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Groenlândia rejeita pressão dos EUA após ameaça de Trump

Publicado 10/01/2026 • 16:24 | Atualizado há 2 minutos

KEY POINTS

  • Groenlândia veta ameaça de força de Trump para anexação do território rico em minerais. Partidos locais afirmam que a ilha não está à venda e rejeitam nova colonização em 2026.
  • EUA cogitam pagar até US$ 100 mil por habitante para estimular a separação da Dinamarca. A oferta busca garantir controle estratégico, mas é ignorada por líderes de Nuuk e Copenhague.
  • Dinamarca alerta que avanço americano sobre a ilha pode causar o colapso da Otan. O governo dinamarquês reforça que a posse histórica da terra é soberana e inegociável.

Partidos políticos da Groenlândia afirmaram que rejeitam qualquer possibilidade de subordinação a Washington após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltar a mencionar o uso da força para assumir o controle do território autônomo da Dinamarca, rico em minerais. As declarações provocaram repercussão e apreensão internacional.

Em nota conjunta, líderes de cinco siglas representadas no Parlamento groenlandês declararam que a população local não deseja se tornar americana nem dinamarquesa. Segundo o texto, a decisão sobre o futuro da ilha cabe exclusivamente aos groenlandeses, sem interferência externa.

Na sexta-feira (9), Trump afirmou que os Estados Unidos iriam “fazer algo em relação à Groenlândia, de um jeito ou de outro”, reacendendo o debate sobre a soberania do território.

Os partidos reforçaram que nenhum outro país tem legitimidade para influenciar esse processo. De acordo com a declaração, o caminho político da Groenlândia deve ser definido internamente, sem pressões, adiamentos forçados ou ingerência de governos estrangeiros.

Moradores também reagiram às falas do presidente americano. Julius Nielsen, pescador de 48 anos que vive na capital Nuuk, disse à AFP que a população não aceita a ideia de se tornar americana. Ele lembrou que a Groenlândia foi colônia por muitos anos e afirmou que o país não está disposto a passar novamente por um processo de colonização.

Até 1953, a ilha foi uma colônia dinamarquesa. Em 1979, obteve autonomia, ampliada posteriormente, e desde então discute a possibilidade de reduzir gradualmente os vínculos com Copenhague.

Apesar disso, parte da população demonstra cautela em relação a uma independência imediata. Pitsi Mari, que atua no setor de telecomunicações, afirmou à AFP que vê a independência de forma positiva, mas considera que o momento ainda não é adequado para avançar nesse sentido.

A coalizão que atualmente governa a Groenlândia também não defende uma ruptura acelerada com a Dinamarca. Já o Naleraq, único partido de oposição, que obteve 24,5% dos votos nas eleições legislativas de 2025, defende a separação no curto prazo, embora também tenha assinado a declaração conjunta dos partidos.

Em uma publicação no Facebook, o deputado Juno Berthelsen, do Naleraq, afirmou que chegou o momento de iniciar a preparação para a independência, objetivo pelo qual, segundo ele, a população luta há décadas.

Na quinta-feira (8), a agência Reuters informou que autoridades dos Estados Unidos avaliam a possibilidade de oferecer até US$ 100 mil por habitante da Groenlândia como forma de incentivar a separação da Dinamarca e a anexação do território aos EUA.

Leia também: Trump volta a ameaçar a Groenlândia: “faremos algo, gostem ou não”

De acordo com a Reuters, ainda não há definição sobre valores exatos nem sobre a operacionalização dos pagamentos. As discussões envolveriam cifras entre US$ 10 mil e US$ 100 mil por pessoa, segundo fontes ligadas ao governo americano. Autoridades de Copenhague e de Nuuk já declararam que a Groenlândia não está à venda.

As ameaças de Trump provocaram reações negativas na Dinamarca e entre aliados europeus, especialmente pelo fato de os Estados Unidos manterem uma base militar na ilha.

Na segunda-feira (5), a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que uma eventual tomada de controle da Groenlândia pelos Estados Unidos representaria, na prática, o colapso da aliança militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Trump minimizou as preocupações do governo dinamarquês, apesar da parceria histórica entre os dois países, que incluiu a participação conjunta na invasão do Iraque em 2003. Ele disse admirar a Dinamarca e afirmou que o país sempre foi cordial em sua relação pessoal com ele.

Em seguida, acrescentou que o fato de a Dinamarca ter presença histórica no território não significaria, em sua visão, posse definitiva da terra.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, deve se reunir na próxima semana com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca e com representantes do governo da Groenlândia.

(Com informações da AFP, AP e do Estadão Conteúdo)

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