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CNBCEUA e Irã rejeitam cessar-fogo após Trump dar prazo para abrir Ormuz

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Ultimato de Trump ao Irã e sinais de possível acordo deixam investidores em suspense

Publicado 06/04/2026 • 15:54 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Donald Trump prometeu “abrir as portas do inferno” no Irã caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto até terça-feira, às 20h (horário do Leste dos EUA)
  • Trump também afirmou haver “boa chance” de um acordo até segunda-feira
  • Sinais contraditórios forçam investidores a se posicionar para cenários totalmente opostos
  • Mesmo um avanço diplomático pode não trazer alívio imediato aos mercados
Na mesma postagem, Trump deixou clara a posição americana caso o Estreito permaneça bloqueado

Na mesma postagem, Trump deixou clara a posição americana caso o Estreito permaneça bloqueado

Os investidores começaram a semana presos entre dois futuros possíveis: um acordo rápido que encerre a guerra entre os EUA e o Irã ou uma escalada significativa, capaz de impulsionar ainda mais os preços do petróleo e os rendimentos dos títulos públicos.

No domingo, 5, o presidente dos EUA, Donald Trump, lançou um ultimato carregado de linguagem agressiva, alertando que o Irã “viveria no inferno” caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto até terça-feira, 7, às 20h, descrevendo a data como “dia da usina e dia da ponte, tudo ao mesmo tempo”.

Separadamente, em entrevista à Fox News no mesmo dia, Trump disse estar otimista e ver “boa chance” de um acordo até esta segunda-feira.

Essas mensagens conflitantes criam um cenário em que investidores são obrigados a se preparar para desfechos radicalmente diferentes.

Enquanto isso, o Irã rejeitou as ameaças mais recentes de Trump e afirmou que a via marítima só será totalmente reaberta após compensações pelos danos causados pela guerra. O país manteve ataques no Golfo durante o fim de semana, incluindo ações contra instalações petrolíferas no Kuwait.

“Os mercados estão em alerta máximo, com o tempo se esgotando e apenas dois caminhos possíveis — trégua ou escalada”, afirmou Rob Subbaraman, do Nomura. Segundo ele, o tom de Trump indica urgência na Casa Branca para encerrar o conflito, enquanto investidores seguem se protegendo contra o risco de agravamento.

Trump tem oscilado entre celebrar negociações produtivas e alertar que está pronto para intensificar a ação militar contra o Irã. Ele também já adiou diversas vezes o prazo para a reabertura do estreito.

Essa comunicação errática tem gerado volatilidade nos mercados, com negociações irregulares no petróleo. O S&P 500 subiu 3,4% na semana passada — maior ganho desde novembro — impulsionado pela expectativa de solução diplomática. Já o Cboe Volatility Index avançou de abaixo de 20 para cerca de 24.

“O tom mais agressivo de Trump segue seu padrão: guiado por manchetes, imprevisível e desenhado para exercer pressão máxima rapidamente”, disse Mohit Mirpuri, da SGMC Capital. “Os mercados terão de se acostumar com esse estilo enquanto ele estiver no poder.”

Risco de estagflação no horizonte

A guerra, que já dura um mês, e o bloqueio do Estreito de Ormuz ameaçam desencadear uma das mais severas crises energéticas da história. E mesmo um avanço diplomático pode não ser o bastante para que os mercados aliviem de prontidão.

O petróleo Brent saltou para US$ 109,77 por barril na segunda-feira — cerca de 50% acima do nível anterior ao início do conflito, em 28 de fevereiro. O WTI americano subiu 66%, sendo negociado a US$ 111,2.

Apesar de leve recuperação recente, o tráfego marítimo pelo estreito — responsável por quase um quarto do petróleo transportado por via marítima no mundo — segue cerca de 95% abaixo dos níveis pré-guerra.

Mesmo que a rota seja reaberta, os danos já foram feitos. “A confiança e as cadeias de suprimento não se reconstroem de uma hora para outra”, disse Mirpuri. “Os mercados vão continuar reagindo a manchetes, com oscilações bruscas.”

A decisão da OPEC+ de elevar a produção em 206 mil barris por dia em maio deve ter efeito limitado, já que o conflito restringe produção e transporte em grandes produtores.

Segundo Subbaraman, a guerra já dura tempo suficiente para provocar picos inflacionários relevantes no mundo. “Se houver escalada, o choque de inflação pode virar um choque de crescimento, com destruição de demanda e até estagflação.”

Rendimentos dos títulos: o risco subestimado

O mercado de renda fixa começou a reprecificar o cenário inflacionário. O rendimento dos Treasuries de 10 anos subiu para 4,36%, ante 3,96% antes da guerra, com investidores reduzindo apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve.

“Um dos riscos mais subestimados é justamente o movimento nos rendimentos dos títulos públicos”, disse Mirpuri. Se a inflação persistir, esses rendimentos podem subir ainda mais, apertando as condições financeiras em um momento já frágil.

O estrategista Ed Yardeni afirmou que o mercado já ajusta preços diante da piora rápida das perspectivas inflacionárias, com investidores impondo disciplina ao crédito. “Não dá para descartar um mercado de baixa ou até recessão”, alertou.

Volatilidade guiada por manchetes

À medida que o prazo de terça-feira se aproxima, os mercados devem seguir altamente voláteis, reagindo a cada sinal vindo de Washington ou Teerã.

Bolsas do Japão e da Coreia subiram após notícia de negociações para um possível cessar-fogo de 45 dias, que poderia abrir caminho para um acordo definitivo — embora as chances de avanço imediato sejam baixas. Já os índices da Índia operaram em queda.

Segundo Hiroki Shimazu, da MCP Asset Management, o cenário atual é dominado por eventos, com oscilações intradiárias guiadas por notícias. Ele vê maior probabilidade de uma redução gradual das tensões, mediada por Omã, do que uma resolução rápida.

“Estamos mais próximos de um impasse prolongado do que de um desfecho claro”, disse.

Investidores também aguardam dados importantes dos EUA nesta semana, incluindo o índice de inflação de consumo (PCE), principal indicador acompanhado pelo Fed.

O ouro, que caiu cerca de 12% desde o início da guerra, enfrenta forças opostas: a demanda por segurança de um lado e, de outro, a pressão de um dólar mais forte e juros mais altos.

“No curto prazo, a incerteza é altíssima — para a maioria, o jogo agora é esperar e observar”, resumiu Chetan Seth, da Nomura.

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