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Ultraprocessados já são quase um quarto da alimentação dos brasileiros
Publicado 30/11/2025 • 10:00 | Atualizado há 2 meses
Publicado 30/11/2025 • 10:00 | Atualizado há 2 meses
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Ultraprocessados já são quase um quarto da alimentação dos brasileiros
Akimen
O consumo de ultraprocessados no Brasil mais que dobrou desde os anos 80, passando de 10% para 23% da dieta nacional. Os dados fazem parte de uma série de artigos publicados na revista The Lancet, assinados por mais de 40 pesquisadores e liderados por especialistas da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo o levantamento, o aumento não é exclusivo do Brasil. Entre 93 países analisados, o consumo de ultraprocessados subiu em 91 deles. O Reino Unido, que já tinha patamar elevado, manteve estabilidade em 50%. Nos Estados Unidos, esse tipo de produto supera 60% da dieta.
Os autores do estudo afirmam que a expansão global responde a estratégias de grandes corporações do setor alimentício, que direcionam investimentos para produtos de baixo custo, longa duração e forte apelo de marketing.
O aumento foi observado em países de baixa, média e alta renda. Nações com renda mais alta já partiam de níveis elevados, enquanto países em desenvolvimento registraram saltos mais expressivos.
Em três décadas, o consumo triplicou na Espanha e na Coreia do Sul. Na China, passou de 3,5% das compras familiares para 10,4%. A Argentina viu avanço de 19% para 29% no mesmo período. Segundo os pesquisadores, esse padrão se replica internamente: produtos que inicialmente atraíam camadas de maior renda passaram a alcançar todos os grupos.
Mas o relatório ressalta que a renda não explica toda a dinâmica. Países como Itália e Grécia, com condições econômicas semelhantes às de Canadá e Reino Unido, mantêm consumo inferior a 25%, indicando forte influência cultural.
Os artigos relacionam o aumento dos ultraprocessados à maior incidência de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer. Uma revisão de 104 estudos de longo prazo mostra que 92 deles encontraram risco elevado de uma ou mais doenças crônicas entre consumidores frequentes.
Os pesquisadores afirmam que as evidências acumuladas indicam que dietas baseadas em ultraprocessados aumentam o consumo calórico, reduzem a qualidade nutricional e elevam a exposição a aditivos e compostos industriais.
A classificação dos alimentos por grau de processamento, criada em 2009 por pesquisadores brasileiros, organiza produtos em quatro grupos:
A classificação busca mostrar como o processamento impacta a dieta e orientar políticas públicas, como o Guia Alimentar da População Brasileira.
O relatório propõe medidas para reduzir o consumo desses produtos, incluindo:
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é citado como exemplo. A partir de 2026, 90% dos alimentos servidos em escolas públicas deverão ser in natura ou minimamente processados.
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Os pesquisadores afirmam que o fenômeno não está ligado a escolhas individuais, mas ao poder econômico e político de grandes corporações globais, que movimentam US$ 1,9 trilhão por ano. Segundo o estudo, esse modelo amplia a presença desses produtos nas prateleiras, influencia políticas públicas e molda hábitos alimentares em escala mundial.
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