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Internacionalização da Saúde: o Brasil começa a ocupar espaço no mercado mais competitivo do mundo
Publicado 18/12/2025 • 09:12 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 18/12/2025 • 09:12 | Atualizado há 2 meses
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Entrar no mercado de saúde dos Estados Unidos sempre foi um teste de fogo para qualquer empresa, independentemente do tamanho. Quando se trata de tecnologia e inovação clínica, o desafio ganha proporções ainda maiores: não basta ter um bom produto - é preciso competir com gigantes, cumprir exigências regulatórias rigorosas e mostrar que a inteligência brasileira pode gerar valor global.
A MV, uma das maiores desenvolvedoras de software de gestão hospitalar da América Latina, decidiu enfrentar esse cenário. Em parceria com o grupo Medstation, a empresa iniciou sua operação na Flórida, com investimento estimado em US$ 10 milhões. O objetivo é ambicioso: levar para o mercado americano a visão de cuidado integrado, que combina jornada digital, telemedicina e inteligência artificial.
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Segundo o CEO Paulo Magnus, a internacionalização exige mais do que superar barreiras técnicas. “Levar soluções digitais de alta complexidade implica posicionamento político, econômico e diplomático. É uma prova de maturidade para a empresa e para o país”, afirma. Para viabilizar a entrada, a MV transformou seu prontuário eletrônico em uma ferramenta agnóstica, capaz de se integrar a qualquer sistema de gestão hospitalar - modelo seguido pelas grandes companhias americanas de Electronic Medical Record (EMR).
O caso da MV não é isolado. Outras empresas brasileiras vêm apostando no mesmo caminho, cada uma a seu modo e com desafios semelhantes. A startup Sofya, especializada em inteligência artificial clínica, estabeleceu sede em Miami e foi selecionada para o programa de aceleração da Mayo Clinic Platform, referência mundial em inovação médica. O processo de expansão exigiu adaptar o modelo de negócios ao sistema de remuneração americano, ajustar a codificação médica a padrões como ICD e LOINC, e encontrar talentos locais capazes de dialogar com o ecossistema hospitalar dos EUA.
No campo do bem-estar corporativo, a Wellhub (ex-Gympass) também fincou bandeira em Nova York. Após consolidar sua presença global, a empresa enfrenta o desafio de competir com planos de benefícios tradicionais e atender às exigências de privacidade e segurança de dados do mercado americano.
Já a Portal Telemedicina, referência em telehealth e diagnósticos com IA, iniciou parcerias com clínicas e provedores norte-americanos, enfrentando obstáculos de interoperabilidade e compliance com a lei HIPAA, que regula o uso de dados de saúde nos EUA.
No setor farmacêutico, grupos como Eurofarma, Biolab e EMS também trilham o caminho da internacionalização. A Eurofarma já atua em mais de 20 países e mantém parcerias produtivas com empresas dos Estados Unidos. A Biolab prepara dossiês para entrada no mercado americano, enquanto a EMS obteve patente e registro na FDA para o primeiro medicamento de origem brasileira disponível no país — um feito inédito que reforça a capacidade nacional de inovar mesmo diante das mais rígidas exigências regulatórias.
Apesar dos avanços, as empresas concordam que os obstáculos são numerosos. A começar pela regulação: adequar produtos e sistemas aos padrões da FDA ou aos requisitos de segurança de dados da HIPAA demanda tempo, recursos e consultorias especializadas. Há também a adaptação cultural e de modelo de negócios, já que o sistema de saúde americano é descentralizado e pautado por provedores e seguradoras, exigindo novas estratégias de precificação e relacionamento.
A concorrência é outro ponto sensível. O ecossistema americano é povoado por big techs, startups e players tradicionais com forte poder de marca e investimento. Para uma companhia brasileira, competir nesse território significa provar sua relevância tecnológica e sua capacidade de oferecer valor clínico e operacional tangível.
Ainda assim, o movimento é promissor. A entrada de empresas brasileiras nos EUA não apenas abre portas para novos negócios, mas também acelera o aprendizado em certificações, escalabilidade e práticas de governança. A troca é mútua: ao mesmo tempo em que absorvem padrões internacionais de qualidade e compliance, essas companhias levam ao mercado americano a experiência em gestão hospitalar pública, cuidado populacional e eficiência de custos - áreas em que o Brasil acumula expertise relevante.
Mais do que expandir fronteiras, esse novo ciclo de internacionalização inaugura uma mudança simbólica: o Brasil deixa de ser mero consumidor de tecnologia para se tornar protagonista na definição dos rumos da inovação em saúde.
Alexandre Hercules é editor-chefe da Brazil Health
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