento fragmentado, sem maioria, e terá eleições presidenciais em abril de 2027.

Em comunicado nesta terça-feira, Lecornu afirmou que autoridades locais poderão impor novos toques de recolher onde houver necessidade.

Leia também: Protestos na França ampliam temor de crise da dívida e derrubam ações, títulos de dívida e euro nesta segunda

Ao mesmo tempo, aumentam as críticas à decisão do presidente Emmanuel Macron de iniciar uma viagem de três dias pelo Oriente Médio enquanto a França enfrenta os episódios de violência mais graves em muitos anos.

Os tumultos ocorreram após semanas de manifestações contra problemas no sistema educacional, o custo de vida e outras questões.

Embora centenas de milhares de pessoas tenham participado de atos pacíficos, episódios de violência ocorreram em algumas áreas e chocaram o país, com manifestantes quebrando vitrines e incendiando a prefeitura de Limoges.

O comentarista político Christophe Barbier afirmou na segunda-feira, à rádio RTL, que “não há mais ninguém no comando”. Ao mesmo tempo, o jornal La Dépêche du Midi escreveu, em um editorial crítico, que Macron precisava “ver se a miséria de um presidente rejeitado é menos dolorosa sob o sol do Golfo Pérsico”, enquanto a França “mergulha ainda mais na crise”.

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Macron afirmou no domingo que pretende usar a viagem ao Kuwait, aos Emirados Árabes Unidos, ao Bahrein e ao Catar para tratar dos preços elevados dos combustíveis e reforçar a segurança energética da França, além de ampliar a cooperação em defesa e segurança.

Empresas afetadas

Também há insatisfação pública com as acusações de que a polícia perdeu o controle da situação no fim de semana, à medida que os saques e os distúrbios se intensificaram. No início deste mês, a polícia já havia sido acusada de uso excessivo da força na repressão a protestos estudantis, depois que um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos após a explosão de uma granada de efeito moral.

“A falta de ação das autoridades significa que mais de 3.000 lojas foram saqueadas. Para a economia, acordamos hoje com a sensação de que o Estado não consegue cumprir uma de suas funções básicas, e isso está gerando perda de confiança”, afirmou Fabrice Le Saché, vice-presidente da entidade empresarial MEDEF, ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, nesta terça-feira.

“Isso é perigoso porque estamos acostumados a protestos violentos em nosso país, basta lembrar dos Coletes Amarelos e de outros movimentos, mas este, na minha avaliação, ultrapassou o nível dos anteriores. Não podemos continuar enfrentando esse mesmo tipo de situação toda vez que há tensão social”, disse Le Saché.

As empresas francesas já enfrentam uma das maiores cargas tributárias da zona do euro e agora sentem que não recebem nem mesmo segurança básica em troca, acrescentou.

Lecornu afirmou na segunda-feira que será criado um fundo de apoio para empresas danificadas ou saqueadas e que o governo conversará com as seguradoras para acelerar as avaliações dos prejuízos.

Os ativos franceses ficaram sob pressão na segunda-feira após as cenas do fim de semana, com queda dos títulos públicos, das ações e do euro, em meio ao aumento das dúvidas sobre a capacidade do país de reduzir o déficit a um nível sustentável.

O debate sobre o Orçamento de 2027 está cada vez mais acirrado. O governo pretende reduzir o déficit para 5% do PIB, ante 5,4%.

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