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Bets consomem 13% do orçamento destinado à alimentação e mudam hábitos das famílias
Publicado 09/11/2025 • 19:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 09/11/2025 • 19:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Joédson Alves / Agência Brasil
Bets já consomem 13% do orçamento destinado à alimentação no Brasil
O avanço das bets — plataformas de apostas esportivas online — está mudando o comportamento de consumo dos brasileiros e afetando diretamente setores importantes da economia. Segundo levantamento da Kantar, 13% do valor que antes ia para alimentação e bebidas agora se destina a apostas, especialmente entre as classes C, D e E.
Esta mudança de comportamento preocupa setores e já provoca reflexos no varejo alimentar, com impacto direto nas vendas e nas margens de lucro dos supermercados. Além disso, o cenário indica uma mudança estrutural nos hábitos de compra das famílias brasileiras.
O Ministério da Fazenda estima que o setor das bets movimentou R$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2025, com a participação de 17,7 milhões de brasileiros. A previsão para o fim do ano é de R$ 22 bilhões em faturamento, o que coloca o país na quinta posição entre os maiores mercados de apostas do mundo, atrás de Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Rússia.
O especialista em gestão de supermercados Leandro Rosadas observa que as bets retiraram dinheiro do caixa do varejo alimentar.
“O valor que vai para apostas deixa de ser usado em produtos essenciais e também em itens de maior margem, como bebidas alcoólicas, iogurtes e biscoitos”, explica. “Com isso, os supermercados enfrentam queda nas compras de itens básicos e supérfluos, o que reduz o lucro.”
Além disso, Rosadas também chama atenção para o efeito psicológico.
“Mesmo com alimentos mais baratos, os consumidores saem com sacolas menores e sentem que gastam muito. Parte desse dinheiro migrou para apostas e aplicativos de games com recompensas. Quem passa por dificuldades financeiras aposta em busca de uma renda extra”, afirma.
Enquanto as classes C, D e E trocam alimentos por bets, as classes A e B, com maior poder aquisitivo, por sua vez, reduziram as compras nos supermercados pelo maior uso de canetas emagrecedoras, declaradas por 3% dos brasileiros dessa faixa de renda em 2024.
Enquanto isso, os hábitos de consumo seguem em transformação. O levantamento da Kantar mostra que os consumidores aumentaram em 10% o número de marcas que compram. Muitos substituem produtos tradicionais por marcas próprias de supermercados, que custam menos e oferecem qualidade semelhante.
“As marcas próprias crescem porque ajudam o consumidor a economizar sem abrir mão da qualidade. Para famílias grandes, essa diferença no valor final faz muita diferença”, destaca Rosadas.
Além das trocas de produtos, cresce a busca por promoções, cashback e programas de fidelidade. Segundo o especialista, os supermercados podem reagir com estratégias de marketing mais ativas e ações de conscientização sobre o uso excessivo das bets.
“Recompensas reais, descontos e prêmios ajudam a reconquistar o cliente. E campanhas educativas sobre o risco do vício em apostas são essenciais”, completa.
Hábitos alimentares
Segundo a pesquisa, os hábitos alimentares estão mais dinâmicos e menos estruturados. O café da manhã salgado segue em alta, com crescimento de 1% em relação a 2024 e 6% desde 2019. No acumulado até junho de 2025, o café da manhã como um todo cresceu 13% fora do lar, enquanto almoço e jantar perderam importância em unidades consumidas, com queda de 5,6 pontos percentuais.
Além disso, a estrutura tradicional de três refeições diárias tem perdido espaço, com queda de 3% desde 2024 e 15% desde 2019. A busca por conveniência também se reflete no tempo dedicado ao preparo das refeições, que caiu 2% em comparação com 2024 e 6% desde 2019.
Em suma, o desafio do varejo é recuperar o espaço perdido para as plataformas digitais. O dinheiro que antes enchia o carrinho de compras agora disputa espaço com as telas dos aplicativos e das bets, afetando diretamente o orçamento e o consumo das famílias.
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