Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Em meio a tensão diplomática, China inicia investigação antidumping sobre produto japonês
Publicado 07/01/2026 • 07:57 | Atualizado há 2 semanas
Publicado 07/01/2026 • 07:57 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
A China anunciou na quarta-feira (7) uma investigação antidumping sobre as importações japonesas de um produto químico essencial usado na fabricação de semicondutores, um dia depois de proibir a exportação para o país de mercadorias com potencial uso militar.
O Ministério do Comércio em Pequim afirmou que “de 2022 a 2024, a quantidade de diclorosilano importada do Japão aumentou de forma geral, enquanto o preço diminuiu cumulativamente 31%”. “O dumping de produtos importados do Japão prejudicou a produção e o funcionamento das indústrias nacionais”, afirmou em comunicado.
O Japão é um dos principais fornecedores mundiais de diclorosilano e a investigação surge num momento de crescentes tensões diplomáticas entre os gigantes asiáticos. A China intensificou a pressão sobre seu vizinho depois que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu em novembro que Tóquio poderia reagir militarmente a um ataque a Taiwan, país que Pequim prometeu retomar pela força, se necessário.
Leia também: Brasil não sabe se carne bovina em trânsito vai entrar na cota da China para 2026
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse em uma coletiva de imprensa na quarta-feira que as “declarações errôneas de Takaichi a respeito de Taiwan… interferem flagrantemente nos assuntos internos da China e ameaçam o uso da força militar contra a China”.
Na terça-feira, a China bloqueou as exportações para o Japão de itens de “dupla utilização” com potencial uso militar. Embora a declaração sobre a proibição de exportação não tenha mencionado itens específicos, ela alimentou preocupações no Japão de que Pequim possa sufocar o fornecimento de minerais de terras raras vitais, alguns dos quais estão incluídos na lista de bens de dupla utilização da China.
A China é de longe o maior fornecedor mundial de terras raras, que são cruciais para uma gama de produtos tecnológicos, desde smartphones a aviões de combate.
Masaaki Kanai, o principal funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Japão para Assuntos da Ásia-Pacífico, “protestou veementemente e exigiu a revogação dessas medidas”.
Kanai afirmou que as proibições “desviam-se significativamente da prática internacional, são absolutamente inaceitáveis e profundamente lamentáveis”.
Leia também: Hotéis e restaurantes vazios no Japão; entenda as consequências da crise diplomática do país com a China
De acordo com a Organização Japonesa para Metais e Energia, mais de 70% das importações japonesas de terras raras provêm da China. Isso apesar dos esforços de Tóquio para diversificar o fornecimento após uma disputa em 2010 que levou Pequim a interromper temporariamente as remessas de minerais para o Japão.
A consultoria global de gestão de riscos Teneo afirmou que a linguagem ambígua da declaração chinesa pode ter como objetivo pressionar Takaichi a adotar uma postura mais conciliatória em relação a Pequim. “A breve declaração do Ministério do Comércio da China é vaga, e o impacto das novas medidas pode variar de quase inteiramente simbólico a altamente disruptivo”, afirmou. “Ao suscitar preocupação no Japão sobre a disponibilidade contínua de insumos industriais chineses essenciais, o anúncio pressiona imediatamente Takaichi a oferecer concessões.”
Takahide Kiuchi, economista executivo do Instituto de Pesquisa Nomura, afirmou que o impacto na economia japonesa seria “extremamente severo” caso a China incluísse terras raras nos controles de exportação. Ele estimou que uma proibição de três meses poderia custar ao Japão 660 bilhões de ienes (US$ 4,2 bilhões – R$ 22,6 bilhões).
“Particularmente no caso de terras raras como o disprósio e o térbio, que são materiais auxiliares para ímãs de neodímio usados em motores de veículos elétricos, diz-se que o Japão depende quase 100% da China”, acrescentou.
O principal porta-voz do governo japonês, Minoru Kihara, recusou-se na quarta-feira a comentar o impacto nas indústrias do Japão, citando “os inúmeros pontos obscuros… incluindo o alcance das medidas”.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Ações da Stellantis caem 43% enquanto fabricante da Jeep completa cinco anos e executa reestruturação
2
Fictor, que tentou comprar o Banco Master, é questionada por promessas de retorno acima do mercado
3
Trading controlada por grupo russo “some do mapa” e demite 344 no Brasil
4
Quem é a família Santo Domingo, bilionária que quer comprar o Santos FC
5
Flamengo: por que o clube ficou fora da Copinha 2026?