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Inflação de julho surpreende e reacende debate no mercado sobre corte de juros ainda em 2025

Publicado 12/08/2025 • 11:01 | Atualizado há 6 meses

KEY POINTS

  • IPCA de julho ficou em 0,26%, abaixo da mediana de 0,36% esperada pelo mercado.
  • Analistas apontam viés de baixa para inflação de 2025, mas serviços subjacentes seguem elevados.
  • Corte de juros neste ano ganha força nas projeções, apesar de cautela com cenário fiscal.
Carrinho de supermercado com itens básicos para uma família, ilustrando os preços dos principais itens de consumo. Inflação, IPC-S, IPCA, IPC, IGP-M

Valter Campanato/Agência Brasil

Inflação acelera em quatro das sete capitais pesquisadas pelo IPC-S

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,26% em julho, resultado que veio abaixo das estimativas de mercado — cuja mediana apontava alta de 0,36% — e também das projeções mais conservadoras, como a da Ativa Investimentos, de 0,30%. O número repete o ritmo do mês anterior (0,24%) e reforça um cenário mais benigno para a inflação no curto prazo.

A desaceleração foi explicada principalmente pela queda nos preços de alimentos in natura e pela surpresa baixista em itens como transporte por aplicativo, energia elétrica e vestuário. A dispersão baixa do índice indica melhora mais ampla da dinâmica inflacionária.

Repercussão no mercado

Para o economista André Perfeito, o resultado deve levar o mercado a considerar cortes de juros ainda em 2025 com mais intensidade. “O quadro inflacionário é nitidamente benigno. Alimentos in natura seguem jogando o índice para baixo e ainda não incorporam a sobreoferta derivada do tarifaço de Trump”, disse.

Éttore Sanchez, da Ativa Investimentos, destaca que a surpresa baixista e o bom desempenho dos núcleos tendem a gerar revisões para baixo das expectativas. A casa mantém projeção de 4,7% para o IPCA de 2025.

Carlos Thadeu, da BGC Liquidez, ressalta que, embora o momento seja positivo, os serviços subjacentes — que subiram 0,49% ante expectativa de 0,44% — ainda podem conter parte do otimismo.

O Banco Daycoval aponta que alimentos e bens industriais foram as principais fontes de alívio, com deflação em arroz, feijão, carnes, ovos e hortaliças, além de queda disseminada nos preços industriais. Para a instituição, a projeção para o fim de 2025 cai para 5%, mas a taxa Selic deve permanecer em 15% até o fim do ano.

Pressão em serviços e cenário fiscal

Apesar da leitura mais favorável, a alta dos serviços e dos preços administrados — como energia elétrica, afetada pela bandeira vermelha 1 — ainda preocupa. Além disso, medidas de apoio a setores impactados pelo tarifaço devem pressionar o quadro fiscal, o que pode limitar a velocidade de eventuais cortes na Selic.

No balanço, o resultado de julho reforça a trajetória de desaceleração da inflação, mas mantém no radar dos investidores e formuladores de política monetária a necessidade de avaliar a persistência das pressões em serviços e a evolução das contas públicas antes de afrouxar a política monetária.

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