Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Brasil discute envio de alimentos e insumos à Cuba e pode abrir janela comercial no Caribe
Publicado 27/02/2026 • 10:30 | Atualizado há 2 semanas
Mais três navios são atingidos no Golfo Pérsico enquanto o Irã alerta para petróleo a US$ 200
Plano de liberação recorde de petróleo indica que guerra no Oriente Médio pode durar meses
Boom e queda das ações de empresas de memória chegam ao fim com avanço da IA
Trump diz que vai usar Reserva Estratégica de petróleo para reduzir custos de energia na guerra contra o Irã
Ford lança nova IA para impulsionar Pro, um negócio comercial bilionário
Publicado 27/02/2026 • 10:30 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
Brasil avalia ajuda humanitária a Cuba após agravamento do embargo e crise energética
Após México, Chile, Espanha, Rússia e Canadá anunciarem apoio, o governo brasileiro avalia enviar ajuda humanitária a Cuba, diante da escassez de energia e alimentos, agravada pela pressão recente dos Estados Unidos, que ampliou o embargo contra a ilha, dificultando o turismo e a importação de insumos básicos como petróleo e medicamentos.
O Itamaraty discute o envio de remédios, alimentos, máquinas agrícolas e assistência técnica. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, afirmou que a decisão, no entanto, envolve implicações diplomáticas devido às restrições dos Estados Unidos, mas não detalhou formato ou cronograma ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Leia também: Comissão Europeia prepara aplicação provisória do acordo UE-Mercosul
Apesar da ilha dos Castro – hoje governada por Miguel Mario Díaz-Canel – não estar entre os principais parceiros comerciais do Brasil, Cuba concentra alta demanda em segmentos nos quais o país é competitivo.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 283,4 milhões para a ilha, segundo o Comex Stat. Isso representa apenas 0,01% das vendas externas totais brasileiras, que somaram US$ 339,7 bilhões no período.
Para o pesquisador Pedro Barros, do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), o comércio diminuiu ao longo dos últimos 15 anos após redução de garantias públicas ao financiamento regional e maior dificuldade cubana de acesso a divisas com novas sanções.
A eventual ajuda, porém, pode alterar o padrão. O economista avalia que alimentos, insumos médicos e tecnologia agrícola correspondem exatamente aos setores de maior escassez em Cuba.
“Cuba pode funcionar como porta de entrada e nó (hub) logístico para os mercados caribenhos que hoje importam da América do Norte e da Europa produtos de setores que o Brasil é competitivo”, diz Barros.
Guiana e Suriname são exemplos de baixa integração comercial apesar da proximidade geográfica.
Para reduzira a exposição via sanções, Espanha e Canadá optaram por envio de recursos via ONU. Esse formato é considerado uma alternativa para o Brasil.
Segundo o pesquisador, projetos estritamente humanitários enfrentam menor risco de retaliação. O risco cresce quando a cooperação aumenta a capacidade produtiva da economia cubana.
Outra hipótese discutida é cooperação com a Rússia em fertilizantes, setor já sujeito a sanções internacionais, o que reduziria restrições adicionais às empresas envolvidas.
A crise energética abre espaço também para acordos em biocombustíveis. Apesar da tradição açucareira, Cuba produz pouco etanol. O Brasil exportou US$ 934 milhões do combustível em 2025, totalizando 1,6 bilhão de litros, segundo a Datagro.
A cooperação poderia envolver também Canadá, Espanha ou China em projetos de transição energética.
A deterioração econômica da ilha tem efeitos além do comércio. Cuba arrecada cerca de US$ 4,9 bilhões por ano com missões médicas internacionais, segundo relatório do Departamento de Estado dos EUA.
A interrupção desses serviços afeta países dependentes dessa assistência, alguns deles parceiros brasileiros.
Para o Brasil, a ajuda tem caráter emergencial. Mas, dependendo da estrutura financeira e logística, pode se tornar instrumento de presença econômica em uma região onde a participação comercial brasileira ainda é limitada.
A escassez enfrentada pela população cubana não tem uma causa única. Ela resulta da combinação entre restrições externas, queda de receitas e limitações produtivas internas.
A economia do país depende de moeda estrangeira obtida principalmente com turismo, envio de médicos ao exterior e remessas de emigrantes. A pandemia reduziu visitantes e as sanções financeiras dificultaram transferências. Sem divisas, o governo perdeu capacidade de comprar alimentos, combustível e medicamentos.
As restrições dos Estados Unidos não impedem totalmente o comércio, mas tornam pagamentos e financiamentos mais caros e complexos. Empresas estrangeiras enfrentam risco jurídico e bancário ao negociar com a ilha, o que encarece ou inviabiliza contratos.
Grande parte das usinas termoelétricas é antiga e depende de combustível importado. A falta de petróleo e peças de reposição provoca apagões frequentes, afetando transporte, indústria, refrigeração de alimentos e funcionamento de hospitais.
A agricultura e a indústria têm baixa produtividade e não conseguem compensar a redução das importações. Reformas para ampliar a atividade privada avançam lentamente, limitando a oferta doméstica.
Menos importações reduzem a produção, o que diminui exportações e gera ainda menos entrada de dólares. O ciclo prolonga a escassez e amplia a inflação.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Justiça italiana mantém restrições para conceder cidadania e frusta 70 milhões de descendentes no Brasil
2
Abicom alerta para risco de faltar diesel no Brasil em abril
3
Master: o contrato com a esposa de Moraes e o abalo no STF; ‘Não basta ser legal, tem que parecer legal’
4
Grupo Fictor: entenda por que a crise da empresa era considerada previsível
5
Wetzel protocola plano de recuperação extrajudicial após acordo com credores