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Trump está “fazendo a China grande de novo”, diz pesquisa global

Publicado 17/01/2026 • 16:36 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Levantamento com cerca de 26 mil pessoas em 21 países aponta que a maioria espera aumento da influência global da China na próxima década.
  • A confiança nos Estados Unidos recuou entre aliados e adversários, um ano após o retorno de Donald Trump à presidência, segundo o estudo.
  • Países fora do eixo tradicional do Ocidente veem a ascensão chinesa como oportunidade em um cenário internacional mais multipolar.
O candidato presidencial republicano e ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala após votar em uma seção eleitoral no Morton and Barbara Mandel Recreation Center, em Palm Beach, na Flórida, nesta terça-feira, 5 de novembro de 2024.

Imagem de Donald Trump em 5 de novembro de 2024

Evan Vucci/Associated Press/Estadão Conteúdo

A volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos tem contribuído para fortalecer a percepção de avanço da China no cenário global. É o que indica uma nova pesquisa do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), em parceria com a Universidade de Oxford.

O levantamento, realizado com cerca de 26 mil pessoas em 21 países, indica que a maioria dos entrevistados acredita que a China vai ampliar sua influência internacional na próxima década. Ao mesmo tempo, a imagem dos Estados Unidos vem se deteriorando tanto entre aliados históricos quanto entre países tradicionalmente adversários de Washington.

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De acordo com o relatório, a postura mais agressiva do governo Trump, marcada pelo discurso de “America First” e pelo distanciamento de organismos multilaterais, tem levado parte da opinião pública global a enxergar Pequim como uma alternativa diplomática e econômica mais previsível.

África do Sul lidera a percepção positiva sobre a ascensão chinesa: 83% dos entrevistados no país acreditam que a influência da China continuará crescendo. No Brasil, esse percentual chega a 72%, enquanto na Turquia é de 63%. Nos Estados Unidos, 54% compartilham essa visão. Já no Reino Unido, o índice cai para 50%, o menor entre os países pesquisados.

Parte relevante dos entrevistados também avalia que a China já exerce influência global significativa e que esse peso deve se manter estável nos próximos anos. A força tecnológica e industrial do país é apontada como principal motor desse avanço, especialmente nos setores de veículos elétricos, energia renovável e tecnologias limpas.

Apesar do crescimento da presença chinesa, poucos países demonstram preocupação direta. Apenas na Ucrânia e na Coreia do Sul a maioria dos entrevistados classifica a China como rival ou adversária. Em várias regiões, cresce a percepção de que Pequim é um parceiro estratégico necessário.

Mesmo nos Estados Unidos, 41% dos entrevistados veem a China como um parceiro indispensável. Na Índia, esse percentual chega a 47%, refletindo uma aproximação recente entre os dois países em meio a tensões comerciais com Washington.

A pesquisa também aponta que muitos países não se sentem obrigados a escolher entre Estados Unidos e China, enxergando o cenário internacional como cada vez mais multipolar, e não como uma disputa bipolar ideológica.

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Enquanto isso, a avaliação sobre Trump piorou em boa parte dos países. Em várias regiões, uma parcela crescente da população acredita que a influência global dos Estados Unidos pode diminuir nos próximos anos. Na União Europeia, apenas 16% consideram os EUA um aliado, enquanto 25% já os veem como rival ou adversário.

O estudo atribui parte dessa mudança às políticas comerciais agressivas do governo americano, às tarifas impostas a parceiros comerciais e à condução instável da política externa, incluindo a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Segundo os pesquisadores, a combinação de retração americana e assertividade chinesa tem ampliado o espaço de manobra de países fora do eixo tradicional do Ocidente, que passam a enxergar oportunidades em um sistema internacional menos centrado em uma única potência.

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