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Entrevistas de emprego: a pergunta sobre IA que todo candidato precisa saber responder
Publicado 10/01/2026 • 17:17 | Atualizado há 19 horas
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“Pessoas que se expressam de forma excessivamente corporativa geralmente não criam conexão com os outros”, afirma McGowan, autor do livro Speak, Memorably: The Art of Captivating an Audience
Ainda não há uma resposta definitiva sobre como a inteligência artificial está afetando ganhos e perdas no mercado de trabalho. No entanto, há ao menos uma questão sobre IA que candidatos a vagas e profissionais que desejam manter seus empregos precisarão responder com clareza em 2026.
Segundo Daniela Rus, diretora do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT que foi ouvida pela CNBC, o critério básico de avaliação está mudando. Em muitas funções, a pergunta deixa de ser se a pessoa consegue executar o trabalho e passa a ser se ela é capaz de agregar um valor único que vá além do que a IA pode fazer sozinha e do que outros profissionais conseguem entregar.
A relação em transformação entre tecnologia e trabalho humano tornou-se um dos temas centrais do mercado de trabalho. Os primeiros efeitos da adoção da IA já começam a aparecer em indicadores de produtividade, ainda que de forma pontual.
O presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou que a inteligência artificial tem levado grandes empresas a desacelerar contratações. Segundo ele, muitas organizações relatam “ganhos reais de produtividade”. Em entrevista ao programa Squawk Box, da CNBC, Kashkari avaliou que o impacto, até agora, se concentra em companhias de grande porte e que o cenário geral segue marcado por contratações contidas e demissões limitadas.
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Ele acrescentou, porém, que empresas que antes demonstravam ceticismo em relação à tecnologia passaram a adotá-la de forma mais consistente. De acordo com Kashkari, executivos relatam que, após dois anos de resistência, agora utilizam a IA de maneira efetiva em suas operações.
A avaliação não é unânime entre os líderes empresariais. Durante a CES, em Las Vegas, a CEO da AMD, Lisa Su, disse à CNBC que a empresa segue expandindo sua força de trabalho. Segundo ela, a companhia continua contratando em ritmo elevado, mas com foco em profissionais com perfil voltado para inteligência artificial.
No ano passado, executivos de empresas como Shopify, Accenture e Fiverr estiveram entre os que conduziram demissões ao mesmo tempo em que incentivaram funcionários a se requalificar, sob o argumento de que a falta de adaptação poderia reduzir sua relevância profissional.
O CEO da Fiverr, Micha Kaufman, afirmou que o estímulo ao desenvolvimento de habilidades em IA não teve caráter simbólico. Segundo ele, tratou-se de um reconhecimento de que a tecnologia está remodelando todos os setores. Para Kaufman, a postura mais responsável das empresas é preparar seus profissionais de forma antecipada, transparente e com objetivos claros.
Apesar disso, a comunicação corporativa sobre o tema ainda costuma ser genérica. Em muitos casos, a IA é descrita como responsável por tarefas repetitivas ou computacionalmente intensas, enquanto os humanos se concentrariam em atividades de maior complexidade, que exigem julgamento, empatia, criatividade e compreensão de contexto.
Essa abordagem, na avaliação de Daniela Rus, representa uma transição da substituição para a ampliação das capacidades humanas, com a tecnologia atuando como suporte. Ainda assim, ela afirma que o ceticismo por parte dos trabalhadores é compreensível.
Segundo Rus, processos desse tipo envolvem ganhos de eficiência, mas também exigem confiança e transparência. Para ela, os profissionais precisam acreditar que a IA não está sendo usada apenas como justificativa para redução de custos. Há, ainda, o risco de que a adoção da tecnologia acabe enfraquecendo habilidades tipicamente humanas, em vez de fortalecê-las.
