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EXCLUSIVO: Será muito difícil reverter os produtos ainda tarifados, diz economista
Publicado 25/11/2025 • 17:21 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 25/11/2025 • 17:21 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
As próximas etapas da negociação tarifária entre Brasil e Estados Unidos serão mais complexas, avaliou André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele afirmou que “os americanos aliviaram primeiro aquilo que afetava a própria inflação, mas agora entramos na parte mais difícil, porque eles precisam resolver o problema das transações correntes e não podem abrir muitas exceções, senão o motivo de terem imposto as tarifas perde sentido e tornaria ineficaz tudo o que eles fizeram até agora”.
O especialista destacou que a negociação envolve setores industriais mais sensíveis, como máquinas e produtos sob medida para o mercado americano. “São produtos feitos sob medida para o mercado americano, com pouca alternativa de destino, e isso exigirá um esforço conjunto dos empresários, do Itamaraty e do governo para encontrar outras fronteiras comerciais. Apesar disso, o Brasil já tem descoberto novos mercados para esses produtos, o que alivia a pressão interna”, disse.
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Perfeito explicou que a manutenção de tarifas em alguns alimentos, como o café solúvel, tem uma lógica do lado dos EUA: “O café solúvel passa por um processo industrial que os americanos também realizam, e por isso há uma racionalidade por trás da decisão de manter a sobretaxa. No caso do pescado, por exemplo, eles buscarão outros mercados ou explorarão mais o mercado interno, mas não há dúvida de que a necessidade de ajustar as contas externas será a principal motivação”.
Apesar dos esforços do governo brasileiro, o economista acredita que será difícil que os EUA recuem muito mais nas tarifas. “Essa cauda final de produtos que ficaram de fora será muito difícil de reverter, porque o objetivo dos americanos é proteger o setor externo, e essa lógica permanece mesmo dentro de uma política tarifária que, sob qualquer critério, parece irracional”, comentou.
Do ponto de vista macroeconômico, ele enxerga um impacto nas exportações brasileiras, mas com desafios: “Com a reabertura de mercados, o Brasil pode enfrentar uma demanda maior por produtos como café e carne, o que pode pressionar os preços internos. No entanto, esse impacto não é automático. O governo faz a sua parte ao explorar novos destinos para as exportações, mas, no curto e médio prazo, os empresários terão que continuar buscando alternativas”.
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