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Trump libera mais carne da Argentina para conter preços e redesenha comércio agro
Publicado 07/02/2026 • 22:10 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 07/02/2026 • 22:10 | Atualizado há 2 horas
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AEN
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto autorizando a ampliação temporária das importações de determinados cortes de carne bovina para tentar conter a alta dos preços no mercado interno.
Segundo comunicado da Casa Branca, a medida prevê que, em 2026, o país passe a comprar mais 80 mil toneladas de aparas de carne bovina magra. O volume adicional será destinado integralmente à Argentina.
No texto, Trump afirma que o objetivo é aumentar a oferta de carne moída aos consumidores americanos, diante da escalada dos preços e da redução da produção doméstica.
O decreto se baseia em uma legislação americana que autoriza o presidente a ajustar importações quando há escassez causada por eventos como desastres naturais, doenças ou grandes distorções no mercado.
O governo cita uma combinação de fatores que pressionaram o setor pecuário:
• Seca prolongada em 2022
• Incêndios florestais no oeste do país
• Restrições sanitárias sobre gado vindo do México
Com a oferta menor e a demanda elevada, os preços dispararam. Dados do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos mostram que a carne moída chegou a uma média de US$ 6,69 por libra em dezembro de 2025, o maior nível desde que o órgão começou a monitorar esses valores, nos anos 1980.
O decreto também determina que o secretário de Agricultura acompanhe continuamente o mercado e informe a Casa Branca sobre eventuais novas intervenções.
A ampliação da cota vem logo após um acordo firmado entre Washington e Buenos Aires para aprofundar relações comerciais e investimentos.
O entendimento foi anunciado pelo presidente argentino Javier Milei e prevê redução de tarifas, facilitação do comércio e estímulos a aportes em setores estratégicos.
Entre os pontos destacados estão:
• Eliminação de tarifas americanas para 1.675 produtos argentinos
• Ampliação para 100 mil toneladas do acesso preferencial da carne bovina argentina ao mercado dos EUA
• Revisão de tarifas sobre aço e alumínio
• Apoio a investimentos em energia, minerais críticos, infraestrutura e tecnologia
Nesse último item entram instituições como o Export-Import Bank of the United States e a U.S. International Development Finance Corporation, que devem apoiar financiamentos privados no país sul-americano.
Em contrapartida, a Argentina se comprometeu a abrir mais espaço para produtos americanos, com:
• Eliminação de taxas sobre 221 posições tarifárias, incluindo máquinas e dispositivos médicos
• Redução para 2% de outras 20 categorias, principalmente autopeças
• Concessão de cotas para veículos, carne e produtos agrícolas
Para o agronegócio e para investidores, a decisão dos EUA sinaliza como choques climáticos e sanitários já estão alterando fluxos comerciais globais. A entrada maciça da carne argentina no mercado americano pode pressionar preços internacionais e influenciar exportadores como Brasil e Austrália.
Em linguagem econômica, trata-se de uma tentativa de aliviar a inflação de alimentos no curto prazo sem comprometer totalmente a produção local, enquanto se fortalece um parceiro estratégico na América do Sul.
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