Kaufman reconhece que nem mesmo uma comunicação clara é suficiente para eliminar a ansiedade. De acordo com ele, ao aprender a usar ferramentas de IA, alguns trabalhadores temem estar treinando os sistemas que poderão substituí-los.
Na visão do executivo, no entanto, o movimento observado é diferente. Segundo Kaufman, profissionais que aprendem a orientar a IA, interpretar seus resultados e aprimorá-los não estão formando seus substitutos, mas assumindo um papel central na construção do futuro do trabalho.
A Fiverr, plataforma que conecta empresas a freelancers, está entre as organizações mais expostas à adoção da IA, especialmente em atividades nas quais o uso da tecnologia cresce rapidamente. De acordo com o Relatório de Impacto Econômico Freelancer de 2024 da empresa, 40% dos freelancers já utilizavam ferramentas de IA.
Segundo Kaufman, esse uso tem gerado uma economia média de mais de oito horas de trabalho por semana. A pesquisa também aponta que os primeiros adotantes entregam trabalhos de melhor qualidade e recebem remuneração mais alta. Para ele, esses profissionais não estão sendo substituídos, mas se beneficiando diretamente da tecnologia.
Um estudo recente do The Budget Lab, da Universidade Yale, traz sinais de que a relação entre IA e emprego, até o momento, não difere substancialmente de outros períodos de avanço tecnológico. A análise indica que o mercado de trabalho não sofreu perturbações amplas desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, e que não há evidências de queda generalizada na demanda por trabalho baseado em conhecimento.
Os pesquisadores ressaltam que conclusões definitivas não podem ser tiradas nos primeiros anos de adoção de uma nova tecnologia. Eles citam exemplos históricos, como a introdução dos computadores nos escritórios, para destacar que disrupções tecnológicas costumam ocorrer ao longo de décadas, e não em poucos anos.
Segundo o relatório, mesmo que a IA venha a provocar impactos tão intensos quanto — ou mais — do que tecnologias anteriores, é razoável esperar que seus efeitos mais amplos levem tempo para se consolidar.
Um estudo recente da McKinsey aponta que a IA poderia, em tese, automatizar mais da metade das horas de trabalho atuais nos Estados Unidos. A consultoria, no entanto, ressalta que isso não implica necessariamente eliminação de empregos. Algumas funções tendem a encolher, outras a se expandir ou se transformar, enquanto novas atividades devem surgir, com o trabalho cada vez mais baseado na colaboração entre humanos e sistemas inteligentes.
A McKinsey estima que cerca de 70% das habilidades demandadas no mercado são aplicáveis tanto a funções automatizáveis quanto às não automatizáveis. Segundo o relatório, essa sobreposição indica que a maioria das competências continuará relevante, embora a forma e o contexto de uso mudem ao longo do tempo.
Empresas que adotam a IA como substituta direta da contratação tradicional também podem rever suas estratégias. Armando Solar-Lezama, professor de computação do MIT e diretor associado do CSAIL, citou o caso da fintech Klarna, que demitiu 40% de sua força de trabalho ao priorizar a IA, mas posteriormente precisou recontratar profissionais de atendimento ao cliente após resultados insatisfatórios da tecnologia.
Para Solar-Lezama, parte dessas iniciativas tende a falhar. Ainda assim, ele avalia que erros pontuais não devem servir de alívio para os trabalhadores, já que muitas empresas terão sucesso e promoverão reduções de pessoal.
O pesquisador afirmou que, para profissionais que temem estar sendo levados a treinar seus substitutos automatizados, o maior risco pode recair sobre as próprias organizações. Segundo ele, falhas humanas continuam sendo parte integrante do funcionamento do trabalho.
Solar-Lezama destacou que sistemas de IA não aprendem da mesma forma que as pessoas. Como as empresas estão estruturadas para lidar com erros humanos, a simples substituição de trabalhadores por tecnologia tende a gerar novos problemas. Para ele, levará tempo até que as organizações compreendam plenamente essas limitações.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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