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Trump mira US$ 1 bilhão contra Harvard e reacende guerra cultural nas universidades

Publicado 04/02/2026 • 07:36 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Casa Branca amplia ofensiva e pede indenização bilionária após recuo em negociações.
  • Corte de verbas federais já foi derrubado pela Justiça.
Campus da Universidade de Harvard, em Boston, Massachusetts

Rick Friedman/AFP

Campus da Universidade de Harvard, em Boston, Massachusetts

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que sua administração vai buscar US$ 1 bilhão em indenizações contra a Harvard University, elevando o tom do embate que há meses coloca a universidade no centro de uma ofensiva política contra o que o governo chama de ideologias “woke” nos campi americanos.

A declaração veio depois de o New York Times revelar que a Casa Branca havia recuado de uma exigência anterior de US$ 200 milhões durante negociações com a instituição. Em resposta, Trump publicou mensagem na rede Truth Social, acusando Harvard de “alimentar muita bobagem” ao jornal.

Para o mercado e para investidores ligados ao setor educacional, o episódio acende um alerta. A disputa envolve bilhões em financiamento público, patentes de pesquisa e a autonomia de uma das universidades mais prestigiadas do planeta.

Leia também: Trump acusa Harvard de antissemitismo e ataca o jornal New York Times

Acusações, protestos e a reação de Harvard

Autoridades do governo afirmam que Harvard não teria feito o suficiente para combater episódios de antissemitismo durante protestos pró palestinos no campus. A universidade rejeitou as acusações.

Segundo a Casa Branca, Harvard se tornou um dos alvos centrais da campanha federal para conter o avanço de ideias consideradas radicais nas universidades americanas. A estratégia conversa diretamente com a base política de Trump e viraliza nas redes, numa lógica parecida com as grandes guerras culturais que dominam o debate online.

Bilhões congelados e reviravolta judicial

Em abril do ano 2025, o governo revogou cerca de US$ 2 bilhões em bolsas de pesquisa e congelou outros repasses federais à instituição. Harvard reagiu judicialmente, afirmando que nenhum governo deveria ditar o que universidades privadas podem ensinar, quem podem contratar ou quais áreas de pesquisa devem priorizar.

Um tribunal federal acabou revertendo os cortes, ao entender que a medida violava direitos constitucionais ligados à liberdade de expressão acadêmica. Mesmo assim, a Casa Branca prometeu contestar a decisão e declarou que Harvard continuaria inelegível para novos subsídios.

Antes do anúncio mais recente, as duas partes discutiam um possível acordo para destravar os recursos. Isso mudou de forma abrupta.

“Agora buscamos US$ 1 bilhão em indenizações e não queremos mais nada com Harvard no futuro”, escreveu Trump. Ele acusou a universidade de “ilegalidades graves”, sem detalhar quais leis teriam sido quebradas.

Patentes, impostos e pressão sobre a Ivy League

O presidente já havia ameaçado retirar o status de isenção fiscal da universidade e assumir o controle de patentes originadas em pesquisas financiadas com recursos públicos. Para executivos do setor de inovação, esse ponto é especialmente sensível, já que muitas startups e spin offs acadêmicas nascem exatamente desse tipo de pesquisa.

Enquanto Harvard escolheu a via judicial, outras instituições da Ivy League preferiram negociar. Columbia University, University of Pennsylvania e Brown University fecharam acordos com a administração Trump para preservar verbas ameaçadas por acusações semelhantes.

O que o mercado observa agora

Para analistas, a escalada retórica transforma universidades em players centrais de uma disputa política que também envolve bilhões de dólares em inovação, biotecnologia e inteligência artificial. Em linguagem de millennials, é o tipo de conflito que começa como debate ideológico, vira thread interminável nas redes e termina com impacto direto no fluxo de capital.

Se a ofensiva prosperar, ela pode redefinir a relação entre Washington e o ensino superior privado nos Estados Unidos, com efeitos que vão muito além de Harvard e atingem fundos de pesquisa, empresas parceiras e investidores globais.

(*com informações da BBC)

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