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Enel pode perder concessão em SP; Aneel vota rompimento de contrato nesta terça

Publicado 06/10/2026 • 07:13 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • Aneel vota nesta terça-feira (6) se recomenda ao governo federal o rompimento do contrato da Enel em São Paulo.
  • Processo ganhou força após uma sequência de grandes apagões desde 2023; no episódio mais recente, mais de 4 milhões de imóveis foram afetados.
  • Eventual caducidade ainda dependerá de decisão do governo federal e pode gerar custo superior a R$ 10 bilhões para a União.

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve decidir nesta terça-feira (6) se recomenda ao governo federal o rompimento do contrato de concessão da Enel em São Paulo. A análise ocorre após uma sequência de grandes apagões registrados na região desde 2023.

Mesmo que a agência aprove a caducidade, a decisão não encerra automaticamente o contrato. O processo será encaminhado ao Ministério de Minas e Energia, responsável por avaliar a recomendação antes de uma decisão final do governo federal.

Dentro da Aneel, a tendência é de apoio ao rompimento, embora os diretores ainda não tenham antecipado publicamente seus votos. A informação é do Estadão/Broadcast.

Responsável pela relatoria do processo, Agnes da Costa será a primeira integrante da diretoria a votar. Depois dela, os outros quatro diretores poderão acompanhar o parecer, apresentar voto divergente ou pedir vista, o que adiaria a conclusão do julgamento.

A discussão ganhou força depois de três grandes apagões atingirem a região metropolitana de São Paulo desde 2023. No episódio mais recente, em dezembro de 2025, mais de 4 milhões de imóveis ficaram sem energia. Segundo a concessionária, cerca de 80% dos clientes afetados tiveram o fornecimento restabelecido em até 24 horas.

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Após esse episódio, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegaram a defender, conjuntamente, o rompimento do contrato. Nos últimos meses, porém, Silveira passou a mencionar alternativas como uma “saída negociada” ou a transferência do controle da concessionária.

Técnicos do Ministério de Minas e Energia também analisam os efeitos financeiros de uma eventual caducidade. Estimativas preliminares citadas pelo jornal apontam que o custo para a União poderia superar R$ 10 bilhões. A legislação prevê indenização pelos investimentos realizados pela concessionária e ainda não amortizados.

O contrato da Enel em São Paulo termina em julho de 2028. Uma eventual saída antes desse prazo ainda exigiria uma solução para a continuidade da distribuição de energia, seja por meio de transferência de controle ou de uma nova concessão. O próprio governo enfrenta dificuldades para encontrar uma empresa disposta a assumir a operação em prazo curto.

A Enel contesta o processo e afirma que cumpre as metas previstas no contrato. A companhia sustenta, ainda, que melhorou sua resposta a eventos climáticos extremos e aponta supostos problemas jurídicos e processuais na análise de caducidade. Segundo a empresa, os indicadores regulatórios de frequência e de duração das interrupções vêm sendo atendidos.

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