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Kevin Warsh, do Fed, diz que a economia global mostra resiliência surpreendente e prevê caminho turbulento para a IA

Publicado 16/10/2026 • 07:38 | Atualizado há 21 minutos

KEY POINTS

  • Warsh diz que quase todos os setores da economia global mostram resiliência que não previa há cinco ou seis meses
  • Fed subiu juros em setembro e mercado espera manutenção em outubro e alta de 25 pontos-base em dezembro
  • Warsh vê na IA a mudança mais consequente da economia global, com preços em alta no curto prazo e benefício adiante
Warsh

Divulgação/Federal Reserve

O presidente do Fed, Kevin Warsh

A economia mundial resistiu a choques de energia e a uma onda de investimentos em inteligência artificial melhor do que previa o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Kevin Warsh. Ele disse nesta sexta-feira (16) que quase todos os setores mostram uma resiliência que não esperava há cinco ou seis meses.

A fala ocorreu em Bangkok, em evento organizado pela diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, durante o Encontro Anual do FMI e do Banco Mundial.

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Warsh se surpreende com resiliência da economia global

“Quase todos os setores da economia global estão demonstrando uma resiliência que eu não teria previsto há cinco ou seis meses”, afirmou o presidente do Fed.

Os preços da energia dispararam desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou guerra ao Irã em fevereiro. Teerã respondeu com ações contra aliados de Washington no Golfo, e o Oriente Médio entrou em crise.

Além disso, o aumento dos custos do petróleo e do gás, somado à onda de investimentos em IA, elevou a inflação em várias economias, incluindo a dos EUA. Com isso, os bancos centrais passaram a ser pressionados a subir os juros.

Fed sobe juros e mercado projeta nova alta em dezembro

Enquanto isso, muitas economias ricas conseguiram levar a inflação pós-pandemia de volta às metas. O Fed, por sua vez, não atingiu a meta de longo prazo de 2% por mais de cinco anos.

Warsh assumiu a presidência do Fed em maio e prometeu que a instituição cumpriria o compromisso com a estabilidade de preços. Em setembro, elevou os juros pela primeira vez em três anos.

O Fed se reúne novamente neste mês, e o mercado espera a manutenção das taxas antes de um segundo aumento de 25 pontos-base em dezembro.

Por outro lado, Warsh prometeu reduzir a divulgação de informações sobre as posições de política monetária. Na sexta-feira, mais uma vez, evitou antecipar o que pode ocorrer na reunião de outubro.

“Chegamos a uma conclusão” sobre as perspectivas econômicas na reunião de setembro, disse ele. “Gostaria de dizer que, de modo geral, ao longo do último mês, o mundo se comportou de acordo com as nossas expectativas.”

Bancos centrais apertam política monetária em sincronia

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Warsh afirmou ter ouvido de outros participantes dos encontros anuais os “desafios comuns” das economias avançadas. Entre eles, segundo o presidente do Fed, está a disposição de manter a estabilidade de preços. “Ouvi, eu diria, uma determinação dos meus colegas em todo o mundo para garantir a estabilidade de preços”, disse.

A maioria dos países ricos começou a elevar os juros diante da inflação em alta, entre eles o Banco Central Europeu (BCE).

Na avaliação de Warsh, cada autoridade agiu de acordo com o próprio julgamento e suas atribuições, mas o resultado foi um movimento conjunto. “Houve um aperto sincronizado na política monetária na maioria dos lugares do mundo”, afirmou.

Em seguida, ele acrescentou que a coincidência de medidas afasta o risco de oportunismo. “Isso significa que não há aproveitadores. Estamos vendo coisas em comum, tomando medidas, e considero isso um desenvolvimento positivo.”

Alta dos títulos da França entra na conversa do BCE

Já o governador do Banco da França, Emmanuel Moulin, disse à AFP na sexta-feira que a alta dos rendimentos dos títulos do país ajuda o BCE a apertar as condições financeiras.

“Este aperto das condições financeiras, impulsionado por esta subida das taxas de juro a longo prazo, poderá dar ao BCE uma maior flexibilidade para controlar a inflação”, declarou.

No início desta semana, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a França terá de lidar com o aumento dos rendimentos de seus títulos no âmbito fiscal e que não deve esperar ajuda do banco central.

IA traz preços em alta no curto prazo e caminho turbulento, diz Warsh

Boa parte do debate de sexta-feira girou em torno da inteligência artificial. Warsh disse acreditar que a tecnologia é a “mudança mais consequente” para a economia global que ele já viu. Segundo ele, os efeitos devem ser positivos, e o percurso será “turbulento”.

O presidente do Fed afirmou que encara as implicações macroeconômicas da tecnologia “com sobriedade” em sua função. Entre elas estão um possível aumento da inflação no curto prazo, por efeitos de demanda, e um choque positivo de oferta esperado no longo prazo.

Warsh admitiu que o ciclo de investimentos em IA pressionará os preços no curto prazo, mas disse acreditar em um “enorme benefício” para a economia global adiante. Ele alertou, porém, que há incertezas sobre como os mercados vão se organizar em torno da tecnologia.

“O caminho do ponto em que estamos até lá provavelmente será muito acidentado, acidentado em nossa compreensão da tecnologia, acidentado porque realmente não sabemos qual será a estrutura de mercado dessas novas tecnologias”, disse.

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